{"id":5853,"date":"2025-01-13T06:00:00","date_gmt":"2025-01-13T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=5853"},"modified":"2025-01-13T09:38:04","modified_gmt":"2025-01-13T12:38:04","slug":"como-bob-dylan-mudou-a-vida-de-kris-kristofferson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/como-bob-dylan-mudou-a-vida-de-kris-kristofferson\/","title":{"rendered":"Como Bob Dylan mudou a vida de Kris Kristofferson"},"content":{"rendered":"\n<p>Com a correria do fim de ano, acabei n\u00e3o dando o merecido destaque \u00e0 partida de um nome muito importante da m\u00fasica e cinema: Kris Kristofferson, que morreu em 28 de setembro, aos 88 anos, na resid\u00eancia dele no Hava\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de compensar essa falha indesculp\u00e1vel contando uma hist\u00f3ria sensacional ocorrida com Kristofferson em 1966 e que envolve Bob Dylan. Mas antes, algumas informa\u00e7\u00f5es sobre a vida incr\u00edvel de Kris Kristofferson&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O sujeito tinha m\u00faltiplos talentos: foi um dos compositores mais importantes do chamado \u201coutlaw country\u201d (\u201ccountry fora-da-lei\u201d) dos anos 70, formou o primeiro supergrupo do country, The Highwaymen, com outros caipiras rebeles como Johnny Cash, Waylon Jennings e Willie Nelson, teve m\u00fasicas gravadas por Cash, Willie, Jerry Lee Lewis e Janis Joplin, atuou em grandes sucessos do cinema como \u201cNasce Uma Estrela\u201d, com Barbra Streisand e, mais recentemente, em \u201cBlade\u201d, mas trabalhou tamb\u00e9m em filmes menores e alternativos de cineastas como Sam Peckinpah (\u201cComboio\u201d, \u201cPat Garrett e Billy the Kid\u201d), John Sayles (\u201cLone Star\u201d) e Dennis Hopper (\u201cThe Last Movie\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de tudo isso, era um intelectual de ponta e um atleta de primeira. Filho de um militar da For\u00e7a A\u00e9rea, Kristofferson nasceu em 1936 e aos 16 ou 17 anos j\u00e1 escrevia ensaios liter\u00e1rios para a prestigiosa revista \u201cThe Atlantic Monthly\u201d. Na universidade Pomona College, onde se formou com honras em Literatura, destacou-se tanto em competi\u00e7\u00f5es esportivas de atletismo, futebol americano e r\u00fagbi que foi citado na revista \u201cSports Illustrated\u201d como um dos grandes atletas universit\u00e1rios do pa\u00eds. Suas notas eram t\u00e3o boas que ganhou uma bolsa para estudar Literatura na prestigiosa Universidade Oxford, na Inglaterra, onde fez parte das equipes de boxe e r\u00fagbi. Tamb\u00e9m come\u00e7ou a escrever can\u00e7\u00f5es e gravou seu primeiro compacto, com o nome de Kris Carson.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"515\" src=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Kristofferson-esporte.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5855\" style=\"width:455px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Kristofferson-esporte.png 640w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Kristofferson-esporte-600x483.png 600w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Kristofferson-esporte-500x402.png 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas a vida acad\u00eamica n\u00e3o interessava tanto a Kris Kristofferson. O que ele queria era conhecer o mundo. Trabalhou numa firma de escava\u00e7\u00e3o no Oceano Pac\u00edfico, foi piloto de helic\u00f3ptero para uma petroleira, trabalhou de barman e construiu ferrovias. No in\u00edcio dos anos 1960, mudou-se para Nashville, capital da m\u00fasica country nos Estados Unidos, onde esperava ganhar a vida compondo m\u00fasicas para outros int\u00e9rpretes.