{"id":3775,"date":"2024-09-09T06:00:00","date_gmt":"2024-09-09T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3775"},"modified":"2024-09-27T16:47:46","modified_gmt":"2024-09-27T19:47:46","slug":"pulp-fiction-30-anos-de-um-icone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/pulp-fiction-30-anos-de-um-icone\/","title":{"rendered":"Pulp Fiction: 30 anos de um \u00edcone"},"content":{"rendered":"\n<p>Cada d\u00e9cada do cinema \u00e9 marcada por determinados filmes. \u201cO Poderoso Chef\u00e3o\u201d \u00e9 \u201ca cara\u201d dos anos 70, assim como \u201cE.T\u201d virou um s\u00edmbolo do cinema escapista da d\u00e9cada de 80. E daqui a cem anos, quando algu\u00e9m for estudar o cinema dos anos 90, um t\u00edtulo vai se destacar sobre todos os outros: \u201cPulp Fiction\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Trinta anos depois de seu lan\u00e7amento, a obra-prima de Quentin Tarantino sobrevive como o exemplo perfeito de um tipo de cinema feito por um tipo espec\u00edfico de cineasta: o rato de videolocadora. E ele n\u00e3o estava s\u00f3: no mesmo per\u00edodo, at\u00e9 mais ou menos a virada dos anos 2000, outros ratos de videolocadora fizeram grandes filmes: os Irm\u00e3os Coen lan\u00e7aram \u201cFargo\u201d e \u201cOnde os Fracos N\u00e3o T\u00eam Vez\u201d, Steven Soderberg fez \u201cTraffic\u201d, e Paul Thomas Anderson filmou \u201cBoogie Nights\u201d e \u201cSangue Negro\u201d. Foi o \u00faltimo suspiro do cinema autoral em Hollywood, antes de ela ser infantilizada e engolida por franquias e filmes de super-her\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais que um filme, \u201cPulp Fiction\u201d \u00e9 um comp\u00eandio de tudo que o pequeno Quentin viu na adolesc\u00eancia em drive-ins e pocilgas poeirentas: filmes B de g\u00e2ngsteres sanguin\u00e1rios, pancadaria de artes marciais, \u201cblaxploitation\u201d (cinema de a\u00e7\u00e3o com elenco negro), filmes \u201cnoir\u201d, enfim, tudo que o cinema produziu de mais violento, escapista e divertido. At\u00e9 a maleta enigm\u00e1tica do filme \u00e9 um tributo, no caso a \u201cKiss Me Deadly\u201d (no Brasil, \u201cA Morte Num Beijo\u201d), ic\u00f4nico filme policial dirigido em Robert Aldrich em 1955.<\/p>\n\n\n\n<p>Vi \u201cPulp Fiction\u201d na estreia nos Estados Unidos, em outubro de 1994, e a sensa\u00e7\u00e3o foi a mesma que o p\u00fablico deve ter experimentado ao ver pela primeira vez \u201cO Poderoso Chef\u00e3o\u201d ou \u201cTaxi Driver\u201d: a de estar presenciando algo novo e revelador. Era um filme aparentemente desconjuntado \u2013 v\u00e1rias hist\u00f3rias que se intercalam, com personagens que entram e saem de cada uma delas \u2013 mas que, em meio ao caos, tem uma coes\u00e3o narrativa que s\u00f3 poderia ter sa\u00edda da cabe\u00e7a de um g\u00eanio hiperativo como Tarantino, um cineasta que, a exemplo do \u00eddolo Brian De Palma, faz filmes sobre outros filmes, porque a vida nunca ser\u00e1 t\u00e3o excitante quanto um filme.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPulp Fiction\u201d j\u00e1 nasceu cl\u00e1ssico e sua influ\u00eancia perdura at\u00e9 hoje, seja em videoclipes, em trilhas sonoras que resgatam hits perdidos do rockabilly e da soul music e em filmes que usam os mesmos di\u00e1logos r\u00e1pidos e cheios de refer\u00eancia \u00e0 cultura pop. A partir de mil influ\u00eancias, Tarantino criou um estilo pr\u00f3prio e facilmente reconhec\u00edvel. \u201cIh, mais um imitador do Tarantino!\u201d \u00e9 uma das frases mais ouvidas nos \u00faltimos 30 anos em salas de cinema mundo afora.<\/p>\n\n\n\n<p>Tarantino viu tantos filmes que adquiriu uma esp\u00e9cie de intui\u00e7\u00e3o para adivinhar o que vai magnetizar um p\u00fablico mais interessado em comer pipoca. Por que diabos algu\u00e9m faria uma cena de dan\u00e7a como a de Uma Thurman e John Travolta em \u201cPulp Fiction\u201d? \u00c9 uma sequ\u00eancia que n\u00e3o tem import\u00e2ncia estrutural dentro da hist\u00f3ria, e o filme poderia ter sobrevivido perfeitamente sem ela. Mas Tarantino <em>sabia<\/em> o potencial \u201ccool\u201d daquela imagem. Ter John Travolta, o Tony Manero da discoteca, requebrando desajeitadamente e fazendo sinais com as m\u00e3os que remetem ao Batman diante de uma gata loura e g\u00e9lida, <em>femme fatale<\/em> de mil \u201cnoirs\u201d, \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o que explode na tela com a energia de uma sess\u00e3o tripla de drive-in.<\/p>\n\n\n\n<p>E os mon\u00f3logos de Samuel L. Jackson? E Bruce Willis e Ving Rhames \u00e0s voltas com um psicopata s\u00e1dico? E Amanda Plummer e Tim Roth assaltando o restaurante? E Harvey Keitel limpando a bagun\u00e7a de sangue e v\u00edsceras no carro? E Christopher Walken contando ao menino Bruce Willis de onde tirou o rel\u00f3gio de ouro do pai? S\u00e3o tantas as sequ\u00eancias e personagens memor\u00e1veis, e t\u00e3o incont\u00e1veis as refer\u00eancias a outros filmes, atores e cineastas, que \u201cPulp Fiction\u201d precisa ser visto e revisto v\u00e1rias vezes, como um lembrete de que o cinema, como escrito no saco de pipocas da rede Severiano Ribeiro, \u00e9 a maior divers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00f3tima semana a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada d\u00e9cada do cinema \u00e9 marcada por determinados filmes. \u201cO Poderoso Chef\u00e3o\u201d \u00e9 \u201ca cara\u201d dos anos 70, assim como \u201cE.T\u201d virou um s\u00edmbolo do cinema escapista da d\u00e9cada de 80. 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