Crítica: “A Filha Perdida” (Netflix)
A Netflix exibe o filme “A Filha Perdida”, estreia na direção da atriz Maggie Gyllenhaal. Adaptado de um romance de Elena Ferrante, conta a história de uma professora de literatura de 48 anos, Leda (a ótima Olivia Colman, de “The Crown”), que passa as férias num resort praiano na Grécia.
Assim que Leda chega ao local, somos apresentados a alguns personagens que ela encontra ali: o primeiro é Lyle (Ed Harris), um septuagenário norte-americano que trabalha há 30 anos na casa alugada por Leda e que parece atraído por ela. Logo depois surge Will (Paul Mescal), um jovem irlandês que cuida dos hóspedes.
Mas a história engrena mesmo quando aparece Nina (Dakota Johnson), uma jovem mãe com sua filha pequena. Nina chega acompanhada da família, um bando de toscos e mal educados do Queens, em Nova York. Will recomenda a Leda tomar cuidado com eles: “São gente ruim”. Não vou dar spoiler, mas Leda acaba envolvida com Nina e a filha, numa relação que vai ganhando em tensão e suspense.
Não li o livro e não sei se o filme segue à risca a estrutura narrativa da história de Ferrante. O que sei é que o filme perde força na exploração da personagem ao utilizar um recurso narrativo fácil e um tanto simplório, que é o de criar cenas lúdicas e de “flashbacks” que conduzem a trama na direção do “thriller” policial ou que sugerem direções que a história simplesmente ignora depois.
Ao longo do filme, há três ou quatro dessas cenas, que parecem colocadas apenas para adicionar drama e suspense. Mas o filme não precisaria delas. O que “A Filha Perdida” tem de melhor é justamente a revelação da história de Leda, especialmente em “flashbacks” que contam a vida dela vinte e tantos anos antes, quando a então estudante (Jessie Buckley, de “Chernobyl”) sofre num casamento infeliz e vê uma brilhante carreira acadêmica ameaçada pela obrigação de tomar conta de duas filhas pequenas.
O dilema da jovem Leda, dividida entre a vida de mãe e a jornada intelectual (antes que me xinguem: não sou eu que estou dizendo que os dois caminhos são excludentes, mas a personagem parece acreditar que sim), é o que “A Filha Perdida” tem de melhor.
Filmes em que personagens se veem em locais isolados e reavaliam suas vidas não são exatamente uma novidade. “A Filha Perdida” tem ecos evidentes de “Morte em Veneza” (Luchino Visconti, 1971) adaptado do romance de Thomas Mann, e momentos de emoção genuína. Mas não precisaria recorrer ao expediente de se fantasiar de filme policial para agradar ao espectador. A jornada de Leda bastaria.
7 comentários em "Crítica: “A Filha Perdida” (Netflix)"
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Eu li o livro, que é bom mas nenhuma maravilha, e ainda não vi o filme. No livro, a Leda não sofre assim como o Cassiano comentou. Observa a família na praia com curiosidade e até uma certa fixação e fascinação pela moça com a menina.
Assiste ao filme, é bem diferente então. Ela parece super angustiada.
Apesar de meio forçado, gostei da atmosfera tensa do filme,ea Dakota hein, cada vez mais linda ,bah
Barça, só para correção, a atriz correta da personagem Nina é a Dakota Johnson… abraço, sou um grande fã seu…
Opa! Muito obrigado, confundi as Dakotas…!
Uma coisa que me incomodou foi o fato da Leda sofrer demais o filme inteiro, sem grandes motivos, o lance da boneca tbm achei forçado. Sou fã da Maggie como atriz, espero que na próxima ela acerte.
Também me incomodou. E por que uma mulher tão inteligente, culta e viajada ficaria naquele buraco, aturando aquela família e aquele lugar?