{"id":3449,"date":"2024-04-05T06:00:00","date_gmt":"2024-04-05T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3449"},"modified":"2024-09-24T14:43:01","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:01","slug":"filme-desvenda-o-genio-de-steve-martin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/filme-desvenda-o-genio-de-steve-martin\/","title":{"rendered":"Filme desvenda o g\u00eanio de Steve Martin"},"content":{"rendered":"\n<p>O p\u00fablico brasileiro s\u00f3 conhece Steve Martin do cinema, o que \u00e9 uma pena, porque o que esse cara fez nos anos 70 na com\u00e9dia \u201cstand-up\u201d foi absolutamente revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1975 e 1980, ele foi o comediante mais famoso do planeta. Ningu\u00e9m vendia tantos ingressos. Martin esgotou por tr\u00eas noites seguidas o Nassau Coliseum, no estado de Nova York, com capacidade para 16 mil pessoas. Seus discos de com\u00e9dia lideraram as paradas e venderam, acredite, NOVE MILH\u00d5ES de c\u00f3pias.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que um dia, em 1981, Steve Martin decidiu que ia mudar de rumo e simplesmente abandonou os palcos. Nunca mais se apresentou ao vivo. Dali em diante, faria apenas filmes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para conhecer a vida e obra desse comediante singular, um \u00f3timo ponto de partida \u00e9 \u201cSteve!\u201d, document\u00e1rio em duas partes que est\u00e1 na Apple TV. Dirigido por Morgan Neville, que ganhou um Oscar de melhor document\u00e1rio por \u201cA Um Passo do Estrelato\u201d (2014) e fez filmes sobre Orson Welles, Anthony Bourdain e Keith Richards, \u201cSteve!\u201d \u00e9 um trabalho jornal\u00edstico revelador e detalhista, com cenas de arquivo surpreendentes. A primeira parte do filme conta a hist\u00f3ria de Steve Martin na com\u00e9dia \u201cstand-up\u201d e termina justamente em 1981. A segunda parte fala de sua carreira no cinema.<\/p>\n\n\n\n<p>Filho de uma m\u00e3e amorosa e de um pai frio e ausente, Martin conseguiu um bico em 1955, aos dez anos de idade, vendendo programas na rec\u00e9m-inaugurada Disneyl\u00e2ndia, na Calif\u00f3rnia. De l\u00e1, chegou a S\u00e3o Francisco no fim dos anos 1960, no auge do movimento hippie, a tempo de mergulhar fundo nas drogas, que n\u00e3o curtiu.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/d30IaPx5Qc8?si=9DrUWEsFC3pN-KKT\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Em 2012, quando saiu no Brasil a autobiografia de Martin, \u201cBorn Standing Up\u201d, lan\u00e7ada aqui pela editora Matrix com o t\u00edtulo de \u201cNascido para Matar\u2026 de Rir\u201d, escrevi:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando percebeu, no fim dos anos 60, que era moleza arrancar gargalhadas da plateia sacaneando pol\u00edticos como Richard Nixon, abandonou a com\u00e9dia pol\u00edtica para tentar algo mais radical. Seu desafio, mais que fazer rir, era subverter as f\u00f3rmulas da com\u00e9dia. Martin criou um estilo de \u201cstand up\u201d quase surrealista, que brincava com metalinguagem e onde enfrentava o p\u00fablico, n\u00e3o de uma forma agressiva, mas sem se dobrar \u00e0s expectativas de sua audi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para conseguir isso, Martin penou demais. Foram anos e anos de rejei\u00e7\u00e3o, desprezo e plateias pequenas. Mas ele acabou triunfando, e sua \u201cn\u00e3o-com\u00e9dia\u201d, como definiu o amigo Rick Moranis, virou o \u201cstand up\u201d de cabe\u00e7a para baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>A explos\u00e3o de Steve Martin aconteceu na \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o do programa de TV \u201cSaturday Night Live\u201d, por volta de 1975\/76, que revelou outros atores que tamb\u00e9m estavam tentando criar algo novo, como Bill Murray, Gilda Radner e Dan Aykroyd.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFiz \u2018stand up\u2019 por 18 anos\u201d, escreve Martin. \u201cOs dez primeiros, passei aprendendo, os quatro seguintes, aperfei\u00e7oando meu n\u00famero, e os quatro \u00faltimos, ficando rico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Steve Martin n\u00e3o era um comentarista social como Richard Pryor ou Lenny Bruce e n\u00e3o tinha o talento histri\u00f4nico de Jim Carrey ou Eddie Murphy. Seu interesse sempre foi o de desmontar o humor, surpreendendo o p\u00fablico com varia\u00e7\u00f5es inusitadas na forma de contar uma hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se formou em filosofia e baseou toda sua com\u00e9dia nas quest\u00f5es existenciais discutidas em aula. \u201cEu estudei l\u00f3gica, e eles falavam em causa e efeito\u201d, diz ele no filme. \u201cA\u00ed voc\u00ea come\u00e7a a perceber que isso n\u00e3o existe, que n\u00e3o h\u00e1 l\u00f3gica! (\u2026) Comecei a pensar no que aconteceria se n\u00e3o houvesse cl\u00edmax, se n\u00e3o houvesse final para a piada\u2026 O que aconteceria se eu criasse tens\u00e3o mas n\u00e3o a liberasse? (\u2026) o que a plateia faria com essa tens\u00e3o? Eventualmente, ela teria de ser liberada de alguma forma, mas, se eu continuasse a negar ao p\u00fablico a sa\u00edda f\u00e1cil de um cl\u00edmax, as pessoas acabariam escolhendo um lugar para rir, nem que fosse por desespero.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSteve!\u201d tem cenas e \u00e1udios de arquivo incr\u00edveis, como apresenta\u00e7\u00f5es de Steve Martin ainda adolescente, quando j\u00e1 tentava \u2013 olha a aud\u00e1cia do rapaz! \u2013 sua com\u00e9dia transgressora para plateias de oito pessoas. \u00c9 impressionante ver as imagens de suas turn\u00eas no fim dos anos 1970, quando passou a se apresentar em gin\u00e1sios de esportes. \u201cEle vendia mais ingressos que o Fleetwood Mac\u201d, diz um entrevistado. <\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O p\u00fablico brasileiro s\u00f3 conhece Steve Martin do cinema, o que \u00e9 uma pena, porque o que esse cara fez nos anos 70 na com\u00e9dia \u201cstand-up\u201d foi absolutamente revolucion\u00e1rio. 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