{"id":3382,"date":"2024-03-01T06:00:00","date_gmt":"2024-03-01T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3382"},"modified":"2024-09-24T14:43:01","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:01","slug":"entrevista-bruce-dickinson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/entrevista-bruce-dickinson\/","title":{"rendered":"Entrevista: Bruce Dickinson"},"content":{"rendered":"\n<p>Bruce Dickinson n\u00e3o para: al\u00e9m de viajar o mundo todo como vocalista da banda Iron Maiden, o sujeito escreve livros e roteiros, apresentou programas de r\u00e1dio e TV, e \u00e9 piloto de avi\u00e3o. Em mar\u00e7o, lan\u00e7a seu s\u00e9timo disco solo, \u201cThe Mandrake Project\u201d, o primeiro desde 2005, e no m\u00eas seguinte inicia uma turn\u00ea solo de 50 shows por M\u00e9xico, Am\u00e9rica do Sul e Europa, com sete apresenta\u00e7\u00f5es no Brasil. \u201cMinha casa \u00e9 uma mochila de viagem\u201d, diz o cantor de 65 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cThe Mandrake Project\u201d traz can\u00e7\u00f5es novas, al\u00e9m de algumas que Dickinson e seu fiel parceiro musical, o guitarrista e compositor Roy Z, tinham guardadas h\u00e1 tempos. \u201cA mais antiga delas, \u2018Immortal Beloved\u2019, tem pelo menos 25 anos\u201d, diz o cantor. \u201cGravei a letra da vers\u00e3o original de uma vez, de improviso, em uma tomada, numa onda de fluxo de consci\u00eancia em que as palavras simplesmente sa\u00edram da minha cabe\u00e7a. J\u00e1 a m\u00fasica \u2018Shadow of the Gods\u2019 tem 20 anos, estava conclu\u00edda em 2014, mas ficou guardada at\u00e9 agora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, Dickinson passou por maus bocados: em 2014, foi diagnosticado com c\u00e2ncer na garganta (causado, segundo ele mesmo, pela pr\u00e1tica do cunnilingus), mas felizmente foi salvo pela quimioterapia. Depois, pegou Covid, mesmo estando vacinado. \u201cForam anos complicados com o c\u00e2ncer, depois a Covid e todo o trabalho com o Iron Maiden, ent\u00e3o deixei minha carreira solo um pouco de lado\u201d. Agora, Dickinson est\u00e1 numa de suas fases mais produtivas. Al\u00e9m do disco novo, escreveu uma revista em quadrinhos com o mesmo nome do disco, que ser\u00e1 dividida em 12 edi\u00e7\u00f5es agrupadas em tr\u00eas <em>graphic novels<\/em>, a primeira delas com lan\u00e7amento em dezembro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando pensei na hist\u00f3ria de \u2018The Mandrake Project\u2019, minha primeira ideia era fazer um filme\u201d, diz o cantor. \u201cEscrevi o tratamento, mas conclu\u00ed que fazer um filme daquilo ficaria absurdamente caro, teria de ser uma megaprodu\u00e7\u00e3o hollywoodiana. Um amigo sugeriu fazer uma revista em quadrinhos: \u2018Papel \u00e9 barato, filme \u00e9 caro\u2019, ele disse. Peguei a hist\u00f3ria da HQ e escrevi can\u00e7\u00f5es que, ouvidas em determinada ordem, levam o ouvinte numa jornada musical e emocional, do in\u00edcio ao fim do \u00e1lbum. E funciona, sabe? Nunca ouvi o \u00e1lbum em ordem inversa, come\u00e7ando da \u00faltima can\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sei se funcionaria t\u00e3o bem. Seria como fumar um charuto no caf\u00e9 da manh\u00e3\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois videoclipes j\u00e1 lan\u00e7ados com faixas do disco, \u201cAfterglow of Ragnarok\u201d e \u201cRain on the Graves\u201d, evidenciam o cuidado visual com que Bruce Dickinson trata sua arte. O primeiro \u00e9 um verdadeiro filme de a\u00e7\u00e3o, cheio de efeitos especiais criados por computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, enquanto o segundo, filmado em preto e