{"id":5746,"date":"2024-11-04T06:00:00","date_gmt":"2024-11-04T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=5746"},"modified":"2024-11-04T08:48:42","modified_gmt":"2024-11-04T11:48:42","slug":"critica-sonny-boy-de-al-pacino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/critica-sonny-boy-de-al-pacino\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cSonny Boy\u201d, de Al Pacino"},"content":{"rendered":"\n<p>Autobiografia \u00e9 uma coisa complicada. Nem todo grande artista ou personalidade \u00e9 um bom editor da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Muitas vezes, o que pode parecer interessante para o biografado perde for\u00e7a quando impresso na p\u00e1gina.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas autobiografias funcionam, especialmente quando o personagem recebe ajuda valiosa de algum(a) autor(a). Gostei bastante dos livros de Bruce Springsteen, Werner Herzog, Nile Rodgers e Ozzy Osbourne. J\u00e1 os volumes sobre Rita Lee e Andr\u00e9 Midani frustraram minhas altas expectativas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSonny Boy\u201d, autobiografia de Al Pacino, ficou no meio desses dois grupos. O livro acaba de sair em portugu\u00eas. \u00c9 uma leitura agrad\u00e1vel e com boas hist\u00f3rias, mas fica aqu\u00e9m do que se espera da trajet\u00f3ria de um dos maiores atores da hist\u00f3ria do cinema. Estamos falando, afinal, de um sujeito que fez pelo menos sete grandes obras do cinema &#8211; \u201cO Poderoso Chef\u00e3o\u201d, \u201cSerpico\u201d, \u201cO Poderoso Chef\u00e3o 2\u201d, \u201cUm Dia de C\u00e3o\u201d, \u201cScarface\u201d, \u201cCarlito\u2019s Way\u201d e \u201cFogo Contra Fogo\u201d \u2013 al\u00e9m de outros filma\u00e7os como \u201cO Informante\u201d, \u201cEspantalho\u201d, \u201cOs Viciados\u201d e \u201cO Sucesso a Qualquer Pre\u00e7o\u201d. Isso sem contar a incr\u00edvel carreira de Pacino no teatro e televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o espere grandes revela\u00e7\u00f5es ou incr\u00edveis hist\u00f3rias de bastidores sobre Hollywood e os filmes que ele fez. Pacino \u00e9 capaz de passar batido por \u201cCarlito\u2019s Way\u201d (a \u00fanica informa\u00e7\u00e3o sobre o filme \u00e9 a de que ele saiu diretamente da cerim\u00f4nia do Oscar, quando ganhou por \u201cPerfume de Mulher\u201d, para filmar com Brian De Palma). N\u00e3o h\u00e1 UMA LINHA sobre o trabalho com Sean Penn e Penelope Ann Miller.<\/p>\n\n\n\n<p>Filmes cl\u00e1ssicos e que renderiam livros inteiros, como \u201cScarface\u201d, merecem pouco espa\u00e7o e nenhuma informa\u00e7\u00e3o que qualquer pessoa bem informada j\u00e1 n\u00e3o tivesse (para n\u00e3o ser injusto, Pacino conta como queimou a m\u00e3o na metralhadora de Tony Montana, o que deu a De Palma mais tempo pra filmar, sem Tony, o tiroteio final).<\/p>\n\n\n\n<p>A melhor parte do livro \u00e9 o in\u00edcio, quando o ator relata sua inf\u00e2ncia e a vida dif\u00edcil no sul do Bronx, em Nova York, com o pai ausente e a m\u00e3e com s\u00e9rios problemas de depress\u00e3o. O menino faz amizade com gangues barra pesada \u2013 a maioria dos amigos morre de droga ou tiro \u2013 e encontra no teatro e cinema v\u00e1lvulas de escape para as frustra\u00e7\u00f5es. \u00c9 bonito o trecho em que ele recorda o momento EXATO, no meio de uma pe\u00e7a, em que as palavras do texto sa\u00edram de sua boca e ele descobriu, como por encanto, que podia se metamorfosear no personagem que escolhesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Pacino era um beatnik, uma alma livre que n\u00e3o se importava com nada a n\u00e3o ser o teatro. Dormia no sof\u00e1 de amigos e chegou a trabalhar de zelador num pr\u00e9dio em Nova York, morando num cub\u00edculo, s\u00f3 para custear aulas de interpreta\u00e7\u00e3o. Era office boy quando conheceu outro fan\u00e1tico pelo drama, um tal de John Cazale, com quem dividiu v\u00e1rios palcos em produ\u00e7\u00f5es furrecas at\u00e9 explodirem, os dois, em \u201cO Poderoso Chef\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das poucas hist\u00f3rias realmente interessantes de filmagens v\u00eam desse trabalho. Pacino conta como ia ser despedido do elenco pelo est\u00fadio Paramount, que n\u00e3o estava impressionado com as cenas que havia visto de Michael Corleone, e foi salvo por Coppola, que mudou a ordem das filmagens de certas cenas s\u00f3 para poder mostrar ao est\u00fadio a antol\u00f3gica cena no restaurante em que Michael mata o mafioso Solozzo (Al Lettieri) e o corrupto chefe de pol\u00edcia McCluskey (o extraordin\u00e1rio Steling Hayden). Pacino conta, emocionado, como recebeu ajuda de Lettieri e Hayden e lembra que estava t\u00e3o nervoso na filmagem que, ao saltar no carro em movimento depois do crime, errou o c\u00e1lculo e se estabacou no asfalto, machucando feio o quadril.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui e ali, d\u00e1 para pescar informa\u00e7\u00f5es muito interessantes no livro \u2013 a admira\u00e7\u00e3o que Pacino e De Niro tinham por Dustin Hoffman, que havia estourado antes dos dois com \u201cA Primeira Noite de um Homem\u201d (1967) e \u201cPerdidos na Noite\u201d (1969) e o impacto que a chegada desses tr\u00eas atores causou no ent\u00e3o emergente cinema da Nova Hollywood. Havia algo de novo acontecendo, e isso assustou o pessoal da velha gera\u00e7\u00e3o, conta De Niro.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas informa\u00e7\u00f5es foram novidade para mim: Sidney Lumet iria dirigir \u201cScarface\u201d, mas foi despedido pelo produtor Martin Bregman, que preferiu a vers\u00e3o mais kitsch e exagerada de Brian De Palma; De Niro queria Pacino para atuar com ele em \u201c1900\u201d, de Bernardo Bertolucci, mas Pacino odiou o roteiro e recusou por \u201cn\u00e3o conseguir entender meu personagem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, \u201cSonny Boy\u201d n\u00e3o \u00e9 o livro biogr\u00e1fico que Al Pacino merece, mas vale a leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo dia a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autobiografia \u00e9 uma coisa complicada. Nem todo grande artista ou personalidade \u00e9 um bom editor da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Muitas vezes, o que pode parecer interessante para o biografado perde for\u00e7a quando impresso na p\u00e1gina. Algumas autobiografias funcionam, especialmente quando o personagem recebe ajuda valiosa de algum(a) autor(a). Gostei bastante dos livros de Bruce Springsteen, Werner [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5747,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1348,1343,2],"tags":[361,1561,1562],"class_list":["post-5746","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","category-filme","category-livros","tag-al-pacino","tag-autobiografia-de-al-pacino","tag-sonny-boy"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5746"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5746\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}