ago/2024

Crítica: “SORCS 80”, de Osees

Por André Barcinski

Crítica: “SORCS 80”, de Osees

Por André Barcinski

Esse texto já estava pronto e programado quando veio a notícia da morte da atriz Gena Rowlands. Semana que vem escreverei sobre ela e recomendarei alguns filmes estrelados por ela e dirigidos pelo então marido, John Cassavetes.

De John Dwyer só dá para esperar o inesperado. Há quase 30 anos, esse explorador sônico vem trilhando caminhos únicos e pessoais com sua banda, Osees, uma das favoritas aqui do blog (leia aqui um texto de 2023 sobre o disco “Intercepted Message”). E agora chega mais um LP do maluco – o 28º, sem contar EPs, singles, coletâneas, discos ao vivo e colaborações – “SORCS 80”.

Toda vez que sai um disco novo de John Dwyer eu digo a mesma coisa: é um dos meus favoritos da banda. Porque Dwyer é incapaz de fazer um trabalho que não seja ao menos ambicioso e aventureiro. E “SORCS 80” é exatamente isso: um disco em que ele, que é guitarrista, simplesmente abre mão de guitarras e fez um LP inteiro com samples, teclados, dois bateristas, percussão e dois saxofones.

Mas que ninguém ache que a ausência de guitarras deixou o som do Osees menos pesado: basta ouvir a faixa de abertura, o hardcore “Look at the Sky”, para perceber que isso é uma impossibilidade. Pelo contrário: os experimentalismos eletrônicos e com samples conseguiram deixar o Osees ainda mais maravilhosamente caótico e imprevisível. Para falar a verdade, eu demorei a perceber que o disco todo não tinha guitarra.

Há seis anos, a formação do Osees se estabilizou com Dwyer (vocais, guitarra), Tomas Dolas (teclados), Tim Hellman (baixo) e os bateristas Dan Rincon e Paul Quatronne. Todos estão no disco, com a adição de Cansafis Foote (sax barítono) e Brad Caulkins (sax tenor).

As influências de “SORCS 80” parecem vir principalmente de bandas do punk e pós-punk que inovaram com a mistura de rock e sons eletrônicos, como Pere Ubu e Suicide. Mas seguidas audições do disco (juro, não consigo parar de ouvir!) me convenceram de que John Dwyer está numa fase 100% Devo.

Ouçam “Earthling” e digam se não vem diretamente da escola Devo de synth-punk torto:

Enfim, “SORCS 80” é mais um desses discos do Osees que veio para ficar. E que bom ver tantas bandas e artistas recentes – Ty Segall, King Gizzard, The Brian Jonestown Massacre – livres das amarras do tradicional “um disco a cada dois anos, excursão, mais um disco, excursão…” e gravando tudo que lhes dá na telha.

Um ótimo dia a todas e todos.

12 comentários em "Crítica: “SORCS 80”, de Osees"

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