maio/2023

Crítica: “Air: a História Por Trás do Logo”

Por André Barcinski

Crítica: “Air: a História Por Trás do Logo”

Por André Barcinski

Não vai mudar a vida de ninguém, mas “Air”, filme dirigido por Ben Affleck sobre a criação do tênis Air Jordan e a contratação de Michael Jordan como garoto-propaganda da Nike, é bem divertido. Acabou de entrar no catálogo do Amazon Prime e vale seu tempo.

A história se passa em 1984, e Affleck, um cineasta que não hesita em usar e abusar de todos os clichês narrativos possíveis, deixa isso bem claro ao abrir o filme com uma montagem, quase um videoclipe, que mostra inúmeros artefatos e imagens daquela época, de Sylvester Stallone dançando com Dolly Parton aos personagens de “Os Caça-Fantasmas”, passando por Eddie Murphy, um monte de gente brincando com o cubo mágico e inúmeros trechos de clipes musicais do período. Nada de inovador, mas funciona.

Somos apresentados a Sonny Vaccaro (Matt Damon), um melancólico “olheiro” de basquete que trabalha para a Nike e está deprimido com a falta de interesse da empresa em investir no esporte. O prédio da Nike parece uma repartição pública, com um clima de derrota no ar (e, de fato, em 1984, a empresa perdia de lavada em vendas para a Adidas e a Converse).

Vaccaro tem uma epifania e põe na cabeça, como uma última e desesperada tentativa, que a Nike precisa contratar Michael Jordan, então um craque do basquete universitário, mas que nem havia estreado na NBA. Só há um problema: Jordan abomina os tênis da Nike e não tem o menor respeito pela empresa, que ele vê como uma marca de tênis de corrida e uma piada entre fãs de basquete.

Vaccaro vai à luta em duas frentes: primeiro tenta convencer o dono da Nike, o bicho-grilo Phil Knight (interpretado pelo próprio Ben Affleck) a investir pesado em Jordan, e depois aparece de surpresa na casa dos Jordan para implorar à matriarca (vivida pela ótima Viola Davis) uma chance para fazer uma proposta.

“Air” é mais uma história de “azarões” enfrentando inimigos poderosos. O curioso é que o fracote da história é a Nike, hoje uma superpotência do mercado esportivo, justamente por causa da improvável contratação de Jordan e do sucesso planetário da linha Air Jordan. A exemplo de incontáveis outros filmes inspirados em histórias conhecidas, sabemos exatamente como tudo termina, mas é difícil não torcer por Vaccaro e até por Phil Knight.

Um ótimo fim de semana a todas e todos!

8 comentários em "Crítica: “Air: a História Por Trás do Logo”"

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