mar/2023

Não perca “Close”

Por André Barcinski

Não perca “Close”

Por André Barcinski

Estreou ontem nos cinemas brasileiros (e na plataforma MUBI em 21 de abril), um dos filmes mais bonitos dos últimos tempos: “Close”, dirigido pelo belga Lukas Dhont (de “Girl”).

O filme venceu o Grande Prêmio em Cannes e está indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, representando a Bélgica. Num ano particularmente forte para o cinema internacional, acho “Close” um dos três melhores títulos da disputa, junto ao irlandês “A Menina Silenciosa” e o polonês “Eo”.

Os personagens principais de “Close” são dois meninos de 13 anos que vivem no interior da Bélgica: Léo (Eden Dambrine) e Remi (Gustav De Waeele). Léo e Remi são inseparáveis: andam de bicicleta juntos, dormem na casa do outro, fazem tudo em dupla. A família de Léo trabalha com cultivo de flores, e os meninos passam longas tardes brincando nos campos coloridos.

A placidez da amizade dos dois começa a ruir quando o ano letivo inicia e eles vão para a mesma escola. Os colegas zombam da relação afetuosa dos dois, e Léo começa a se incomodar com as piadas e insinuações.

O tema “bullying na escola” já foi explorado incontáveis vezes no cinema, mas aqui é mostrado de forma muito sutil e sensível. Mais importante que expor as maldades ditas – quase sempre de forma inconsequente – por adolescentes, é mostrar como elas podem impactar a sensibilidade de alguns jovens. “Close” não é simplesmente um filme sobre bullying, mas um drama íntimo e dramático sobre dois meninos que são submetidos, pela primeira vez, ao “mundo real”, fora do casulo de tranquilidade e aceitação de suas casas.

O filme é lindamente fotografado, com predominâncias de lentes longas e closes nos rostos dos meninos. Mesmo em cenas filmadas em áreas extremamente bonitas, como os campos floridos da Bélgica, o fundo desfocado confere às imagens uma aura de mistério e sonho.

O diretor Lukas Dhont não apela ao sentimentalismo em nenhum momento. Até as cenas mais dramáticas são encenadas de forma elegante e minimalista. “Close” é o tipo de filme que seria completamente estragado num “remake” hollywoodiano, se é que vocês me entendem.

Enfim, “Close” é altamente recomendável. Para quem tem filhos adolescentes, então, é uma experiência marcante.

Um ótimo fim de semana a todas e todos!

8 comentários em "Não perca “Close”"

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