Crítica: “Bill Russell: Lenda da NBA” (Netflix)
Alguns esportistas transcendem o esporte e se tornam figuras históricas. É o caso de Bill Russell.
Russell (1934-2022) foi um pivô do time de basquete do Boston Celtics. Em 13 temporadas com o time (1956 a 1969), ele ganhou onze títulos da NBA, o maior número de títulos já conquistado por qualquer atleta da liga.
Mais que isso: Russell se destacou por suas posições políticas num período em que os Estados Unidos passavam por uma época efervescente de protestos e conflitos sociais. Ele marchou com Martin Luther King Jr., recusou-se a jantar em restaurantes que segregavam clientes pela cor da pele, e foi um incansável defensor das liberdades individuais.
Em 2021, pouco antes de morrer, Russell leiloou toda sua colação de memorabilia do Celtics, incluindo os onze anéis que ganhara pelos títulos da liga, e usou a grana para financiar bolsas de estudo para crianças carentes.
A Netflix exibe “Bill Russel: Lenda da NBA”, um documentário bem careta e sem grandes criatividades estilísticas, mas que conta de forma eficiente a vida e carreira de Russell.
E que vida ele teve: filho de uma família miserável da Louisiana, no sul dos Estados Unidos, cresceu em meio ao racismo local, ouvindo histórias de familiares que eram escravos e sofreram com a segregação racial em escolas e locais públicos. Em 1942, cansado do racismo sulista, o pai de Bill levou a família para Oakland, na Califórnia. “Parecia outro país”, escreveu Russell em sua autobiografia, “Havia escolas integradas e, pela primeira vez na vida, eu não precisava tomar cuidado com o assento em que sentava no ônibus”.
Russell começou a jogar basquete na escola e conseguiu uma bolsa de estudos na Universidade de São Francisco, onde levou o time local ao bicampeonato universitário norte-americano, vencendo 55 partidas seguidas. Com seus 2,08 m e habilidade para saltar, tornou-se um defensor absolutamente dominante, que bloqueava arremessos de adversários com extrema facilidade. Chegou a dar 50 “tocos” numa só partida.
“Bill Russell inventou o basquete moderno”, diz um comentarista esportivo entrevistado no filme. “Com ele, o basquete passou de um jogo horizontal, em que atletas – na maioria, caucasianos – trocavam passes laterais até alguém ficar livre e arremessar, para um jogo vertical, com intensas disputas no garrafão e atletas – na maioria negros – que usavam sua força física e habilidade para criar lances de pura magia”.
No filme, astros da NBA fazem fila para dar depoimentos sobre Russell: Larry Bird, Isaiah Thomas, Dominique Wilkins, Magic Johnson, Kareeem, Shaq, Stephen Curry e outros. As imagens de arquivos são fantásticas: de Bill jogando na universidade aos épicos confrontos contra o outro pivô dominante do período, Wilt Chamberlain, o filme tem uma quantidade impressionante de grandes sequências. Se você curte basquete, vai adorar.
Uma ótima semana a todos.
13 comentários em "Crítica: “Bill Russell: Lenda da NBA” (Netflix)"
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Boa dica. Verei.
Bom, sobre o Oscar arrisco dizer que se “Um tira da Pesada” fosse feito hoje ganharia 04 estatuetas.
Melhor ator, diretor, roteiro e melhor filme.
Se colocassem uma ajudante chinesa para o Ed Murphy, ganharia atriz coadjuvante também…
Hahahaha, sim, Oscar de melhor ajudante.
Simplesmente, um Herói. Vou ver o doc com certeza! André o que foi aquela pataquada de Oscar ontem?? Sete Oscars praquele abacaxi “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo”, é surreal.
Cara, nem vi a cerimônia, troço mais deprimente.
E André, eu vi que vc não curtiu o grande ganhador da noite, o Tudo em todo lugar ao mesmo tempo”, e vc não achou o filme ganhar 7 estatuetas um grande exagero?
Eu vi o filme e achei ok, bacaninha e tal, mas pra ganhar 7 prêmios, dentre eles, quase todos os principais, só se ele fosse uma obra-prima, o que, na minha opinião, está longe de ser!!!
Sete Oscars????
André, o Bill Russell muitas vezes aqui no Brasil (duvido que isso aconteça nos EUA) é subestimado e até esquecido tanto entre os grandes nomes do esporte mundial quanto entre os principais atletas-ativistas, mas ele é daquelas figuras que revolucionaram o esporte, é só imaginar o que seria da NBA sem os jogadores negros?
Foi o Bill quem ajudou a abrir essa estrada quando era “tudo mato”!!!!
Que bela história. Os americanos sabem homenagear seus grandes esportistas. Sinto falta disso por aqui. Raros são os atletas brasileiros que têm suas histórias contadas. Um por exemplo que tem uma história bacana é o Servílio de Oliveira. Abração
Certeza, mas vai procurar imagens de arquivo do Servilio?
Não tem quase nada. e ninguém se anima também em escrever uma biografia do cara, por todas as dificuldades que há para a publicação de um livro. Dureza.
Buongiorno Barça!
Outro gigante (literalmente) da NBA que teve um ótimo documentário foi o espetacular Kareem Abdul Jabbar, se não me engano na HBO. O nome é bem sugestivo e já demonstra a personalidade ímpar do cara: “A minoria de um”.
Algum comentário sobre o Oscar? Saudade das tuas análises!
Vi o doc do Kareem, impressionantes aquelas imagens dele jogando novinho.
Sobre o Oscar, nem vi a cerimônia, acho que esse filme de multiverso ganhar foi a pá de cal no Oscar. Não aguentei 20 minutos. Abraço!