Há dois anos, recomendei aqui no blog o disco “Ali”, que reunia o guitarrista maliano Vieux Farka Touré e a banda texana Khruangin regravando canções do pai de Vieux, o grande Ali Farka Touré (1939-2006), um dos maiores nomes da música africana da segunda metade do século 20 (leia aqui). Agora, vou recomendar o novo – e quinto – disco do Khruangbin, “A La Sala”.
O Khruangbin é uma banda peculiar. Formada por Mark Speer (guitarra), Laura Lee (baixo) e Donald Johnson (bateria), são do Texas, gravam os discos num celeiro numa cidade de 300 habitantes e fazem um som quase sempre instrumental, que incorpora elementos de pop tailandês, da psicodelia turca, de violões mexicanos e dos blues desérticos de gente como Tinariwen, Terakaft e, claro, Ali Farka-Touré. O nome da banda é uma palavra em tailandês que quer dizer, simplesmente, “avião”.
Os discos do Khruangbin são viagens sonoras lentas e plangentes, com canções que remetem a paisagens bucólicas. Som para ouvir na praia, ou na estrada a caminho dela. Se você curte outra banda que sempre recomendo aqui no site, os Hermanos Gutierrez, então Khruangin é para você.
Veja o clipe de “Hold Me Up (Thank You”), faixa de “A La Sala”:
O nome do disco, “A La Sala” (“Para a Sala”), reflete o espírito com que o novo LP foi gravado. A “sala” a que o título se refere é o celeiro na cidadezinha de Burton, no Texas, que serve como QG da banda. O grupo, que havia trabalhado nos discos anteriores com o conhecido produtor Robert Christensen, famoso por discos de artistas ligados ao country (Steve Earle, Robert Ellis), decidiu que faria o disco todo sem a ajuda de ninguém.
O resultado são 12 faixas com uma sonoridade mais minimalista que os discos anteriores, e que parecem ter sido gravadas ao vivo. Aliás, ver o Khruangbin ao vivo deve ser demais. Nunca tive a chance, mas sempre vejo os vídeos, que são ótimos. Como este, gravado no Festival de Glastonbury, e com participação do cantor e compositor Leon Bridges.
Um ótimo dia a todas e todas!
12 comentários em "Khruangin: música para viajar"
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Grande dica André, não parei de ouvir o disco nos últimos dois dias. Fiquei impressionado com numero de reproduções no Spotify, no campo das dezenas de milhões. Legal ver que boa musica (majoritariamente) instrumental também pode ser super popular.
É impressionante sim, mas esse número pode ser enganoso, porque as músicas da banda costumeiramente entram em playlists do Spotify.
vao passar aqui em Viena em julho. vou garantir logo meu ingresso… valeu Medina, hahaha!
Showzão no Coachella ontem.
Foi bom?
Bom demais. Vi no canal de transmissão do YouTube. Ainda bem que não dormi cedo. rs
Vi eles ao vivo em 2019, na Opera de Arame em Curitiba. Foi muito bom, um dos melhores shows que já assisti.
E pensar que tocaram no popload de 2019 em Sampa…..conheci num vídeo do tinydesk e o álbum con todo el mundo que acho disparado o melhor deles…a história das perucas é top—-vendiam merchandising com as perucas para os clientes não os reconhecerem no palco mas depois incorporaram
Sim, as perucas são top. Perdi esse show em SP, foi legal?
Pior que não vi….meio da tarde
É sempre uma imensa satisfação abrir o seu e-mail e me deparar com sempre uma novidade musical ou cultural. Está foi mais uma dela, quando você falou o sobrenome Touré, me lembrei de uma seminal banda senegalês que eu tenho uns 2 vinis chamada Touré Kunda. Continue na luta Barça.
Esse nome “Touré” é uma verdadeira dinastia musical.