{"id":5751,"date":"2024-11-06T06:00:00","date_gmt":"2024-11-06T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=5751"},"modified":"2024-11-04T13:01:34","modified_gmt":"2024-11-04T16:01:34","slug":"adeus-a-agnaldo-rayol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/adeus-a-agnaldo-rayol\/","title":{"rendered":"Adeus a Agnaldo Rayol"},"content":{"rendered":"\n<p>Agnaldo Rayol, que morreu em 4 de novembro, aos 86 anos, \u00e9 de um tempo em que artistas eram polivalentes e tinham m\u00faltiplos talentos. Ele n\u00e3o era apenas cantor, mas foi um celebrado ator e apresentador, cuja carreira longeva e de imenso sucesso comercial se confunde com as hist\u00f3rias do r\u00e1dio e da TV no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Rayol estreou no r\u00e1dio na d\u00e9cada de 1940 (algumas biografias dizem 1943, aos cinco anos de idade, outras cravam 1946, aos oito anos), quando participou do programa \u201cPapel Carbono\u201d, apresentado por Renato Murce na R\u00e1dio Nacional do Rio, interpretando a can\u00e7\u00e3o italiana \u201cMatinatta\u201d, de Ruggero Leoncavallo, famosa pela grava\u00e7\u00e3o de Enrico Caruso, feita em 1904.<\/p>\n\n\n\n<p>Menino-prod\u00edgio do r\u00e1dio, Rayol estreia no cinema em 1949, aos 11 anos de idade, no filme \u201cTamb\u00e9m Somos Irm\u00e3os\u201d, dirigido por Jos\u00e9 Carlos Burle, ao lado de um elenco de artistas fora de s\u00e9rie como Grande Otelo, Jorge D\u00f3ria, Ruth de Souza e Vera Nunes. Segundo o historiador Ant\u00f4nio Le\u00e3o da Silva Neto, foi o primeiro filme brasileiro a abordar o problema do preconceito racial. Rayol interpretava um menino pobre que foi adotado e tinha irm\u00e3os negros. Ele cantou acompanhado por orquestra e agradou tanto que foi chamado pelo diretor Burle para seu filme seguinte, \u201cMaior Que o \u00d3dio\u201d (1951), produzido pela Atl\u00e2ntida. Agnaldo Rayol faria mais de uma dezena de filmes at\u00e9 1976, quando trabalhou na produ\u00e7\u00e3o er\u00f3tica \u201cPossu\u00eddas pelo Pecado\u201d, de Jean Garrett.<\/p>\n\n\n\n<p>Rayol tinha 20 anos e j\u00e1 era um veterano do cinema e do r\u00e1dio quando gravou, em 1958, seu primeiro LP, que leva o nome do cantor e trazia interpreta\u00e7\u00f5es para can\u00e7\u00f5es de Vinicius de Moraes (\u201cSerenata do Adeus\u201d), Tom Jobim e Vinicius (\u201cEu N\u00e3o Existo Sem Voc\u00ea\u201d) e Silvio Caldas e Orestes Barbosa (\u201cCh\u00e3o de Estrelas\u201d). Apesar de cantar repert\u00f3rio de astros da bossa nova, Agnaldo Rayol tinha um estilo vocal muito diferente do pessoal de Ipanema: com sua potente voz de bar\u00edtono, foi um leg\u00edtimo representante do <em>bel canto<\/em>, a tradi\u00e7\u00e3o oper\u00edstica italiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, Agnaldo Rayol atingiu o auge de popularidade. Suas can\u00e7\u00f5es sentimentais, sempre interpretadas com t\u00e9cnica impec\u00e1vel e pot\u00eancia \u2013 n\u00e3o era chamado \u201cO Rei da Voz\u201d \u00e0 toa &#8211; atingiam em cheio os cora\u00e7\u00f5es dos ouvintes de r\u00e1dio e das f\u00e3s que acompanhavam Rayol pela TV em programas como \u201cCorte Rayol Show\u201d, da Rede Record, ao lado do comediante Renato Corte Real. Com a sa\u00edda de Corte Real, dois anos depois, o programa passou a se chamar simplesmente \u201cAgnaldo Rayol Show\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1965, Rayol foi uma das atra\u00e7\u00f5es da edi\u00e7\u00e3o de estreia do programa \u201cJovem Guarda\u201d, mas, diferentemente de Robert Carlos, Wanderl\u00e9a e Erasmo Carlos, n\u00e3o se bandeou para o lado do ie-ie-i\u00ea dos Beatles ou do pop italiano, dois baluartes do som da Jovem Guarda. Agnaldo Rayol nunca abandonou os boleros e as baladas rom\u00e2nticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um artista t\u00e3o famoso que, em 1968, a gravadora Copacabana o escalou para gravar 12 m\u00fasicas escolhidas pelo ent\u00e3o presidente militar Costa e Silva no LP \u201cAs Minhas Preferidas \u2013 Costa e Silva \u2013 Na Voz de Agnaldo Rayol\u201d. Na capa aparecem Costa e Silva, a esposa, Iolanda, e a neta, Carla, e o repert\u00f3rio trazia cl\u00e1ssicos de Chico Buarque, Noel Rosa, Ary Barroso e Herivelto Martins, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1980, com a explos\u00e3o das r\u00e1dios FM e a busca cada vez mais forte pelo p\u00fablico \u201cjovem\u201d, int\u00e9rpretes mais ligados ao bolero e \u00e0 m\u00fasica rom\u00e2ntica, como Moacyr Franco, Agnaldo Tim\u00f3teo, Angela Maria e Nelson Ned penaram para conseguir manter-se nas programa\u00e7\u00f5es das r\u00e1dios. Agnaldo Rayol espertamente concentrou seus esfor\u00e7os na televis\u00e3o, comandando por cerca de oito anos o programa \u201cFesta Baile\u201d, na TV Cultura, que apelava ao p\u00fablico de terceira idade e tinha um ar nost\u00e1lgico, com <em>crooners<\/em> do passado cantando com a orquestra do maestro Sylvio Mazzuca. O programa parecia um t\u00fanel do tempo, levando o telespectador de volta a uma \u00e9poca em que cantores e cantoras n\u00e3o se intimidavam com um d\u00f3 de peito.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo dia a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agnaldo Rayol, que morreu em 4 de novembro, aos 86 anos, \u00e9 de um tempo em que artistas eram polivalentes e tinham m\u00faltiplos talentos. 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