set/2023

Disco novo do Slowdive é um deleite

Por André Barcinski

Disco novo do Slowdive é um deleite

Por André Barcinski

O Slowdive tem uma carreira das mais curiosas: formado na Inglaterra no fim dos anos 80 por dois amigos de infância, a cantora e tecladista Rachel Goswell e o cantor e guitarrista Neil Halstead – e batizado com o nome de uma música de Siouxsie and the Banshees – a banda foi um dos pilares da pequena, porém influente cena do shoegaze britânico que revelou nomes como My Bloody Valentine, Ride, Lush, Swervedriver e tantos outros.

“Shoegazing” quer dizer “olhando para os pés”, e o gênero ganhou da imprensa musical esse nome irônico devido à mania de tocar olhando para baixo, sem encarar a plateia. Musicalmente, as bandas traziam um som viajante e atmosférico, com camadas e camadas de guitarras sobrepostas e vocais etéreos. Era uma cena tão pequena que ficou conhecida como “a cena que celebra ela mesma”, pelo fato de as bandas todas serem amigas e prestigiarem os shows das outras (até algumas começarem a ficar grandes, claro).

O Slowdive lançou três discos entre 1991 e 1995, com “Souvlaki” (1993) o melhor deles.  Assim que saiu “Pygmalion” (1995), que foi pessimamente recebido pela crítica e não vendeu nada, a banda foi despedida pela gravadora Creation, e Goswell e Halstead formaram o grupo Mojave 3.

Quase 20 anos depois, em 2014, a cena musical havia mudado. O shoegaze, antes motivo de chacota em partes da imprensa musical, havia sido reavaliado, e discos como “Loveless”, do My Bloody Valentine, e o próprio “Souvlaki”, do Slowdive, ganharam status de clássicos do indie rock dos anos 90. Veja o lindo clipe de “Alison”, faixa mais famosa de “Souvlaki”

O Slowdive voltou naquele ano e fez uma grande excursão mundial. Em 2017, lançou um disco homônimo muito bem recebido e que trouxe canções de sucesso nas pistas indie, como “Sugar for the Pill”, e agora volta com outro melhor ainda: “Everything is Alive”, quinto álbum numa carreira de mais de 35 anos.

No disco, o Slowdive continua trazendo os oceanos de guitarras espaciais e os vocais sussurrados e cheios de reverb, mas incorporou também elementos mais eletrônicos e dançantes, O single, “Kisses”, parece uma grande música do New Order, o que não é pouca coisa. Veja a banda fazendo sua estreia – acredite – no festival de Glastonbury, tocando “Kisses”.

O Slowdive virá ao Primavera Sound e, ao que parece, fará um show fora do festival. Recomendo fortemente assistir. Já vi alguns shows do Slowdive – o último em 2017 – e são sempre muito bons.

Uma ótima semana a todas e todos.

12 comentários em "Disco novo do Slowdive é um deleite"

Deixe seu comentário

Ir para o topo