{"id":3234,"date":"2023-11-22T13:41:07","date_gmt":"2023-11-22T13:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3234"},"modified":"2024-09-24T14:43:02","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:02","slug":"entrevista-black-pantera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/entrevista-black-pantera\/","title":{"rendered":"Entrevista: Black Pantera"},"content":{"rendered":"\n<p>Depois de quase uma d\u00e9cada de vida dura na cena underground, a banda mineira Black Pantera parece ter finalmente conquistado um lugar de destaque no rock brasileiro, expandindo seu f\u00e3-clube al\u00e9m do nicho do heavy metal: \u201cA Pitty diz que curte o nosso som, o Samuel Rosa, do Skank, tamb\u00e9m\u201d, diz o baixista e cantor Chaene da Gama. \u201cE o Dinho disse que ouve nossos discos no camarim do Capital Inicial. Isso nos deixa muito emocionados\u201d. N\u00e3o s\u00e3o apenas m\u00fasicos brasileiros que curtem a banda: depois de ver o Black Pantera tocando num festival, o cantor Mike Patton (Faith No More, Mr. Bungle) virou f\u00e3 a ponto de posar para fotos vestindo camisetas de banda.<\/p>\n\n\n\n<p>O Black Pantera surgiu em 2014 em Uberaba, Minas Gerais, e tem, al\u00e9m de Chaene, o irm\u00e3o Charles Gama (vocal e guitarra), e Rodrigo Pancho (baixo). Tr\u00eas m\u00fasicos negros que v\u00eam se destacando pela energia alucinante de seus shows e por m\u00fasicas que tratam de racismo e preconceito. Em 2023, pela primeira vez, os tr\u00eas conseguiram sobreviver financeiramente do Black Pantera. Charles p\u00f4de, enfim, largar o emprego num lava-jato, Chaene pediu demiss\u00e3o da gr\u00e1fica que o empregava, e Rodrigo passou a recusar convites para tocar em bailes de sertanejo e forr\u00f3. \u201cNossa vida agora \u00e9 100% Black Pantera\u201d, diz Chaene.<\/p>\n\n\n\n<p>A banda acaba de dar um passo importante para expandir ainda mais seu p\u00fablico: lan\u00e7ou um EP de cinco m\u00fasicas, \u201cGri\u00f4\u201d, primeiro disco cantado totalmente em ingl\u00eas. \u201cFoi uma necessidade\u201d, diz Rodrigo. \u201cJ\u00e1 hav\u00edamos gravado algumas m\u00fasicas em ingl\u00eas e tocado em grandes festivais, como Rock in Rio, Lollapalooza e Knotfest, mas sentimos que mais pessoas precisavam entender a mensagem de nossas m\u00fasicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A mensagem do Black Pantera \u00e9 clara: \u00e9 uma banda antirracista, mas que faz um tipo de som ainda muito associado \u00e0 cultura branca. \u201cO metal \u00e9 muito branco\u201d, diz Charles. \u201cQuando eu era mais novo e comecei a ouvir heavy metal, ficava fu\u00e7ando nas revistas para ver se encontrava algum m\u00fasico negro, mas era dif\u00edcil. Lembro quando ouvi Living Colour [banda norte-americana formada em 1984] pela primeira vez. Eu pirei no som, mas a capa do disco n\u00e3o tinha foto da banda. A\u00ed, um amigo disse que era uma banda preta. Eu n\u00e3o acreditei, fiquei louco com aquilo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A admira\u00e7\u00e3o pelo Living Colour aumentou ainda mais em 2022, quando o Black Pantera foi convidado para tocar no Rock in Rio e atraiu a aten\u00e7\u00e3o dos \u00eddolos gringos: \u201cA gente estava ensaiando no local do show, e de repente o Charles come\u00e7ou a errar as letras\u201d, lembra Chaene. \u201cEu olhei pra porta, e o Corey [Glover, cantor] e o Doug [Wimbish, baixista], estavam vendo o nosso ensaio. Depois, o Vernon [Reid, guitarrista do Living Colour] falou de n\u00f3s durante uma entrevista ao Multishow. Cara, que coisa surreal!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Se o Black Pantera foi inspirado por bandas negras mais antigas \u2013 os tr\u00eas citam Renato Rocha (Legi\u00e3o Urbana), Clemente (Inocentes), Canibal (Devotos) e Derrick Green (Sepultura) como exemplos importantes de m\u00fasicos negros &#8211; agora s\u00e3o os mineiros que influenciam novas gera\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 muito lindo olhar o p\u00fablico de nossos shows e ver a variedade de gente\u201d, diz Rodrigo. \u201cOutro dia, em um show nosso, havia uma m\u00e3e com um menino preto, os dois coladinhos na grade, e o menino parecia extasiado, foi uma coisa muito bonita de ver\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas esperam que \u201cGri\u00f4\u201d ajude a abrir as portas do mercado internacional, mas j\u00e1 preparam um novo disco, o quarto LP, que deve sair em 2024, e continuam a cumprir uma agenda de shows cada vez mais cheia. \u201cA cena underground no Brasil est\u00e1 efervescente\u201d, diz Charles. \u201cO Brasil est\u00e1 recheado de bandas incr\u00edveis. Outro dia, tocamos em Bras\u00edlia com uma banda chamada Desonra, e os caras eram t\u00e3o bons que eu fiquei at\u00e9 com medo de subir no palco depois. Os caras moeram\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo fazendo um som muito r\u00e1pido e pesado, os integrantes do Black Pantera t\u00eam visto uma presen\u00e7a feminina cada vez maior em seus shows. \u201c\u00c9 impressionante a quantidade de mulheres que est\u00e3o ouvindo Black Pantera\u201d, diz Chaene. \u201cEm nossos shows, h\u00e1 o momento da \u2018roda das minas\u2019, e \u00e9 muito bonito ver que muitas delas est\u00e3o entrando numa roda punk pela primeira vez. N\u00e3o \u00e9 raro elas dizerem que aquilo foi um momento muito libertador, achamos isso lindo. A cena brasileira precisa de mais ecletismo, precisa de mais bandas femininas, LGBT, de mais artistas ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado na &#8220;Folha de S. Paulo&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de quase uma d\u00e9cada de vida dura na cena underground, a banda mineira Black Pantera parece ter finalmente conquistado um lugar de destaque no rock brasileiro, expandindo seu f\u00e3-clube al\u00e9m do nicho do heavy metal: \u201cA Pitty diz que curte o nosso som, o Samuel Rosa, do Skank, tamb\u00e9m\u201d, diz o baixista e cantor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3235,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1348,1357,1342],"tags":[1100],"class_list":["post-3234","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","category-exclusivo","category-musica","tag-black-pantera"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3234"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3234\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}