{"id":3539,"date":"2024-05-20T06:00:00","date_gmt":"2024-05-20T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3539"},"modified":"2024-09-24T14:43:01","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:01","slug":"erasmo-adeus-jovem-guarda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/erasmo-adeus-jovem-guarda\/","title":{"rendered":"Erasmo: adeus, Jovem Guarda!"},"content":{"rendered":"\n<p>Menos de dois anos ap\u00f3s a morte de Erasmo Carlos, o Tremend\u00e3o \u00e9 homenageado com uma s\u00e9rie de relan\u00e7amentos e com um \u00e1lbum de m\u00fasicas in\u00e9ditas. Quando morreu, em novembro de 2022, aos 81 anos, Erasmo estava trabalhando com o diretor art\u00edstico Marcus Preto em um novo disco. Chegou a completar tr\u00eas faixas, mas sua morte deixou o \u00e1lbum inacabado.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcus Preto, o produtor Pupillo Oliveira e o filho de Erasmo, L\u00e9o Esteves, completaram o disco usando anota\u00e7\u00f5es e versos que Erasmo guardava em cadernos. Esse material de Erasmo serviu de base para que compositores como Tim Bernardes, Nando Reis, Roberta Campos e Arnaldo Antunes finalizassem as can\u00e7\u00f5es, que foram gravadas por X\u00eania Fran\u00e7a, Emicida, Chico Chico, Russo Passapusso e o pr\u00f3prio Tim Bernardes. O disco, chamado \u201cErasmo Esteves\u201d, acaba de sair pela Som Livre. \u201cEsses cadernos do meu pai eram meio bagun\u00e7ados\u201d, conta L\u00e9o Esteves, que h\u00e1 mais de 30 anos cuida com carinho e dedica\u00e7\u00e3o da obra do pai. \u201cEle escrevia versos e cartas para minha m\u00e3e (Narinha), mas no meio ele tamb\u00e9m anotava listas de compras, essas coisas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para f\u00e3s da obra de Erasmo, a Som Livre acaba de relan\u00e7ar, no Youtube, uma s\u00e9rie de seis LPs e seis compactos, que abrangem a carreira do artista durante o per\u00edodo da Jovem Guarda. Os LPs s\u00e3o \u201cA Pescaria\u201d (1965), \u201cVoc\u00ea me Acende\u201d (1966), \u201cErasmo Carlos\u201d (1967), \u201cO Tremend\u00e3o\u201d (1967), \u201cErasmo Carlos\u201d (1968) e \u201cErasmo Carlos e os Tremend\u00f5es\u201d (1969). Os discos foram originalmente lan\u00e7ados pela RGE, selo que depois foi comprada pela gravadora Som Livre, fundada em 1969 pelo executivo Jo\u00e3o Ara\u00fajo, pai de Cazuza, para ser o bra\u00e7o discogr\u00e1fico da TV Globo e lan\u00e7ar as trilhas das novelas da emissora (em 2021, a Globo vendeu a Som Livre para a Sony Music).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses discos s\u00e3o importantes n\u00e3o s\u00f3 porque registram a \u00e9poca de Erasmo na Jovem Guarda, mas tamb\u00e9m por demonstrarem, se ouvidos cronologicamente, o gradual descolamento dele do som escapista e at\u00e9 ing\u00eanuo da Jovem Guarda, em dire\u00e7\u00e3o a uma m\u00fasica mais complexa e multifacetada. \u00c9 \u00f3bvio, comparando \u201cA Pescaria\u201d com \u201cErasmo Carlos e os Tremend\u00f5es\u201d, que o cantor estava decidido a mudar de rumos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu pai sempre dizia que \u2018Erasmo Carlos e os Tremend\u00f5es\u2019 era o disco mais importante da carreira dele\u201d, diz L\u00e9o Esteves. \u201cFoi um disco marcante. Ele estava se mudando de S\u00e3o Paulo para o Rio (o programa de TV Jovem Guarda era filmado nos est\u00fadios da TV Record, em S\u00e3o Paulo), e come\u00e7ando a conhecer o pessoal da Tropic\u00e1lia, uma turma mais moderna, e isso reflete no disco\u201d.