set/2023

Crítica: “Chic Show”

Por André Barcinski

Crítica: “Chic Show”

Por André Barcinski

A Globoplay estreou recentemente o documentário “Chic Show”, de Felipe Giuntini. Assisti no festival de documentários In-Edit Brasil e recomendo. É um registro importante sobre um dos maiores fenômenos da black music brasileira (e preciso esclarecer que fiz trabalhos para a Globoplay, mas não conheço as pessoas envolvidas com o filme e me sinto à vontade para recomendá-lo).

A Chic Show foi uma festa de música black que virou sinônimo de empoderamento negro, criada nos anos 1970, em meio à ditadura militar,  e que teve importância imensa para frequentadores e artistas.

Foi o primeiro movimento empresarial-musical brasileiro criado especificamente para a população negra e ajudou a difundir a cultura negra e valorizar artistas nacionais e internacionais.

Alguns dos primeiros bailes, conta o filme, foram realizados em locais onde hoje funcionam casas importantes da música paulistana, como a Casa de Portugal, na Liberdade, e a Blue Space, boate LGBT localizada no bairro da Barra Funda.  O evento cresceu tanto que passou a ser realizado dentro do ginásio do Palmeiras. O doc acompanha o fundador do Chic Show, Luiz Alberto da Silva, o popular Luizão, a esses locais, e ouve as histórias dele sobre como teve a ideia de criar uma festa de música soul e funk.

Há imagens de arquivo e fotografias muito bonitas, mostrando os bailes e os frequentadores. Vemos grandes nomes nacionais, como Tim Maia, Jorge Ben e Sandra de Sá, se apresentando  na festa, e também astros gringos como James Brown, que veio para uma turnê histórica (veja aqui uma reportagem sobre a visita do “Godfather” ao país, em 1988):

Acho muito importante que fenômenos como a Chic Show sejam resgatados em filmes e livros.  A exemplo do Festival de Águas Claras, registrado no ótimo doc “O Barato de Iacanga”, a Chic Show foi um empreendimento independente, alternativo e corajoso, feito por um idealista, Luizão, que acabou criando uma marca eterna na história da música negra brasileira.

Uma ótima semana a todas e todos.

P.S.: Lembrando que estarei em viagem até 4 de outubro, mas deixei textos programados para 2as e 6as. Infelizmente, até minha volta, não conseguirei responder aos comentários como de hábito.

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