{"id":3423,"date":"2024-03-18T06:00:00","date_gmt":"2024-03-18T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3423"},"modified":"2024-09-24T14:43:01","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:01","slug":"ha-50-anos-mel-brooks-revolucionou-a-comedia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/ha-50-anos-mel-brooks-revolucionou-a-comedia\/","title":{"rendered":"H\u00e1 50 anos, Mel Brooks revolucionou a com\u00e9dia"},"content":{"rendered":"\n<p>Mil novecentos e setenta e quatro foi um ano glorioso para o cinema, em especial para a com\u00e9dia. Naquele ano, foi lan\u00e7ado \u201cBanz\u00e9 no Oeste\u201d (\u201cBlazing Saddles\u201d), de Mel Brooks, um filme revolucion\u00e1rio na forma e conte\u00fado, par\u00f3dia ao cinema de faroeste que usava uma linguagem totalmente nova e experimental, com uso de metalinguagem (filme dentro do filme), quebra de quarta parede (personagens falavam com o p\u00fablico), e um tema radical: o racismo no cinema de bangue-bangue.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme se passa em 1874 e conta a hist\u00f3ria de um homem negro, Bart (Cleavon Little), que est\u00e1 preso e prestes a ser executado quando, por uma bizarra manobra do destino, vira xerife de uma cidade inteiramente branca e racista do Velho Oeste.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Mel Brooks faz tr\u00eas papeis, incluindo o idiota governador William J. Le Petomane, e membros habituais da trupe de Brooks tamb\u00e9m participam, como Gene Wilder no papel do pistoleiro b\u00eabado Jim \u201cThe Waco\u201d Kid, e Madeline Kahn como a sensual Lili Von Shtupp. O papel do xerife negro foi oferecido a Richard Pryor, mas a distribuidora do filme, a Warner, n\u00e3o topou por causa dos problemas do ator com drogas e \u00e1lcool. Mel Brooks chegou a convidar John Wayne para atuar no filme, o que teria sido antol\u00f3gico. Wayne recusou o papel, mas disse que seria o primeiro a comprar ingresso para assisti-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se segue \u00e9, certamente, um dos roteiros mais ousados e criativos da hist\u00f3ria do cinema de com\u00e9dia, escrito a dez m\u00e3os por Mel Brooks e por um tima\u00e7o que inclu\u00eda o pr\u00f3prio Richard Pryor e o roteirista Andrew Bergman, este autor da ideia original.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/A2tPgGiBvkc?si=tA6Sb9iVOdpb22LX\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Em 1974, Mel Brooks j\u00e1 era um comediante consagrado na TV americana, entre outros feitos, pela cria\u00e7\u00e3o \u2013 com Buck Henry &#8211; do seriado \u201cAgente 86\u201d, mas s\u00f3 havia dirigido dois longas-metragens para o cinema. O primeiro, \u201cPrimavera para Hitler\u201d (1968) sacudiu Hollywood com a hist\u00f3ria estramb\u00f3lica de dois produtores de teatro picaretas que tentam um engenhoso golpe de seguro, montando a pior pe\u00e7a de teatro de todos os tempos, um rid\u00edculo musical sobre Adolf Hitler, s\u00f3 para ver a pe\u00e7a se tornar o maior sucesso da temporada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrimavera para Hitler\u201d era t\u00e3o radical e diferente que nenhum grande est\u00fadio quis lan\u00e7\u00e1-lo. Mas quem captou o esp\u00edrito an\u00e1rquico do filme caiu de amores por ele (um foi o comediante Peter Sellers, que ficou t\u00e3o louco com a genialidade de Brooks que pagou, do pr\u00f3prio bolso, an\u00fancios em jornais, conclamando o p\u00fablico a ver o filme). Deu resultado: lan\u00e7ado em cinemas de arte, \u201cPrimavera para Hitler\u201d foi um estouro de bilheteria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nada prepararia Hollywood para o que Brooks faria em \u201cBanz\u00e9 no Oeste\u201d. Ele pegou todos os clich\u00eas do western \u2013 duelos de pistolas em cidades poeirentas, can\u00e7\u00f5es em volta da fogueira, as tens\u00f5es entre brancos e ind\u00edgenas \u2013 e simplesmente eviscerou o g\u00eanero do faroeste, esculhambando, uma a uma, todas as f\u00f3rmulas do g\u00eanero. O final do filme \u2013 n\u00e3o vou dar spoiler \u2013 \u00e9 o momento sublime da carreira de Mel Brooks, um dos grandes g\u00eanios do humor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel ver \u201cBanz\u00e9 no Oeste\u201d e n\u00e3o perceber como ele influenciou com\u00e9dias que viriam depois, como \u201cApertem os Cintos, o Piloto Sumiu\u201d e \u201cCorra Que a Pol\u00edcia Vem A\u00ed\u201d, com suas impiedosas avacalha\u00e7\u00f5es com g\u00eaneros cinematogr\u00e1ficos como o filme-cat\u00e1strofe e os thrillers policiais. Pensar que no mesmo ano, 1974, Mel Brooks ainda teria tempo e inspira\u00e7\u00e3o para fazer outra com\u00e9dia cl\u00e1ssica, \u201cO Jovem Frankenstein\u201d, \u00e9 simplesmente assombroso. Foram duas obras-primas lan\u00e7adas em dez meses.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBanz\u00e9 no Oeste\u201d est\u00e1 dispon\u00edvel para loca\u00e7\u00e3o no Youtube Filmes, Amazon Prime e Apple TV.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00f3tima semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mil novecentos e setenta e quatro foi um ano glorioso para o cinema, em especial para a com\u00e9dia. 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