{"id":3581,"date":"2024-06-10T06:00:00","date_gmt":"2024-06-10T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3581"},"modified":"2024-09-24T14:43:01","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:01","slug":"como-holllywood-retalhou-sergio-leone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/como-holllywood-retalhou-sergio-leone\/","title":{"rendered":"Como Hollywood retalhou Sergio Leone"},"content":{"rendered":"\n<p>Um dos grandes filmes da hist\u00f3ria do cinema est\u00e1 completando 40 anos: \u201cEra Uma Vez na Am\u00e9rica\u201d, de Sergio Leone. Apesar de n\u00e3o ter sido bem recebido na \u00e9poca do lan\u00e7amento, hoje \u00e9 um filme adorado por cin\u00e9filos e considerado uma das grandes obras da carreira do cineasta italiano. O que poucos sabem \u00e9 que Leone nunca conseguiu lan\u00e7ar o filme do jeito que queria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra Uma Vez na Am\u00e9rica\u201d \u00e9 um \u00e9pico sobre a vida de um grupo de jovens amigos imigrantes na Nova York dos anos 1920 que se tornam uma das gangues mafiosas mais violentas e temidas da cidade. O grupo \u00e9 liderado por David \u201cNoodles\u201d Aronson (interpretado jovem por Scott Tiler e adulto por Robert De Niro) e Max Bercovicz (interpretado por Rusty Jacobs e James Woods).<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de filmar a ascens\u00e3o de uma gangue mafiosa e contar a hist\u00f3ria dos imigrantes em Nova York j\u00e1 existia na cabe\u00e7a de Sergio Leone havia muito tempo. Vinte anos antes, em meados dos anos 1960, Leone leu o romance \u201cThe Hoods\u201d, de Harry Grey, pseud\u00f4nimo usado pelo g\u00e2ngster Harry Goldberg para escrever esse romance autobiogr\u00e1fico, e ficou louco com a ideia de fazer um filme passado em Nova York.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante quase duas d\u00e9cadas, Leone ficou em conversas com Grey, mas o projeto n\u00e3o andava. Nesse per\u00edodo, o cineasta fez cinco filmes: os tr\u00eas que compunham a \u201cTrilogia dos D\u00f3lares\u201d &#8211; \u201cPor um Punhado de D\u00f3lares\u201d (1964), \u201cPor Uns D\u00f3lares a Mais\u201d (1965) e \u201cTr\u00eas Homens em Conflito\u201d (1966) &#8211; e dois filmes de uma trilogia que ele batizou de \u201cEra Uma Vez\u201d: a obra-prima \u201cEra Uma Vez no Oeste\u201d (1968) e \u201cQuando Explode a Vingan\u00e7a\u201d (1971).<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FLndwYsCZGU?si=1gehxKY0VGMvDtF8\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Leone passou a d\u00e9cada de 1970 trabalhando como produtor, filmando uma cena ou outra de alguns filmes que produziu (e recusando a dire\u00e7\u00e3o de \u201cO Poderoso Chef\u00e3o\u201d). Quando finalmente come\u00e7ou a filmar \u201cEra Uma Vez na Am\u00e9rica\u201d, em 1982, n\u00e3o dirigia um filme havia 11 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Leone tinha planos ambiciosos para o filme. Pediu um roteiro ao autor Norman Mailer, mas as vers\u00f5es de Mailer acabaram sendo mudadas por um comit\u00ea de cinco outros roteiristas. Para as fun\u00e7\u00f5es principais, Leone chamou parceiros antigos: a m\u00fasica ficou com o genial Ennio Morricone, a fotografia com Tonino Delli Colli, que havia trabalhado extensamente tamb\u00e9m com Pasolini, Dino Risi e Mario Monicelli, e a montagem ficou a cargo de Nino Baragli, com quem Leone havia trabalhado em \u201cEra Uma Vez no Oeste\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra Uma Vez na Am\u00e9rica\u201d foi uma produ\u00e7\u00e3o cara para os padr\u00f5es de Leone. Era um filme de \u00e9poca, cuja trama come\u00e7ava nos anos 1920 e chegava ao fim da d\u00e9cada de 1960. Os personagens principais foram interpretados por dois atores, j\u00e1 que eram mostrados na inf\u00e2ncia e na vida adulta. As filmagens demoraram dez meses e aconteceram nos Estados Unidos, Canad\u00e1, Fran\u00e7a e It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando terminou a filmagem, Leone tinha nada menos de dez horas de material. A ideia dele era lan\u00e7ar o filme em duas partes de tr\u00eas horas cada, mas a The Ladd Company, produtora do filme, n\u00e3o permitiu, especialmente depois do fiasco de bilheteria de \u201c1900\u201d (1976), de Bernardo Bertolucci, que, com uma dura\u00e7\u00e3o de 317 minutos, foi exibido em pa\u00edses da Europa e no Jap\u00e3o dividido em dois filmes (e cortado em 70 minutos para exibi\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos).<\/p>\n\n\n\n<p>Leone aceitou n\u00e3o dividir \u201cEra Uma Vez na Am\u00e9rica\u201d em dois filmes, mas sua vers\u00e3o final tinha 269 minutos. Essa vers\u00e3o foi exibida no Festival de Cannes em 1984 e recebeu uma ova\u00e7\u00e3o de 15 minutos. Mas nem a empolga\u00e7\u00e3o do p\u00fablico do festival comoveu The Ladd Company, que exigiu que Leone cortasse 40 minutos para lan\u00e7\u00e1-lo na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, a machadada foi ainda pior: \u201cEra Uma Vez na Am\u00e9rica\u201d foi exibido com apenas 139 minutos, e o est\u00fadio remontou as cenas em ordem cronol\u00f3gica, acabando com a intrincada e l\u00fadica edi\u00e7\u00e3o de Tonino Delli Colli. Sergio Leone nunca perdoou o est\u00fadio pela chacina cometida contra seu filme. O cineasta morreu cinco anos depois, renegando at\u00e9 o fim a vers\u00e3o que o p\u00fablico norte-americano viu. Felizmente, em 2012, a Film Foundation de Martin Scorsese (sempre ele!) lan\u00e7ou uma vers\u00e3o de 251 minutos, a mais pr\u00f3xima da criada por Sergio Leone.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra Uma Vez na Am\u00e9rica\u201d pode ser visto no Star+. Infelizmente, \u00e9 a vers\u00e3o de 229 minutos, a mesma exibida na Europa. Mesmo assim, \u00e9 um filme imperd\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00f3tima semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos grandes filmes da hist\u00f3ria do cinema est\u00e1 completando 40 anos: \u201cEra Uma Vez na Am\u00e9rica\u201d, de Sergio Leone. Apesar de n\u00e3o ter sido bem recebido na \u00e9poca do lan\u00e7amento, hoje \u00e9 um filme adorado por cin\u00e9filos e considerado uma das grandes obras da carreira do cineasta italiano. 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