{"id":5704,"date":"2024-10-16T06:00:00","date_gmt":"2024-10-16T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=5704"},"modified":"2024-10-14T11:04:48","modified_gmt":"2024-10-14T14:04:48","slug":"critica-as-ultimas-mulheres-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/critica-as-ultimas-mulheres-do-mar\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cAs \u00daltimas Mulheres do Mar\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>A Apple TV exibe \u201cAs \u00daltimas Mulheres do Mar\u201d, document\u00e1rio sobre um grupo de mulheres, a maioria de terceira idade, que mant\u00e9m viva a tradi\u00e7\u00e3o das haenyeo, mergulhadoras sul-coreanas de Jeju, uma prov\u00edncia formada por cerca de 60 ilhas ao sul do pa\u00eds, pr\u00f3ximas ao Jap\u00e3o. As haenyeo vivem, h\u00e1 d\u00e9cadas, de recolher moluscos, crust\u00e1ceos e algas marinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser uma haenyeo. Elas mergulham sem tanque e precisam prender a respira\u00e7\u00e3o por cerca de dois minutos para descer aos corais e coletar os frutos do mar. Num dia de trabalho, costumam fazer 500 a 600 mergulhos. \u201cQuando voc\u00ea desce a mais de cinco metros de profundidade, acima de voc\u00ea a press\u00e3o da \u00e1gua cria uma parede azul\u201d, conta uma delas. \u201cImagine ter de subir e bater a cabe\u00e7a contra essa parede 600 vezes num dia?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A profiss\u00e3o est\u00e1 acabando. As novas gera\u00e7\u00f5es, contam as mergulhadoras, n\u00e3o querem saber de um trabalho t\u00e3o duro. \u201cA gente mergulhava para dar de comer \u00e0s nossas fam\u00edlias\u201d, diz uma delas. \u201cA gera\u00e7\u00e3o mais jovem n\u00e3o tem a mesma garra que n\u00f3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D8PM0Vhd3sw?si=hJefBnswt5dnCI-k\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>O in\u00edcio do filme \u00e9 muito promissor. Somos apresentados a algumas das haenyeo e vemos seu cotidiano: com o dia amanhecendo, as senhorinhas se espremem na ca\u00e7amba de uma caminhonete e s\u00e3o levadas ao cais, de onde saem em pequenos barcos. No trajeto, riem, p\u00f5em o papo em dia e cantam antigas can\u00e7\u00f5es de pescadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando chegam ao local da pesca, elas ajeitam as m\u00e1scaras e nadadeiras e mergulham, carregando uma cesta presa a uma b\u00f3ia. Ao fim do dia, as cestas est\u00e3o lotadas de algas, conchas e ouri\u00e7os. &nbsp;Mas isso \u00e9 s\u00f3 metade do trabalho: de volta \u00e0 sede das haenyeo, elas precisam limpar os moluscos e ouri\u00e7os, deixando tudo pronto para a venda \u00e0s peixarias e mercados.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto registro do dia a dia das haenyeo, \u201cAs \u00daltimas Mulheres do Mar\u201d funciona muito bem. O problema \u00e9 que o filme parece n\u00e3o saber o que fazer com um tema t\u00e3o instigante e tomou uma dire\u00e7\u00e3o cada vez mais comum em document\u00e1rios contempor\u00e2neos, que \u00e9 a de transformar tudo em \u201creality show\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda metade, o filme muda completamente de tom. As senhorinhas s\u00e3o confrontadas com um \u201cproblema\u201d &#8211; o an\u00fancio do despejo, no oceano, de \u00e1gua radioativa da usina japonesa de Fukushima &#8211; e a hist\u00f3ria passa a ser a das haenyeo protestando contra essa decis\u00e3o. Vemos o grupo de mergulhadoras indo a passeatas, dando entrevistas e um depoimento emocionado numa reuni\u00e3o da ONU.<\/p>\n\n\n\n<p>OK, tudo \u00e9 v\u00e1lido, mas isso transforma o que era um filme numa reportagem de TV. Os protestos n\u00e3o t\u00eam resultado pr\u00e1tico \u2013 o Jap\u00e3o despeja a \u00e1gua radioativa mesmo assim, conforme amplamente noticiado na imprensa mundial \u2013 e tudo que \u201cAs \u00daltimas Mulheres do Mar\u201d consegue \u00e9 se arrastar at\u00e9 uma conclus\u00e3o decepcionante para um assunto t\u00e3o legal. Do ponto de vista hist\u00f3rico-jornal\u00edstico, o filme deixa muito a desejar. N\u00e3o fica claro por que s\u00f3 mulheres s\u00e3o haenyeo ou quando esse grupo surgiu (as entrevistas s\u00e3o gen\u00e9ricas e pouco objetivas).<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, vale a pena ver o filme pelas incr\u00edveis imagens das senhoras catando ouri\u00e7os e algas, e para conhecer o cotidiano dessas mulheres fascinantes. Mas a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o tema poderia ter rendido uma obra-prima do document\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo dia a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Apple TV exibe \u201cAs \u00daltimas Mulheres do Mar\u201d, document\u00e1rio sobre um grupo de mulheres, a maioria de terceira idade, que mant\u00e9m viva a tradi\u00e7\u00e3o das haenyeo, mergulhadoras sul-coreanas de Jeju, uma prov\u00edncia formada por cerca de 60 ilhas ao sul do pa\u00eds, pr\u00f3ximas ao Jap\u00e3o. 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