Já escrevi bastante aqui no blog sobre a qualidade das bandas de rock e pop suecas e as razões para que o país concentre tantos nomes de qualidade (leia aqui). A impressão é de que, na Suécia, até as bandas ruins são boas. Mesmo se você não curtir a sonoridade de uma ou outra, pode ter a certeza de que a música é feita com esmero e terá uma produção de primeira, independentemente do estilo.
Uma das bandas suecas que mais ouço é, também, uma das mais enigmáticas: o hepteto Goat. Nos últimos 11 anos, eles lançaram cinco discos ecléticos e estranhos, cada um melhor que o outro. O mas recente, “Medicine”, saiu pela Sub Pop há alguns dias e está difícil ouvir qualquer outra coisa. Veja o lindo clipe de “Join the Resistance”:
É difícil definir com precisão o estilo sonoro do Goat, até porque cada disco tem músicas muito diferentes. Eles fazem um som psicodélico e viajante com elementos de afrobeat, folk, progressivo, krautrock e até stoner. Uma verdadeira salada lisérgica.
Pouco se sabe sobre a banda e, o que se sabe, foi claramente inventado por eles para confundir os fãs: segundo relatos, o grupo teria surgido em Korpilombolo, uma vila de 500 habitantes no nordeste da Suécia e local supostamente conhecido por práticas de vodu que começaram quando um feiticeiro morou por lá. Os integrantes tocam com máscaras e não divulgam suas identidades (segundo relatos – não comprovados – um ou dois estiveram no Brasil com o The Brian Jonestown Massacre).
A verdade é que a biografia do Goat não interessa tanto quanto a música incrível da banda. “Medicine” é um compêndio de sons estranhos e lindos, que por vezes lembram cantos ritualísticos e, por outras, música folclórica celta ou árabe. Ouça a beleza cósmica de “Raised by Hills” e comprove:
Já tive a sorte de ver o Goat ao vivo, e é uma experiência marcante. Achei no Youtube trechos de um show de 2022, em que é possível ter uma boa ideia da força da banda no palco.
Recomendo investigar toda a discografia do Goat, desde o LP de estreia, “World Music”, de 2012. É uma viagem sem volta.
9 comentários em "Renda-se à estranheza do Goat"
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O estilo do Goat me lembra uma banda antiga anos 70. O Comus, album First Utterance.
Boa .
Mais uma excelente dica.
O disco REQUIEM, lançamento do GOAT de 2016, é um dos mais sensacionais que já ouvi em minha vida!
Esse som é bonito demais! Traz pra nós esse showzaço!
Bem que gostaria…
Fala Barça, que som bom de ouvir. Não conhecia, mas gostei bastante da dica.
Me lembrou essa banda sueca, que assisti alguns anos atrás em SP.
https://www.youtube.com/watch?v=LlKwjbfBIHI
Abraço
A primeira faixa, Impermanence and Death, é coisa linda! Obrigado pela dica.
Não conhecia, dei o play e tou curtindo muito. Obrigado pela dica. Do mesmo lugar, recomendo o Dungen, sobretudo o disco “Häxan”, de 2016. Abraços!
Não sei o que tem na água da Suécia… Ghost, Hives, Abba, Hellacopters, Thundermother, entre outras… só banda boa sai de lá! Vou ouvir o Goat com muita atenção!
Andrè qual a cidade mais linda tu visitou na última viagem à Itália?