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as coisas n\u00e3o sa\u00edram como Kristofferson esperava e, em meados da d\u00e9cada de 1960, ele estava numa situa\u00e7\u00e3o financeira desesperadora e cogitando largar a m\u00fasica. At\u00e9 que conseguiu um emprego de zelador no est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o da CBS em Nashville. E \u00e9 a\u00ed que os caminhos dele cruzam com os de Bob Dylan.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Kristofferson varria o ch\u00e3o e limpava os banheiros do est\u00fadio em Nashville, Dylan estava em Nova York com sua banda de apoio, The Hawks \u2013 que depois mudaria de nome para The Band \u2013 gravando seu s\u00e9timo disco de est\u00fadio, \u201cBlonde on Blonde\u201d. Mas as sess\u00f5es n\u00e3o iam bem, e Dylan terminou apenas uma can\u00e7\u00e3o que julgou digna de entrar no novo disco, \u201cOne of Us Must Know (Sooner or Later)\u201d. O produtor Bob Johnston, que morava em Nashville e sabia da qualidade dos m\u00fasicos de est\u00fadio da cidade, sugeriu a Dylan gravar em Nashville com instrumentistas que costumavam trabalhar com m\u00fasica country. Para surpresa de muita gente, Dylan topou.<\/p>\n\n\n\n<p>O bardo levou a Nashville apenas dois m\u00fasicos que haviam participado das sess\u00f5es em Nova York, o tecladista Al Kooper e o guitarrista Robbie Robertson. Bob Thompson completou a banda com um tima\u00e7o de m\u00fasicos de est\u00fadio locais, como o baterista Kenny Buttrey, o gaitista e guitarrista Charlie McCoy e o baixista Joe South. E o local escolhido para a grava\u00e7\u00e3o foi justamente o est\u00fadio da CBS em Nashville.<\/p>\n\n\n\n<p>Kris Kristofferson trabalhava de madrugada limpando o lugar e viu Dylan compondo: \u201cEle ficava ao piano, sozinho, de \u00f3culos escuros, escrevendo suas m\u00fasicas durante a noite inteira. Eu n\u00e3o tive coragem de chegar perto dele. Aquilo foi incr\u00edvel: eu fui o \u00fanico compositor de Nashville que estava presente nas sess\u00f5es de \u2018Blonde on Blonde\u2019. Que honra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Kristofferson n\u00e3o conheceu Dylan naquela grava\u00e7\u00e3o, mas depois ficaram bem pr\u00f3ximos \u2013 e atuaram juntos em \u201cPat Garret e Billy the Kid\u201d (1973), de Sam Peckinpah. Mas observar Dylan compondo cl\u00e1ssicos como \u201cSad Eyed Lady of the Lowlands\u201d mexeu com a cabe\u00e7a do jovem compositor, que percebeu que era poss\u00edvel fazer m\u00fasica popular com alto grau de sofistica\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1970, aos 34 anos de idade, Kris Kristofferson finalmente lan\u00e7aria seu primeiro disco, que levava seu nome no t\u00edtulo e trazia obras-primas como \u201cMe and Bobby McGee\u201d, \u201cSunday Mornin\u2019 Comin\u2019 Down\u201d, \u201cHelp Me Make It Throught the Night\u201d e \u201cFor the Good Times\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser um imenso f\u00e3 de Dylan, Kristofferson famosamente disse que desejava ter gravado em sua l\u00e1pide os tr\u00eas primeiros versos de &#8220;Bird on a Wire&#8221;, m\u00fasica de outro \u00eddolo, Leonard Cohen:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Like a bird on the wire \/ Like a drunk in a midnight choir \/I have tried in my way to be free<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Como um p\u00e1ssaro no fio \/ como um b\u00eabado num coral da meia-noite \/ eu tentei, \u00e0 minha maneira, ser livre.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00f3tima semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a correria do fim de ano, acabei n\u00e3o dando o merecido destaque \u00e0 partida de um nome muito importante da m\u00fasica e cinema: Kris Kristofferson, que morreu em 28 de setembro, aos 88 anos, na resid\u00eancia dele no Hava\u00ed. 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