{"id":5728,"date":"2024-10-28T06:00:00","date_gmt":"2024-10-28T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=5728"},"modified":"2024-10-25T14:14:26","modified_gmt":"2024-10-25T17:14:26","slug":"como-jarvis-cocker-inventou-o-pulp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/como-jarvis-cocker-inventou-o-pulp\/","title":{"rendered":"Como Jarvis Cocker inventou o Pulp"},"content":{"rendered":"\n<p>O Pulp sempre foi uma anomalia dentro do britpop, a gera\u00e7\u00e3o de bandas surgidas no Reino Unido no in\u00edcio dos anos 90 e que revelou Oasis, Blur, Suede e muitas outras. Para come\u00e7ar, o Pulp foi formado ainda na \u00e9poca do punk, mais precisamente em 1978, em Sheffield. Enquanto o britpop celebrava a Inglaterra jovem, mas com sons que bebiam em g\u00eaneros antigos \u2013 Oasis copiando Beatles e Kinks, Blur reencarnando as bandas de acid house de Manchester como o Stone Roses, Suede fazendo sua vers\u00e3o do glam rock \u00e0 T-Rex \u2013 o Pulp parecia uma banda de tempos passados. O vocalista n\u00e3o era um bonit\u00e3o energ\u00e9tico tipo Damon Albarn (Blur) ou Brett Anderson (Suede), mas um nerd desengon\u00e7ado e de \u00f3culos chamado Jarvis Cocker, que mais lembrava Elvis Costello. A m\u00fasica trazia elementos das batidas sint\u00e9ticas da discoteca e new wave e se encaixava muito mais no estilo do p\u00f3s-punk ingl\u00eas de Echo and the Bunnymen do que na sonoridade festiva do britpop.<\/p>\n\n\n\n<p>Lendo \u201cGood Pop, Bad Pop \u2013 Um Invent\u00e1rio\u201d, autobiografia de Jarvis Cocker, d\u00e1 para entender de onde o Pulp surgiu e o que moldou a est\u00e9tica e sonoridade da banda. O livro acaba de sair no Brasil em edi\u00e7\u00e3o caprichada pela Editora Terreno Estranho, que vem se destacando por lan\u00e7amentos de livros musicais de Nick Cave, Fabio Massari e Mark Lanegan. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 excelente e foi feita pelo autor e m\u00fasico Daniel de Mesquita Benevides. Acesse o site da editora <a href=\"https:\/\/www.terrenoestranho.com.br\/pagina-de-produto\/good-pop-bad-pop-um-invent%C3%A1rio-jarvis-cocker\">aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Jarvis Cocker nasceu em 1963 e \u00e9 quatro a sete anos mais velho que a turma de Blur, Oasis e Suede. Hoje essa diferen\u00e7a n\u00e3o importa muito, mas, no fim dos anos 1970, enquanto os britpoppers eram adolescentes, Cocker j\u00e1 estava indo a shows e vendo bandas do punk e p\u00f3s-punk, moldando seu visual nos \u00f3culos de aros grossos de Elvis Costello e na cabeleira desgrenhada de Ian McCulloch, cantor do Echo and the Bunnymen. As noites em discotecas e sal\u00f5es de baile em Sheffield impregnaram o rapaz com um amor eterno pelas batidas dan\u00e7antes de Giorgio Moroder e Donna Summer e pela eletr\u00f4nica do Cabaret Voltaire, seus conterr\u00e2neos de Sheffield.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGood Pop, Bad Pop\u201d tem uma estrutura interessante. O livro relata a experi\u00eancia de Jarvis Cocker visitando um velho s\u00f3t\u00e3o da fam\u00edlia em Sheffield, olhando pilhas e pilhas de velhos objetos pessoais e decidindo se os descarta ou n\u00e3o. S\u00e3o incont\u00e1veis brinquedos, roupas, cadernos, di\u00e1rios, gomas de mascar e sabonetes ainda na embalagem, que servem para Cocker lembrar passagens de sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"600\" src=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jarvisdestaque.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5730\" style=\"width:687px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jarvisdestaque.jpg 1000w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jarvisdestaque-600x360.jpg 600w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jarvisdestaque-768x461.jpg 768w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jarvisdestaque-500x300.