{"id":5488,"date":"2024-08-23T06:00:00","date_gmt":"2024-08-23T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3745"},"modified":"2024-09-27T16:49:15","modified_gmt":"2024-09-27T19:49:15","slug":"peter-hook-passei-20-anos-sem-tocar-age-of-consent","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/peter-hook-passei-20-anos-sem-tocar-age-of-consent\/","title":{"rendered":"Peter Hook: \u201cPassei 20 anos sem tocar Age of Consent!\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Faz 36 anos que o baixista Peter Hook p\u00f4s os p\u00e9s no Brasil pela primeira vez, numa turn\u00ea do grupo do qual ele fazia parte, o New Order. A excurs\u00e3o passou por Rio, S\u00e3o Paulo e Porto Alegre, mas Hook diz que as maiores lembran\u00e7a do pa\u00eds, mais at\u00e9 do que as cidades, s\u00e3o as multid\u00f5es que a banda encontrou por aqui. \u201cN\u00e3o est\u00e1vamos preparados para aquilo\u201d, diz Hook, por Zoom, da Inglaterra, \u201cNa Europa, toc\u00e1vamos para 300 ou 500 pessoas, mas chegamos ao Brasil para tocar em gin\u00e1sios com 8 ou 10 mil pessoas. Foi surreal para n\u00f3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 68 anos, depois de retornar ao Brasil in\u00fameras vezes, algumas com o New Order, outras com a banda Revenge, e tamb\u00e9m para discotecar em festivais de m\u00fasica eletr\u00f4nica, Peter Hook volta para um show \u00fanico em 27 de agosto na Audio, em S\u00e3o Paulo, em que ele e a banda The Light tocar\u00e3o, na \u00edntegra, as colet\u00e2neas \u201cSubstance\u201d, tanto a do New Order quanto a do Joy Division. O show tem ingressos esgotados.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 conhecida: no fim dos anos 1970, Hook fazia parte do ic\u00f4nico grupo p\u00f3s-punk Joy Division, junto ao cantor Ian Curtis, o guitarrista e tecladista Bernard Sumner e o baterista Stephen Morris. Em maio de 1980, \u00e0s v\u00e9speras da primeira turn\u00ea norte-americana e dois meses antes do lan\u00e7amento do segundo disco da banda, \u201cCloser\u201d, Ian Curtis se suicidou. Ele tinha 23 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os integrantes remanescentes recrutaram a tecladista Gilian Gilbert e formaram o New Order. A banda fez um imenso sucesso comercial e de cr\u00edtica, fundindo rock e eletr\u00f4nica em hits de pista e r\u00e1dio como \u201cBlue Monday\u201d, \u201cBizarre Love Triangle\u201d e \u201cTemptation\u201d, entre muitos outros, mas a rela\u00e7\u00e3o de Hook com Bernard Sumner foi piorando com a guinada cada vez mais forte da banda na dire\u00e7\u00e3o da m\u00fasica eletr\u00f4nica e a insist\u00eancia de Sumner em ditar os caminhos musicais do New Order. \u201cAt\u00e9 a morte do Ian, nosso processo de composi\u00e7\u00e3o basicamente se resumia a fazer longas \u2018jams\u2019 em est\u00fadio, ouvir essas fitas e escolher trechos que poder\u00edamos usar em nossas can\u00e7\u00f5es\u201d, diz Hook. \u201cIsso era muito motivador para um instrumentista, e nossos grandes cl\u00e1ssicos surgiram assim. Fizemos \u2018Love Will Tear Us Apart\u2019 [cl\u00e1ssico absoluto do Joy Division] assim, muito rapidamente. Mas Bernard nunca gostou de fazer \u2018jams\u2019 e come\u00e7ou a trabalhar com bases programadas que ele fazia sozinho. Eu admirava o talento dele para fazer essas bases, mas o esp\u00edrito da banda meio que acabou\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Em 1993, Peter Hook abandonou o New Order. Ele voltaria em 1998 e romperia de vez com o grupo em 2007. Tr\u00eas anos depois, formou a banda Peter Hook and the Light e come\u00e7ou a excursionar pelo mundo tocando discos de Joy Division e New Order na \u00edntegra. \u201cO New Order havia acabado e eu percebi que nossos shows haviam deixado de fora m\u00fasicas incr\u00edveis. Um dia, meu filho me disse: \u2018Papai, sabe que h\u00e1 quanto tempo ningu\u00e9m toca \u2018Age of Consent\u2019 ao vivo?