out/2023

Renda-se à estranheza do Goat

Por André Barcinski

Renda-se à estranheza do Goat

Por André Barcinski

Já escrevi bastante aqui no blog sobre a qualidade das bandas de rock e pop suecas e as razões para que o país concentre tantos nomes de qualidade (leia aqui). A impressão é de que, na Suécia, até as bandas ruins são boas. Mesmo se você não curtir a sonoridade de uma ou outra, pode ter a certeza de que a música é feita com esmero e terá uma produção de primeira, independentemente do estilo.

Uma das bandas suecas que mais ouço é, também, uma das mais enigmáticas: o hepteto Goat. Nos últimos 11 anos, eles lançaram cinco discos ecléticos e estranhos, cada um melhor que o outro. O mas recente, “Medicine”, saiu pela Sub Pop há alguns dias e está difícil ouvir qualquer outra coisa. Veja o lindo clipe de “Join the Resistance”:

É difícil definir com precisão o estilo sonoro do Goat, até porque cada disco tem músicas muito diferentes. Eles fazem um som psicodélico e viajante com elementos de afrobeat, folk, progressivo, krautrock e até stoner. Uma verdadeira salada lisérgica.

Pouco se sabe sobre a banda e, o que se sabe, foi claramente inventado por eles para confundir os fãs: segundo relatos, o grupo teria surgido em Korpilombolo, uma vila de 500 habitantes no nordeste da Suécia e local supostamente conhecido por práticas de vodu que começaram quando um feiticeiro morou por lá. Os integrantes tocam com máscaras e não divulgam suas identidades (segundo relatos – não comprovados – um ou dois estiveram no Brasil com o The Brian Jonestown Massacre).

A verdade é que a biografia do Goat não interessa tanto quanto a música incrível da banda. “Medicine” é um compêndio de sons estranhos e lindos, que por vezes lembram cantos ritualísticos e, por outras, música folclórica celta ou árabe. Ouça a beleza cósmica de “Raised by Hills” e comprove:

Já tive a sorte de ver o Goat ao vivo, e é uma experiência marcante. Achei no Youtube trechos de um show de 2022, em que é possível ter uma boa ideia da força da banda no palco.

Recomendo investigar toda a discografia do Goat, desde o LP de estreia, “World Music”, de 2012. É uma viagem sem volta.

9 comentários em "Renda-se à estranheza do Goat"

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