{"id":3611,"date":"2024-06-26T06:00:00","date_gmt":"2024-06-26T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3611"},"modified":"2024-09-24T14:43:01","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:01","slug":"benito-di-paula-50-anos-de-um-classico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/benito-di-paula-50-anos-de-um-classico\/","title":{"rendered":"Benito Di Paula: 50 anos de um cl\u00e1ssico"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 meio s\u00e9culo, Benito Di Paula entrou com sua banda habitual &#8211; o Grupo Tempero &#8211; nos est\u00fadios Reunidos, no pr\u00e9dio da Gazeta, na Avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, para gravar um novo disco. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Benito era um artista em ascens\u00e3o na m\u00fasica brasileira. J\u00e1 tinha tr\u00eas discos de est\u00fadio, mas os dois primeiros traziam apenas tr\u00eas ou quatro m\u00fasicas de autoria pr\u00f3pria. Apesar de algumas can\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias muito boas, como \u201cViol\u00e3o n\u00e3o se Empresta a Ningu\u00e9m\u201d e \u201cEla\u201d, os discos eram, basicamente, colet\u00e2neas de covers, em que Benito regravava cl\u00e1ssicos de Chico Buarque, Tim Maia, Ismael Silva, Roberto e Erasmo e Taiguara.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi com o terceiro disco de est\u00fadio, \u201cUm Novo Samba\u201d, que Benito Di Paula se firmou como um autor. O LP tinha 11 faixas, todas de autoria pr\u00f3pria, incluindo obras-primas como \u201cRetalhos de Cetim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja Benito em 1973 no programa \u201cSamb\u00e3o\u201d, apresentado por Elizeth Cardoso:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z56LY5ttW84?si=US850nNheZGaFz_C\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>O disco que Benito gravaria no Reunidos era um trabalho peculiar: seria um LP ao vivo, com dez faixas, mas teria apenas m\u00fasicas pr\u00f3prias. O compositor tinha a ideia de reproduzir, no est\u00fadio, o clima de seus shows. E quem ouve \u201cGravado Ao Vivo\u201d realmente se transporta para as boates enfuma\u00e7adas de Copacabana ou da Boca do Luxo, em S\u00e3o Paulo, onde Benito fez sua fama.<\/p>\n\n\n\n<p>O disco \u00e9 t\u00e3o bom que parece uma colet\u00e2nea. As cinco primeiras m\u00fasicas se tornariam cl\u00e1ssicas do repert\u00f3rio de Benito: \u201cAl\u00e9m de Tudo\u201d, \u201cCharlie Brown\u201d, \u201cBeleza que \u00e9 Voc\u00ea Mulher\u201d, \u201cPare Olhe e Viva\u201d e \u201cVou Cantar, Vou Sambar\u201d. A s\u00e9tima \u00e9 \u201cTributo a um Rei Esquecido\u201d, homenagem de Benito a um dos compositores mais perseguidos pela ditadura militar, Geraldo Vandr\u00e9 (o pr\u00f3prio Benito teve problemas com a censura em 1971, no primeiro LP, por gravar uma vers\u00e3o da m\u00fasica \u201cApesar de voc\u00ea\u201d, de Chico Buarque).<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MihMqSOhVVI?si=OpwdYq6bBGoSPH_B\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cMeu amigo Charlie Brown\u201d foi inspirado em um gibi do famoso personagem criado por Charles Schulz, lido por Benito na \u00e9poca que fazia shows em uma cantina italiana em Santos. \u201cEra um livrinho em italiano, o cozinheiro traduziu pra mim, e eu virei f\u00e3 do Charlie Brown e do Snoopy\u201d, me disse Benito em 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGravado ao Vivo\u201d traz todos os estilos que Benito costumava tocar em seus shows, de partido alto a samba-can\u00e7\u00e3o, de boleros a baladas lacrimejantes. \u201cPare Olhe e Viva\u201d \u00e9 uma das letras mais tristes e bonitas, descrevendo um acidente de tr\u00e2nsito: \u201cA carga do caminh\u00e3o tombado no meio da estrada \/ Era como l\u00e1grimas \/ Da m\u00e1quina quente esfriando, morrendo \/ Abandonada\u201d. Uma beleza.<\/p>\n\n\n\n<p>Benito \u2013 ou Uday Veloso, seu nome de batismo \u2013 veio de uma fam\u00edlia pobre de Nova Friburgo, interior do Estado do Rio. Tinha 15 irm\u00e3os e aprendeu m\u00fasica em saraus promovidos pelo pai, ferrovi\u00e1rio e m\u00fasico amador. No in\u00edcio dos anos 1960, come\u00e7ou a cantar e a tocar piano em boates e puteiros de Copacabana e Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando entrevistei Benito para meu livro \u201cPav\u00f5es Misteriosos\u201d, perguntei como ele era capaz de fazer um disco t\u00e3o variado. \u201cMinha escola de m\u00fasica foi a noite\u201d, disse o artista. \u201cFoi tocando nas boates que aprendi a agradar ao p\u00fablico. Toquei bolero, samba, m\u00fasica rom\u00e2ntica, fiz de tudo. Minha m\u00fasica \u00e9 assim, uma mistura.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um detalhe curioso sobre o LP \u201cGravado ao Vivo\u201d: os vocais de apoio foram gravados pelo grupo Golderan\u00e7a, que juntava cantores dos Golden Boys com o Trio Esperan\u00e7a. N\u00e3o est\u00e1 nos cr\u00e9ditos do disco, mas a informa\u00e7\u00e3o me foi confirmada por Ronaldo Correa, um dos remanescentes dos Golden Boys.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo dia a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 meio s\u00e9culo, Benito Di Paula entrou com sua banda habitual &#8211; o Grupo Tempero &#8211; nos est\u00fadios Reunidos, no pr\u00e9dio da Gazeta, na Avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, para gravar um novo disco. &nbsp; Benito era um artista em ascens\u00e3o na m\u00fasica brasileira. 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