branco, \u00e9 um tributo ao cinema de horror dos anos 1950 e 1960, do qual Dickinson \u00e9 f\u00e3. Ele pr\u00f3prio interpreta um pastor que encontra uma mans\u00e3o assombrada. \u201cFilmamos na Cornualha, numa antiga propriedade que parecia mesmo um cen\u00e1rio de filme da Hammer [lend\u00e1ria produtora brit\u00e2nica de filmes de terror]. O lugar tinha at\u00e9 um cemit\u00e9rio, que decoramos com mais cruzes e l\u00e1pides\u201d. O \u201cnovo\u201d cemit\u00e9rio incluiu a sepultura de um autor que Dickinson ama: o poeta brit\u00e2nico William Blake.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kE4xNUB2Q5E?si=HSH6vFQaoXez8R6O\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Bruce Dickinson adora incluir em suas m\u00fasicas e clipes cita\u00e7\u00f5es a livros e filmes. Tanto no Iron Maiden quanto na carreira solo, Dickinson \u00e9 um contador de hist\u00f3rias. \u201cEm \u2018Many Doors to Hell\u2019 [uma can\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum \u201cThe Mandrake Project\u201d] conto a hist\u00f3ria de uma vampira que deseja voltar a ser uma pessoa de carne e osso, para que, em vez de beber o sangue de seus amantes, possa fazer amor com eles. Ela quer sentir o que \u00e9 ter um orgasmo, sentir o que \u00e9 ter medo da morte e, portanto, valorizar a vida. Mas a \u00fanica maneira de fazer isso \u00e9 durante um eclipse. J\u00e1 em \u2018Fingers in the Wounds\u2019 falo do fen\u00f4meno do Estigma, que aparece em m\u00e1rtires. Mas criei um personagem que\u00a0 n\u00e3o \u00e9 um verdadeiro m\u00e1rtir, mas um influencer de Internet. \u00c9 uma letra mordaz e \u00e1cida sobre pessoas que vivem exist\u00eancias vazias, mas que tem milh\u00f5es de seguidores. \u00c9 triste, n\u00f3s estamos desesperados para seguir essas pessoas e queremos acreditar em todos esses charlat\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os shows da turn\u00ea solo, Dickinson se diz muito animado, mas avisa que os concertos n\u00e3o ter\u00e3o os cen\u00e1rios complexos a que os f\u00e3s do Iron Maiden se acostumaram. \u201cN\u00e3o teremos, intencionalmente, cen\u00e1rios, monstros nada disso, o show \u00e9 sobre a m\u00fasica. Teremos um tel\u00e3o com um visual para cada can\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 um show coreografado, a m\u00fasica vai mover tudo. Nada de playback, nada de bateria eletr\u00f4nica, nada de samples. Teremos uma banda incr\u00edvel tocando tudo que sabe\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntado sobre artistas que admira fora do cen\u00e1rio da m\u00fasica heavy metal, Bruce Dickinson surpreende: \u201cSabe quem me inspira? Leonard Cohen [incr\u00edvel cantor e compositor canadense, morto em 2016, aos 82 anos]. Eu simplesmente amo as letras dele. Como era inteligente, e como fazia letras engra\u00e7adas e profundas. Tamb\u00e9m tinha uma voz muito particular. Quando eu tive c\u00e2ncer de garganta, me perguntaram o que aconteceria se eu perdesse totalmente a voz. E eu respondia: Ningu\u00e9m perde completamente a voz! Ela pode mudar, mas veja Leonard Cohen: ele canta como Pavarotti? N\u00e3o. E ele precisa cantar como Pavarotti? N\u00e3o. Ele tem a voz dele, e com ela est\u00e1 contando uma hist\u00f3ria. E isso \u00e9 inspirador para mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado na &#8220;Folha de S. Paulo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruce Dickinson n\u00e3o para: al\u00e9m de viajar o mundo todo como vocalista da banda Iron Maiden, o sujeito escreve livros e roteiros, apresentou programas de r\u00e1dio e TV, e \u00e9 piloto de avi\u00e3o. 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