{"id":3301,"date":"2024-01-19T06:00:00","date_gmt":"2024-01-19T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3301"},"modified":"2024-09-24T14:43:02","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:02","slug":"1991-mostra-o-nirvana-e-a-cena-alternativa-prestes-a-decolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/1991-mostra-o-nirvana-e-a-cena-alternativa-prestes-a-decolar\/","title":{"rendered":"\u201c1991\u201d mostra o Nirvana e a cena alternativa prestes a decolar"},"content":{"rendered":"\n<p>Ainda sobre a autobiografia de Thurston Moore: uma das passagens mais bonitas do livro narra a turn\u00ea europeia que o Sonic Youth fez com o Nirvana em 1991. Foi uma excurs\u00e3o curta, de apenas dez shows em cinco pa\u00edses &#8211; Irlanda, Inglaterra, Alemanha, B\u00e9lgica e Holanda &#8211; mas que marcou Thurston profundamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0quela \u00e9poca, o Sonic Youth tinha dez anos de estrada e j\u00e1 era um \u00edcone do rock alternativo norte-americano. O Nirvana confiava tanto neles que assinou com a gravadora Geffen s\u00f3 porque o Sonic Youth havia feito o mesmo. No livro, Thurston enche a bola do Nirvana e diz que os shows do trio eram absolutamente cat\u00e1rticos. Ele descreve assim o primeiro show da turn\u00ea, num clube min\u00fasculo na Irlanda: \u201cEm dez segundos, fiquei t\u00e3o estupefato com o Nirvana como fiquei da primeira vez que os vi, dois anos antes, no Maxwell\u2019s [um clube em Hoboken, New Jersey]. Na verdade, foi ainda mais chocante, porque Grohl havia elevado a banda a algo singular e poderoso, cantando harmonias com Kurt, fazendo de cada can\u00e7\u00e3o uma experi\u00eancia matadora. O p\u00fablico, que n\u00e3o tinha a menor ideia de quem eram aqueles caras, foi imediatamente encantado pelo poder do Nirvana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando as duas bandas chegam ao imenso festival de Reading, na Inglaterra, ficam espantadas com o tamanho e anima\u00e7\u00e3o da plateia. \u00c9 um mar de gente batendo cabe\u00e7a e fazendo gigantescas rodas de pogo. Thurston define aquele dia como o \u00e1pice de sua carreira, um momento de epifania em que ele e os companheiros de banda, depois de penarem por uma d\u00e9cada espremidos em vans fedorentas e tocando em buracos para meia d\u00fazia de pessoas, finalmente veem o rock alternativo triunfando: \u201cVer um p\u00fablico imenso daqueles dan\u00e7ando e gritando e tendo o dia mais divertido de suas vidas, n\u00e3o apenas quando n\u00f3s est\u00e1vamos no palco, mas com todas as bandas, foi algo espetacular. Os c\u00e9us ingleses nos saudaram, grandes e azuis com seu calor de fim da tarde\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os integrantes do Sonic Youth eram amigos do documentarista Dave Markey e o haviam convidado para registrar a turn\u00ea, onde tocariam ao lado de bandas amigas como Dinosaur Jr., Gumball, Mudhoney e Babes in Toyland, e de \u00eddolos como Iggy Pop e Ramones. O resultado foi \u201c1991: The Year Punk Broke\u201d, um document\u00e1rio \/ filme de viagem que est\u00e1 na \u00edntegra, e com legendas em portugu\u00eas, no Youtube, e que traz vers\u00f5es ao vivo de todos os artistas citados acima \u2013 com exce\u00e7\u00e3o de Iggy \u2013 e entrevistas com as bandas e cenas de bastidores (\u00e9 curioso ver Courtney Love nos bastidores da turn\u00ea e ler, no livro, Thurston Moore contando que foi nessa excurs\u00e3o que ela e Kurt se apaixonaram).