{"id":5742,"date":"2024-11-01T09:54:06","date_gmt":"2024-11-01T12:54:06","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=5742"},"modified":"2024-11-01T09:54:07","modified_gmt":"2024-11-01T12:54:07","slug":"critica-songs-of-a-lost-world-de-the-cure","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/critica-songs-of-a-lost-world-de-the-cure\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cSongs of a Lost World\u201d, de The Cure"},"content":{"rendered":"\n<p>Ningu\u00e9m descreveu a solid\u00e3o adolescente como Robert Smith. Por quase meio s\u00e9culo, desde a funda\u00e7\u00e3o do The Cure, em 1976, ele vem criando um universo s\u00f4nico e est\u00e9tico muito pessoal, que apela a cora\u00e7\u00f5es solit\u00e1rios em todo o planeta. Enquanto o punk ingl\u00eas cantava sobre as agruras do capitalismo e as injusti\u00e7as sociais, Smith olhava para dentro e n\u00e3o para fora, escrevendo para aqueles que preferiam ficar trancados em seus quartos em dias chuvosos. Pode-se dizer que ele n\u00e3o \u00e9 apenas um dos maiores nomes do som g\u00f3tico. Ele <em>\u00e9<\/em> o g\u00f3tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Acontece que Robert Smith hoje tem 65 anos e n\u00e3o canta mais s\u00f3 para jovens. O p\u00fablico do The Cure cresceu com ele, tanto em idade quanto em n\u00fameros absolutos. Na virada dos anos 1980 para os 1990, algo inesperado aconteceu: o n\u00famero de meninos e meninas trancados em quartos em dias chuvosos multiplicou-se, e o The Cure virou uma banda de est\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto mais tristes as can\u00e7\u00f5es, mais os discos vendiam, e o \u00e1lbum \u201cDisintegration\u201d (1989) \u00e9 uma marca disso, um trabalho altamente influenciado por drogas psicod\u00e9licas e pela depress\u00e3o que Smith sentia por estar perto de completar 30 anos de idade: \u201cEu achava que aquela era a \u00faltima chance de eu criar uma obra realmente significativa\u201d. At\u00e9 hoje, \u00e9 o disco mais vendido da banda. O \u00e1lbum seguinte, \u201cWish\u201d (1992), bem mais alegre e que trouxe o hit de r\u00e1dio \u201cFriday I\u2019m in Love\u201d, tamb\u00e9m vendeu muito.<\/p>\n\n\n\n<p>Trinta e cinco anos depois de \u201cDisintegration\u201d chega \u201cSongs of a Lost World\u201d, 14\u00ba \u00e1lbum de est\u00fadio do The Cure e o primeiro desde \u201c4:13 Dream\u201d, lan\u00e7ado em 2008. \u00c9 um disco marcante para Robert Smith, o primeiro totalmente composto por ele desde \u201cThe Head on the Door\u201d, de 1985, e apenas o segundo na hist\u00f3ria da banda em que Smith n\u00e3o teve parceiros musicais. O novo LP marca a primeira grava\u00e7\u00e3o com o guitarrista Reeves Gabrels (Tin Machine, David Bowie) desde que entrou na banda em 2012 e a volta do tecladista Roger O\u2019Donnel, que toca com Robert Smith desde 1987 e retornou em 2011 depois de seis anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/The-Cure-album-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5744\" style=\"width:672px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/The-Cure-album-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/The-Cure-album-600x400.jpg 600w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/The-Cure-album-768x512.jpg 768w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/The-Cure-album-500x333.jpg 500w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/The-Cure-album.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n\n\n<p>\u00c0s primeiras audi\u00e7\u00f5es, \u201cSongs of a Lost World\u201d remete imediatamente aos lamentos densos, lentos e l\u00fagubres de \u201cDisintegration\u201d. O nome diz tudo: \u201cCan\u00e7\u00f5es de um Mundo Perdido\u201d. As m\u00fasicas t\u00eam t\u00edtulos como \u201cSozinho\u201d, \u201cNada \u00e9 Para Sempre\u201d, \u201cUma Coisa Fr\u00e1gil\u201d e \u201cCan\u00e7\u00e3o do Fim\u201d. A capa, fotografada num preto e branco contrastado, mostra uma escultura chamada \u201cBagatelle\u201d, feita em 1975 pelo artista esloveno Janez Pirnat (1932-2021), cujos trabalhos aparentam estar inacabados (segundo a imprensa eslovena, Robert Smith admira tanto a obra do artista que financiou a realiza\u00e7\u00e3o de eventos que o homenageiam, realizados em Liubliana, capital da Eslov\u00eania).