{"id":3516,"date":"2024-05-11T06:00:00","date_gmt":"2024-05-11T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3516"},"modified":"2024-09-24T14:43:01","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:01","slug":"adeus-a-steve-albini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/adeus-a-steve-albini\/","title":{"rendered":"Do Arquivo: Adeus a Steve Albini"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O m\u00fasico e produtor Steve Albini morreu aos 61 anos, de um ataque do cora\u00e7\u00e3o. Hoje, s\u00e1bado, \u00e0s 19h30, farei uma live no meu Instagram com o amigo Elson Barbosa, dono do selo Sinewave e grande especialista em sons alternativos, sobre a vida e obra de Albini.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Albini foi um dos nomes mais importantes do rock alternativo dos \u00faltimos 40 anos. Gravou discos antol\u00f3gicos com bandas como Big Black, Rapeman e Shellac e produziu alguns dos \u00e1lbuns mais marcantes do <em>indie rock<\/em>. Foram milhares, de \u201cRid of Me\u201d (PJ Harvey) a \u201cIn Utero\u201d (Nirvana), de \u201cSurfer Rosa\u201d (Pixies) a \u201cPod\u201d (Breeders), passando por discografias de bandas como Jesus Lizard, Godspeed You! Black Emperor, Slint, Man or Astro-man?, Jon Spencer Blues Explosion, Neurosis e muitas mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Albini era um sujeito singular e de convic\u00e7\u00f5es inabal\u00e1veis. Odiava grandes gravadoras. Quando algu\u00e9m ligava em seu est\u00fadio, o Electrical Audio, e se identificava como funcion\u00e1rio de um grande selo, ele imediatamente batia o telefone na cara da pessoa. \u201cNada bom pode sair de uma conversa dessas\u201d, dizia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na contram\u00e3o do que fazem 99% dos produtores, ele se recusava a ganhar <em>royalties<\/em> em cima dos discos que produzia. Achava imoral. Quando algu\u00e9m o procurava, ele combinava um valor que achava justo, e s\u00f3 recebia isso. Ganhou 100 mil d\u00f3lares do Nirvana para produzir \u201cIn Utero\u201d, quando poderia ter faturado milh\u00f5es em <em>royalties<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Tive quatro ou cinco encontros com Albini. O primeiro foi em 1991, quando o entrevistei para a revista \u201cBizz\u201d. O papo, reproduzo abaixo. A segunda foi em junho de 1993, quando o fotografei para a revista \u201cCreem\u201d. \u00c9 a foto que ilustra essa mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso encontro mais legal aconteceu em 2008, quando trouxemos a banda de Albini, o Shellac, para tocar no clube do qual eu era s\u00f3cio, o Clash, em S\u00e3o Paulo. Passamos dois ou tr\u00eas dias andando com eles pela cidade. O show foi inesquec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vai a \u00edntegra de minha entrevista com Steve Albini para a revista \u201cBizz\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cHoje \u2013 Show com Flour \u2013 Participa\u00e7\u00e3o Especial: Steve Albini\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O cartaz na porta do clube Lounge Ax, em Chicago, deixava bem claro quem era a atra\u00e7\u00e3o principal da noite.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Desde que fundou o Big Black no come\u00e7o dos 80, Steve Albini se tornou um her\u00f3i do underground americano, e em especial de Chicago. Hoje, depois de terminar com o Big Black, fundar o Rapeman e se consolidar como um dos principais produtores americanos, Albini \u00e9 hoje uma esp\u00e9cie de selo de qualidade do underground, capaz de lotar um show s\u00f3 por causa do seu nome no cartaz ou de elevar o status de bandas desconhecidas com um simples cr\u00e9dito de produtor no encarte do disco. O Wreck, banda do selo Wax Trax, chegou ao c\u00famulo de botar na capa de seu disco um selo: \u201cO som deste disco foi conseguido gra\u00e7as ao talento e \u00e0 genialidade de Steve Albini\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>No dia seguinte ao show do Flour, encontro Albini num restaurante no centro de Chicago. Cara de CDF: magro, \u00f3culos grossos. Poderia ser um f\u00edsico nuclear ou intelectual. Na verdade, \u00e9 um intelectual, mas um pensador do submundo do esporro. Sempre primou pelo experimentalismo anticonvencional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cN\u00e3o gosto de muitas bandas hoje em dia\u201d, diz. Minhas favoritas s\u00e3o o Jesus Lizard e o Slint, uma banda de Kentucky.