{"id":5484,"date":"2024-08-14T06:00:00","date_gmt":"2024-08-14T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3723"},"modified":"2024-09-27T16:53:18","modified_gmt":"2024-09-27T19:53:18","slug":"onibaba-o-estranho-mundo-de-kaneto-shindo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/onibaba-o-estranho-mundo-de-kaneto-shindo\/","title":{"rendered":"\u201cOnibaba\u201d: o estranho mundo de Kaneto Shindo"},"content":{"rendered":"\n<p>J\u00e1 recomendei aqui a plataforma Filmicca, que tem um \u00f3timo custo-benef\u00edcio (R$ 7 \/m\u00eas) e um excelente cat\u00e1logo de filmes de arte (e pela en\u00e9sima vez, mas \u00e9 bom lembrar: n\u00e3o fa\u00e7o publi e n\u00e3o tenho nenhuma rela\u00e7\u00e3o comercial com nenhuma plataforma). E a Filmicca acaba de estrear um de meus filmes japoneses prediletos: \u201cOnibaba, a Mulher-Dem\u00f4nio\u201d (1964), de Kaneto Shindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Shindo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o celebrado quanto seus conterr\u00e2neos Kurosawa, Oshima, Mizoguchi, Ozu e outros, mas fez alguns filmes muito marcantes e pessoais. Come\u00e7ou a carreira no cinema escrevendo roteiros (fez mais de 200, incluindo trabalhos para Mizoguchi e Kozaburo Yoshimura) e, na d\u00e9cada de 1950, fundou seu pr\u00f3prio est\u00fadio independente, em parceria com Yoshimura e com o ator Taiji Tonoyama, e estreou como diretor com filmes de tom neorrealista como \u201cCrian\u00e7as de Hiroshima\u201d (1952), em que revisita a trag\u00e9dia da bomba que caiu sobre sua terra natal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Kaneto-Shindo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3725\" style=\"width:483px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Kaneto Shindo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os filmes de Shindo foram ficando cada vez menos realistas e mais l\u00fadicos e estranhos. Em 1960, fez uma obra-prima chamada \u201cA Ilha Nua\u201d, um filme espartano e quase sem di\u00e1logos sobre uma fam\u00edlia que mora numa ilha pr\u00f3xima a Hiroshima. \u201cA Ilha Nua\u201d tem o mesmo clima de solid\u00e3o e abandono de outra obra imperd\u00edvel do cinema, \u201cO Homem de Aran\u201d (1934), de Robert Flaherty, em que o cineasta recria, em estilo documental, a vida dos habitantes de uma remota ilha na costa da Irlanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1964, Shindo fez \u201cOnibaba\u201d, outra produ\u00e7\u00e3o modesta e autoproduzida. O elenco n\u00e3o tem mais de uma d\u00fazia de pessoas e a equipe \u00e9 a mesma que fez v\u00e1rios filmes como Shindo, incluindo o ex\u00edmio fot\u00f3grafo Kiyomi Kuroda, que havia filmado \u201cA Ilha Nua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A trama se passa no s\u00e9culo 14 numa regi\u00e3o pr\u00f3xima Kyoto, devastada por uma guerra. Duas mulheres, uma mais velha e a jovem nora (as personagens n\u00e3o t\u00eam nomes no filme) aguardam o retorno de Kishi, filho da primeira e marido da segunda, que foi lutar na guerra. As mulheres sobrevivem armando ciladas para soldados e samurais e matando-os para vender as armaduras e espadas para um inescrupuloso comerciante (vivido pelo ator Taiji Tonoyama, s\u00f3cio da produtora de Shindo).<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7mv-WGrR3wo?si=fmzMz2dDvIGS1Ldr\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>A vida das duas \u00e9 sacudida com a chegada de Hachi, um vizinho que tamb\u00e9m foi lutar na guerra. O homem come\u00e7a a tentar seduzir a mulher mais jovem, o que amea\u00e7a a paz entre as duas mulheres. A trama vai se tornando mais tensa e sexualmente carregada, at\u00e9 explodir num del\u00edrio que mistura terror e erotismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vi \u201cOnibaba\u201d pela primeira vez nos anos 1980, numa mostra de cinema japon\u00eas no Rio, e nunca mais esqueci. O filme \u00e9 provocante e lindamente fotografado, e algumas sequ\u00eancias est\u00e3o entre as mais impactantes do cinema japon\u00eas. N\u00e3o vou estragar a surpresa, mas h\u00e1 uma imagem que remete diretamente \u00e0s feridas das v\u00edtimas da bomba at\u00f4mica que atingiu tanto Hiroshima quanto a alma de Kaneto Shindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem n\u00e3o assina a Filmicca consegue encontrar o filme no Youtube com legendas em portugu\u00eas, mas acho que a imagem do filme na plataforma est\u00e1 bem melhor. &nbsp;E \u201cOnibaba\u201d merece ser visto na melhor qualidade poss\u00edvel. \u00c9 a obra mais famosa de um cineasta que nasceu em 1912, passou virtualmente por todas as fases do cinema japon\u00eas, filmou at\u00e9 2010 e morreu em 2012, aos 100 anos de idade. <\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo dia a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 recomendei aqui a plataforma Filmicca, que tem um \u00f3timo custo-benef\u00edcio (R$ 7 \/m\u00eas) e um excelente cat\u00e1logo de filmes de arte (e pela en\u00e9sima vez, mas \u00e9 bom lembrar: n\u00e3o fa\u00e7o publi e n\u00e3o tenho nenhuma rela\u00e7\u00e3o comercial com nenhuma plataforma). 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