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O que fica claro, desde o in\u00edcio da leitura, \u00e9 que Jarvis Cocker \u00e9 um sujeito met\u00f3dico. Desde os 13 anos de idade, sabia exatamente que banda queria ter. Escolheu o nome \u2013 Pulp \u2013 a sonoridade e &nbsp;o visual dos integrantes, como fica provado por anota\u00e7\u00f5es feitas num velho caderno de escola. Cada item encontrado no verdadeiro \u201cbrech\u00f3\u201d da fam\u00edlia Cocker desperta lembran\u00e7as: um brinquedo de astronautas inspira Jarvis a escrever um lindo cap\u00edtulo sobre a obsess\u00e3o com a explora\u00e7\u00e3o espacial (tinha seis anos quando o homem chegou \u00e0 Lua) e o choque de assistir a \u201c2001\u201d, de Stanley Kubrick.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio das pilhas de velharias, ele encontra um su\u00e9ter quadriculado, que pediu \u00e0 m\u00e3e de presente porque parecia um usado por Mark E. Smith, cantor do The Fall, a quem Jarvis idolatrava. Ele conta como convenceu a irm\u00e3, Saskia, a acompanh\u00e1-lo a um show do Fall. \u201cEla detestou\u201d, escreve o autor. \u201cPara ela, \u2018aquilo nem era m\u00fasica\u2019. Embora eu tenha discordado veementemente, conseguir ver l\u00f3gica no que ela dizia. O Fall levou a s\u00e9rio o desafio do punk de inventar algo realmente novo. No caso, isso significava questionar a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o do que era m\u00fasica. Tinha de estar no andamento? Os instrumentos precisavam estar afinados? O \u2018vocalista\u2019 tinha de saber cantar?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro \u00eddolo de Jarvis era John Peel (1939-2004), o radialista que, desde o fim dos anos 1960, moldou o gosto musical dos brit\u00e2nicos com seus programas na BBC Radio One. No livro, Jarvis mostra o ingresso para um show de discotecagem de Peel num teatro em Sheffield, realizado em setembro de 1981, um evento que mudaria para sempre a vida do Pulp. Naquela noite, Jarvis, ent\u00e3o prestes a completar 18 anos, deu a Peel uma fita demo da banda. Peel gostou do que ouviu e convidou o Pulp para tocar ao vivo na BBC Radio One, a primeira exposi\u00e7\u00e3o nacional da banda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGood Pop, Bad Pop\u201d n\u00e3o \u00e9 uma t\u00edpica autobiografia de rockstar, narrada em ordem cronol\u00f3gica e repleta de hist\u00f3rias picantes, at\u00e9 porque Jarvis Cocker n\u00e3o \u00e9 um t\u00edpico rockstar. N\u00e3o espere revela\u00e7\u00f5es bomb\u00e1sticas sobre sexo, drogas e rock\u2019n\u2019roll, porque esse n\u00e3o \u00e9 o estilo dele. Em vez disso, temos reflex\u00f5es interessantes sobre as pessoas que Cocker encontrou pelo caminho \u2013 Leonard Cohen, Marina Abramovic, o produtor musical Steve Albini \u2013 escritas numa linguagem sempre instigante. E temos a vida de um menino que, desde adolescente, teve uma vis\u00e3o sobre a banda que queria ter \u2013 e realizou esse sonho nos m\u00ednimos detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00f3tima semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pulp sempre foi uma anomalia dentro do britpop, a gera\u00e7\u00e3o de bandas surgidas no Reino Unido no in\u00edcio dos anos 90 e que revelou Oasis, Blur, Suede e muitas outras. Para come\u00e7ar, o Pulp foi formado ainda na \u00e9poca do punk, mais precisamente em 1978, em Sheffield. Enquanto o britpop celebrava a Inglaterra jovem, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5732,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1357,2,1342],"tags":[1551,1549,1550],"class_list":["post-5728","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-exclusivo","category-livros","category-musica","tag-good-pop-bad-pop","tag-jarvis-cocker","tag-pulp"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5728"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5728\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5732"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}