\u201d (Movido por esse coment\u00e1rio. procurei os LPs dessas bandas e n\u00e3o consegui passar da segunda faixa. Pareciam um Arrigo Barnab\u00e9 hardcore, insuport\u00e1vel)*.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pergunto pelas bandas que ele j\u00e1 produziu, e, para meu espanto, ele detona uma a uma. \u201cAcho o Pixies uma banda med\u00edocre, sem nada de especial. Nem me lembro direito do LP que produzi\u201d, diz sobre \u201cSurfer Rosa\u201d. E o Tad? \u201cAceitei trabalhar com eles porque acho o Tad um cara muito legal, mas n\u00e3o gosto da banda. N\u00e3o gosto do LP (\u201cSalt Lick\u201d), mas acho o disco seguinte deles, \u201c8-Way Santa\u201d, ainda pior. \u00c9 m\u00fasica feita pra r\u00e1dio\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c8-Way Santa\u201d foi produzido por Butch Vig, outro produtor bastante requisitado e que trabalhou como Nirvana em \u201cNevermind\u201d. \u201cN\u00e3o tenho nada contra o Butch, mas acho o Nirvana um lixo da pior esp\u00e9cie. \u00c9 hard-rock vagabundo, parece uma banda apaixonada por si mesma.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Embora n\u00e3o goste de admitir, Albini tem uma briga hist\u00f3rica com os caras do Ministry, raz\u00e3o pela qual Al Jourgensen saiu do Pigface. \u201cOdeio essas bandas da Wax Trax e toda essa merda eletr\u00f4nica.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O \u201cm\u00e9todo Ministry\u201d de produ\u00e7\u00e3o de LPs, trancados em seis meses dentro de um est\u00fadio, tamb\u00e9m \u00e9 atacado impiedosamente. \u201cQuem fica tanto tempo num est\u00fadio \u00e9 porque n\u00e3o sabe o que est\u00e1 fazendo. Nunca passo mais de tr\u00eas dias num est\u00fadio, gosto de um servi\u00e7o r\u00e1pido e sem frescura. Tamb\u00e9m n\u00e3o uso samplers, \u00e9 contra os meus princ\u00edpios roubar coisas dos outros.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Al\u00e9m do Slint e do Jesus Lizard, Albini enche a bola de algumas outras bandas, cada uma mais obscura que a outra: \u201cGosto de uma banda de Atlanta chamada Dirt, tamb\u00e9m do Thinking Fellers Union Local 282 e do Poster Children\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Chega a hora da tradicional pergunta dirigida a diretor qualquer produtor: \u201cQue disco voc\u00ea gostaria de ter produzido?\u201d Albini nem pensa muito: \u201cMeu disco preferido \u00e9 o \u2018Funhouse\u2019, dos Stooges, produzido por Don Galluci. \u00c9 um \u00e1lbum perfeito, do come\u00e7o ao fim. O \u2018Metal Machine Music\u2019 do Lou Reed, os primeiros trabalhos do Cabaret Voltaire\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Existe alguma banda nova que voc\u00ea gostaria de produzir? \u201cGostaria de trabalhar com o Fugazi. Vi alguns shows deles e fiquei louco. \u00c9 uma grande banda ao vivo, mas seus discos s\u00e3o umas merdas.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>*P.S.: Assim como Albini depois reveria seus conceitos sobre o Nirvana e trabalharia com a banda no disco \u201cIn Utero\u201d, passei a adorar tanto o Slint quanto o Jesus Lizard.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00fasico e produtor Steve Albini morreu aos 61 anos, de um ataque do cora\u00e7\u00e3o. Hoje, s\u00e1bado, \u00e0s 19h30, farei uma live no meu Instagram com o amigo Elson Barbosa, dono do selo Sinewave e grande especialista em sons alternativos, sobre a vida e obra de Albini. 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