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSongs of a Lost World\u201d tem oito faixas que totalizam quase 50 minutos de m\u00fasica (a faixa que encerra o disco, \u201cEndsong\u201d, tem mais de 10 minutos). \u00c9 um trabalho deliciosamente g\u00f3tico, sem nada do pop feliz de faixas marcantes do grupo como \u201cFriday I\u2019m in Love\u201d, \u201cLovecats\u201d, \u201cThe Walk\u201d, \u201cJust Like Heaven\u201d ou \u201cClose to Me\u201d.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N-PGc2CAJiA?si=4Uc-_mINj09D45LA\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>A faixa que abre o disco, \u201cAlone\u201d, meio que define a sonoridade e temas do trabalho: depois de uma introdu\u00e7\u00e3o lenta e atmosf\u00e9rica de mais de tr\u00eas minutos (aten\u00e7\u00e3o, r\u00e1dios, The Cure n\u00e3o se importa mais em fazer hits de FM!), Robert Smith canta: \u201cEsse \u00e9 o fim de todas as can\u00e7\u00f5es que cantamos \/ o fogo virou cinza \/ e as estrelas perdem seu brilho com l\u00e1grimas \/ com frio e medo\u201d. Em quartos escuros por todo o mundo, choram os adolescentes \u2013 e sessent\u00f5es! &#8211; de r\u00edmel e franjas sobre os olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cA Fragile Thing\u201d, Smith canta: \u201cToda vez que voc\u00ea me beija, eu choro \/ N\u00e3o me diga como voc\u00ea sente minha falta \/ Eu poderia morrer hoje de um cora\u00e7\u00e3o partido \/ essa solid\u00e3o me transformou \/ e nos separamos\u201d. Uma das faixas mais \u201canimadas\u201d do disco \u00e9 \u201cDrone:Nodrone\u201d, um pouco mais r\u00e1pida e com um longo e \u00e9pico solo de guitarra de Reeves Gabrels. Mas na faixa seguinte, a linda \u201cI Can Never Say Goodbye\u201d, o disco retoma uma cad\u00eancia lenta, com a voz de Smith parecendo que vai se despeda\u00e7ar num lamento: \u201cO trov\u00e3o emudece \/ a lua de novembro com chuva negra e fria \/ enquanto rel\u00e2mpagos cortam o c\u00e9u \/ eu sussurro o nome dele\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O disco acaba com uma das letras mais tristes j\u00e1 escritas por Smith: \u201cEstou no escuro \/ olhando para a lua cor de sangue \/ lembrando as esperan\u00e7as e sonhos que eu tinha \/ e me perguntando o que aconteceu com aquele menino \/ e ao mundo que ele chamava de seu \/ estou do lado de fora no escuro pensando em como me tornei t\u00e3o velho\u201d. Lembrando que Smith achava que sua carreira iria acabar ao completar 30 anos, faz sentido ele questionar a pr\u00f3pria exist\u00eancia e relev\u00e2ncia. Mas Robert Smith n\u00e3o tem com o que se preocupar: \u201cSongs of the Lost World\u201d prova que ele e o The Cure n\u00e3o s\u00e3o apenas relevantes, mas uma das maiores bandas de rock dos \u00faltimos 45 anos. \u00c9 um grande disco que ficar\u00e1 marcado na trajet\u00f3ria da banda.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m descreveu a solid\u00e3o adolescente como Robert Smith. Por quase meio s\u00e9culo, desde a funda\u00e7\u00e3o do The Cure, em 1976, ele vem criando um universo s\u00f4nico e est\u00e9tico muito pessoal, que apela a cora\u00e7\u00f5es solit\u00e1rios em todo o planeta. Enquanto o punk ingl\u00eas cantava sobre as agruras do capitalismo e as injusti\u00e7as sociais, Smith olhava [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5743,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1357,1342],"tags":[1559,1560,1558],"class_list":["post-5742","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-exclusivo","category-musica","tag-robert-smith","tag-songs-of-a-lost-world","tag-the-cure"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5742\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}