<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o via \u201c1991\u201d h\u00e1 uns 30 anos e me emocionei muito revendo o filme. N\u00e3o por sua qualidade, que \u00e9 discut\u00edvel \u2013 parece um registro amador, com c\u00e2meras tremidas, som ruim e entrevistas que n\u00e3o passam de brincadeiras entre amigos \u2013 mas por capturar uma fase do rock alternativo que eu tive a sorte de presenciar <em>in loco<\/em>. Quinze dias depois dessa turn\u00ea de Sonic Youth e Nirvana pela Europa, eu chegava aos Estados Unidos para fazer meu livro \u201cBarulho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de 1991, pouco antes do lan\u00e7amento de \u201cNevermind\u201d, o disco do Nirvana que levaria o som alternativo para o <em>mainstream<\/em>, havia um clima de euforia entre f\u00e3s de <em>indie rock<\/em>. Em julho daquele ano, havia sido lan\u00e7ado o Lollapalooza, o primeiro festival itinerante da cena do rock alternativo. A quantidade de grandes discos lan\u00e7ados em 1991 \u00e9 impressionante: entre janeiro e fim de setembro, quando saiu \u201cNevermind\u201d, foram lan\u00e7ados LPs marcantes de Screaming Trees (\u201cUncle Anesthesia\u201d), Dinosaur Jr. (\u201cGreen Mind\u201d), Butthole Surfers (\u201cPiouhgd\u201d), REM (\u201cOut of Time\u201d), Slint (\u201cSpiderland\u201d), Melvins (\u201cBullhead\u201d), Ned\u2019s Atomic Dustbin (\u201cGod Fodder\u201d), Primus (\u201cSailing the Seas of Cheese\u201d), Smashing Pumpkins (\u201cGish\u201d), Babes in Toyland (\u201cTo Mother\u201d), Meat Puppets (\u201cForbidden Places\u201d), Mudhoney (\u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d), Fugazi (\u201cSteady Diet of Nothing\u201d), Pearl Jam (\u201cTen\u201d), Primal Scream (\u201cScreamadelica\u201d) e Pixies (\u201cTrompe Le Monde\u201d). Quando \u201cNevermind\u201d saiu, em 24 de setembro, implodiu um dique que j\u00e1 estava transbordando.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito bonito ler Thurston Moore falando desse per\u00edodo, quando todos n\u00f3s ach\u00e1vamos que o underground havia triunfado. Lembro chegar em S\u00e3o Francisco, primeira parada de uma viagem que durou quase dois meses, e ficar impressionado com a for\u00e7a da cena alternativa: lojas de discos lotadas, uma quantidade impressionante de shows, r\u00e1dios universit\u00e1rias bombando. Voc\u00ea abria os jornais de cada cidade e havia pelo menos uma d\u00fazia de bandas para ver em qualquer noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, isso n\u00e3o durou muito. Segundo Thurston Moore, dois anos depois, quando o Nirvana lan\u00e7ou o \u00e1lbum seguinte, \u201cIn Utero\u201d, j\u00e1 estava claro que alguma coisa havia mudado para pior. Ele descreve a tristeza que sentiu ao ver seus amigos do Nirvana, agora com a adi\u00e7\u00e3o do guitarrista Pat Smear, fazendo shows em arenas imensas com grades separando a banda da plateia. Ali, Thurston percebeu que o melhor havia ficado para tr\u00e1s. E no ano seguinte, quando recebe a not\u00edcia da morte de Kurt, ele ficou arrasado, mas n\u00e3o surpreso. J\u00e1 esperava pelo pior.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja aqui \u201c1991 \u2013 The Year Punk Broke\u201d. <\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1c8K3N-_Y3Y?si=cqo4TkQn6ZamxgeZ\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda sobre a autobiografia de Thurston Moore: uma das passagens mais bonitas do livro narra a turn\u00ea europeia que o Sonic Youth fez com o Nirvana em 1991. 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