\u2019 Fazia uns 20 ou 25 anos. Eu pensei: puta merda, como isso \u00e9 poss\u00edvel?\u201d<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Rz4-ZqT23x0?si=oaSwSFtaxR7shnSW\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Em 2011, o New Order voltou, mas sem Hook. O baixista processou a banda, e o caso foi encerrado em 2017 com um acordo pela divis\u00e3o dos royalties gerados pelo uso dos nomes Joy Division e New Order. Mas as rusgas n\u00e3o acabaram: \u201cEles ressuscitaram o New Order para tocar vers\u00f5es de nossas m\u00fasicas que n\u00e3o lembram o New Order\u201d, diz Hook. \u201cPara mim, s\u00e3o o \u2018New Older\u2019 (\u2018Novos Mais Velhos\u2019). Nos meus shows, tocamos as can\u00e7\u00f5es como elas foram compostas e os discos na \u00edntegra, e vejo isso como uma demonstra\u00e7\u00e3o de respeito a nossos f\u00e3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntado sobre as can\u00e7\u00f5es de Joy Division e New Order que considera cl\u00e1ssicos, Hook diz que nunca pensou nisso, porque estava ocupado demais fazendo outros discos. \u201cNosso ritmo de trabalho era insano. Termin\u00e1vamos de gravar um disco e imediatamente nosso empres\u00e1rio, Rob (Gretton), nos dizia que t\u00ednhamos de come\u00e7ar outro. Voc\u00ea tem que lembrar que, naquela \u00e9poca, nunca poder\u00edamos imaginar que a m\u00fasica que est\u00e1vamos fazendo seria apreciada por tanta gente. Est\u00e1vamos felizes s\u00f3 por ter a chance de sobreviver fazendo m\u00fasica. Minha opini\u00e3o sobre nossos discos depende muito das lembran\u00e7as que tenho das grava\u00e7\u00f5es. Por exemplo, \u2018Republic\u2019 (1993) \u00e9 um disco que eu n\u00e3o conseguia ouvir, porque as lembran\u00e7as que tenho s\u00e3o p\u00e9ssimas. Foi um disco feito com o objetivo de salvar a Factory [gravadora do New Order] e o Ha\u00e7ienda [clube em Manchester do qual a banda era s\u00f3cia]. No fim, o disco saiu, mas tanto a Factory quando o Ha\u00e7ienda acabaram.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Se Hook guarda m\u00e1goas de seus companheiros de New Order, o mesmo n\u00e3o se aplica a Ian Curtis, seu chapa do Joy Division. \u201cSinto muita falta dele. A maioria das pessoas n\u00e3o sabe, mas Ian era o integrante da banda que mais conhecia m\u00fasica. Todo dia, ele chegava com algum disco ou fita cassete para que Bernard e eu ouv\u00edssemos. Uma vez, num ensaio, ele comentou que uma m\u00fasica nossa parecia The Doors. Eu n\u00e3o tinha a menor ideia do que ele estava falando. \u201cQue p*rra \u00e9 essa de The Doors?\u201d No dia seguinte, ele chegou com v\u00e1rios discos do Doors: \u201cOu\u00e7am isso!\u201d E n\u00e3o \u00e9 que era parecido mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>Batendo na casa dos 70, Peter Hook sossegou. Dorme cedo, aposentou-se da vida noturna e n\u00e3o quer mais saber de discotecar at\u00e9 altas horas. \u201cEu realmente gostava de ser DJ\u201d, diz Hook. \u201cFiz isso durante um bom tempo. Mas os hor\u00e1rios s\u00e3o terr\u00edveis, voc\u00ea fica acordado a noite toda e, na manh\u00e3 seguinte, tem que correr para pegar um voo e come\u00e7ar tudo de novo em outro lugar. Hoje eu durmo \u00e0s 11 da noite. Ser DJ \u00e9 um esporte para os mais novos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>P.S.: Amanh\u00e3, s\u00e1bado, publicarei essa entrevista em v\u00eddeo, na \u00edntegra, em meu canal de Youtube. <\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz 36 anos que o baixista Peter Hook p\u00f4s os p\u00e9s no Brasil pela primeira vez, numa turn\u00ea do grupo do qual ele fazia parte, o New Order. 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