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CJEWhZfDJCw?si=h-K9TL45UO3PbzYZ\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>De fato, \u201cErasmo Carlos e os Tremend\u00f5es\u201d \u00e9 um disco muito distante da Jovem Guarda, incorporando samba, samba-rock, psicodelia, bossa nova, e marca o rompimento de Erasmo com o movimento jovem que o revelou ao pa\u00eds. Essa cis\u00e3o se aprofundaria logo depois, quando Erasmo saiu da RGE e assinou com a Philips, gravadora mais moderna e \u201cprafrentex\u201d da \u00e9poca, casa de todos os Tropicalistas, Jorge Ben e Raul Seixas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Philips era comandada por Andr\u00e9 Midani (1932-2019). Em uma entrevista a Ruy Castro, publicada na revista \u201cPlayboy\u201d, Erasmo falou de sua ida para a Philips, em 1971. Na \u00e9poca, o cantor passava por um momento de ostracismo. A Jovem Guarda tinha acabado e seus integrantes eram malhados pela cr\u00edtica e por outros artistas, que os recriminavam por ter feito m\u00fasica comercial e considerada de baixa qualidade. \u201cO Andr\u00e9 Midani me levou para a Philips, me deu plena liberdade e me disse: \u2018Voc\u00ea vai gravar o que quiser, com quem quiser, da forma que quiser. Fa\u00e7a o que voc\u00ea quiser, mas fa\u00e7a. \u00c9 importante qualquer coisa que voc\u00ea crie\u2019.\u201d O primeiro disco de Erasmo na gravadora foi \u201cCarlos, Erasmo\u201d, um LP audacioso, com influ\u00eancias de samba-rock, soul music e rock psicod\u00e9lico, que trazia letras er\u00f3ticas (\u201cDois Animais na Selva Suja da Rua\u201d, de Taiguara) e at\u00e9 uma ode \u00e0 maconha, \u201cMaria Joana\u201d, composta em parceria com Roberto Carlos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu pai sempre foi muito grato ao Midani\u201d, diz L\u00e9o Esteves. \u201cQuando a Jovem Guarda estava chegando ao fim, meu pai ficou muito desorientado, n\u00e3o sabia muito bem o que fazer\u201d. Esteves lembra que o \u00fanico integrante da Jovem Guarda que parecia ter um plano para o fim do movimento foi Roberto Carlos, que conseguiu fazer a transi\u00e7\u00e3o para a can\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica. \u201cO Roberto, nesse ponto, era mais esperto, j\u00e1 tinha ideia do que faria depois. Meu pai era bem mais ing\u00eanuo. Ele acreditava que a Jovem Guarda iria durar para sempre\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Jovem Guarda acabou, mas Erasmo sobreviveu e criou uma obra das mais importantes do pop-rock brasileiro. Tamb\u00e9m deu sorte de ter, no filho, um caso raro de herdeiro que entende a import\u00e2ncia de divulgar essa obra para as novas gera\u00e7\u00f5es. Por cerca de 30 anos, L\u00e9o Esteves criou, com o pai, diversos projetos \u2013 discos, shows, tributos \u2013 que ajudaram a manter a m\u00fasica de Erasmo Carlos no lugar que destaque que merece. \u201cNo in\u00edcio de cada ano, eu virava para ele e perguntava: \u2018O que voc\u00ea quer fazer esse ano? O que vai te deixar feliz?\u2019, e ele decidia o que queria fazer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00f3tima semana a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Menos de dois anos ap\u00f3s a morte de Erasmo Carlos, o Tremend\u00e3o \u00e9 homenageado com uma s\u00e9rie de relan\u00e7amentos e com um \u00e1lbum de m\u00fasicas in\u00e9ditas. Quando morreu, em novembro de 2022, aos 81 anos, Erasmo estava trabalhando com o diretor art\u00edstico Marcus Preto em um novo disco. 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