Adeus, Geordie, herói do pós-punk
Um capítulo importante do rock – mais especificamente, do pós-punk – se encerrou esses dias quando morreu, aos 64 anos, Kevin “Geordie” Walker, guitarrista e fundador do grupo inglês Killing Joke.
O Killing Joke fez sua estreia em show em agosto de 1979, com Jaz Coleman nos vocais, Geordie na guitarra, Paul Ferguson na bateria e Youth no baixo. Nesses quase 45 anos, criou uma sonoridade inclassificável, que bebeu no peso e agressividade do punk, mas que agradava a fãs de metal, hardcore, industrial, gótico e eletrônico. Não houve uma vertente do rock pesado que o Kiling Joke não tenha explorado. A banda foi tão influente que o Nirvana famosamente “se inspirou” na guitarra de Geordie em “Eighties” para compor “Come As You Are”…
Não sou músico e não me impressiono com virtuosismo musical vazio. Não avalio instrumentistas pela quantidade de notas que tocam em um segundo, mas pela sonoridade que conseguem criar. Por isso, o pós-punk é minha fase predileta da música. Amo o som do baixo de Peter Hook (Joy Division) e a bateria de Budgie (Siouxsie and the Banshees), mesmo sabendo que, numa seleção feita por músicos profissionais, eles certamente não entrariam em nenhuma lista de grandes instrumentistas.
Amo o pós-punk porque é a fase em que jovens bandas, cansadas da limitação criativa dos dois acordes do punk, resolvem misturá-lo a outras coisas: dub, krautrock, eletrônica, jazz, progressivo, psicodelia, rock de garagem. Nascem grupos como Joy Division, The Cure, Gang of Four, The Fall, Mission of Burma, Pere Ubu, Public Image Ltd., Echo and the Bunnymen, Smiths, Siouxsie and the Banshees, Wire e tantos outros.
É, também, a época de meus guitarristas prediletos: Andy Gill (Gang of Four), John McGeoch (Siouxsie and the Banshees), Johnny Marr (Smiths), Will Sergeant (Echo and the Bunnymen) e, claro, Geordie, todos instrumentistas que criaram sonoridades e estilos únicos e inconfundíveis, em que os riffs eram menos importantes do que a atmosfera de cada canção. Quando você ouve o “staccato” da guitarra de Andy Gill ou os timbres viajantes e psicodélicos de Will Sergeant, imediatamente reconhece o som de Gang of Four e Echo and the Bunnymen.
Claro que esses guitarristas não nasceram no vácuo, mas se inspiraram no estilo de alguns pioneiros, como o ataque anguloso de Wilko Johnson (Dr. Feelgood), a repetição mântrica de Michael Rother (Neu!), as texturas lisérgicas de Tom Verlaine (Television) e o experimentalismo de Robert Fripp (em especial em suas colaborações com Bowie).
Fico com os discos e as lembranças dos vários shows que vi do Killing Joke, em especial o primeiro, em 29 de outubro de 1994, no clube Academy, em Nova York, na turnê de lançamento do álbum “Pandemonium”. Foi um dos melhores shows que já vi. Vejam a banda em 1994:
Um ótimo dia a todas e todos.
7 comentários em "Adeus, Geordie, herói do pós-punk"
Deixe seu comentário
Faça login para publicar um comentário.
Barça…não fará nenhum post sobre o Shane Macgowan?
Há anos estou atrás do álbum “Brighter Than a Thousand Suns”, do KJ em cd… algum dia encontrarei
Tenho em vinil!
Sei que é a vida, Barça, mas estou vendo todos meus ídolos morrerem e isso é muito triste! E cada ídolo que morre, leva junto consigo um pedaçinho do século 20…
Barça, leia a bio do Johnny Marr, eu particularmente curti bastante. Você já leu a bio do Will Sergeant? Abração!
Já comprei, mas não li ainda. E ele já lançou o segundo volume!
Essa eu não sabia! Que eu me lembre também lançou um sobre guitarras…Obrigado Barça!