{"id":3178,"date":"2023-10-23T06:00:00","date_gmt":"2023-10-23T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3178"},"modified":"2024-09-24T14:43:02","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:02","slug":"filme-novo-de-errol-morris-e-sempre-motivo-de-festa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/filme-novo-de-errol-morris-e-sempre-motivo-de-festa\/","title":{"rendered":"Filme novo de Errol Morris \u00e9 sempre motivo de festa"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Quem acompanha o blog sabe da admira\u00e7\u00e3o que tenho pelo cineasta norte-americano Errol Morris, diretor de document\u00e1rios fora de s\u00e9rie como \u201cSob a N\u00e9voa da Guerra\u201d e \u201cThe Thin&nbsp; Blue Line\u201d, entre tantos outros. A Apple TV acaba de estrear o mais recente filme de Morris, \u201cO T\u00fanel dos Pombos\u201d, perfil de David Cornwell (1931-1920), ex-espi\u00e3o brit\u00e2nico que, sob o pseud\u00f4nimo John le Carr\u00e9, tornou-se o mais celebrado autor de romances de espionagem de todos os tempos. Fiz, para a \u201cFolha\u201d, um perfil de Morris, que reproduzo abaixo. E quarta-feira, dia 25, escrevo aqui uma cr\u00edtica de \u201cO T\u00fanel dos Pombos\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 40 anos, nenhum cineasta fez tanto para expandir as possibilidades tem\u00e1ticas, est\u00e9ticas e narrativas do cinema documental quanto Errol Morris. Desde 1978, quando estreou na dire\u00e7\u00e3o com \u201cGates of Heaven\u201d, bizarra hist\u00f3ria sobre um cemit\u00e9rio de animais de estima\u00e7\u00e3o, esse norte-americano de 75 anos vem criando document\u00e1rios para cinema e TV que trazem um olhar pessoal e um estilo pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu filme mais recente \u00e9 \u201cO T\u00fanel de Pombos\u201d, perfil do ex-espi\u00e3o brit\u00e2nico David Cornwell (1931-2020), que, sob o pseud\u00f4nimo John le Carr\u00e9, lan\u00e7ou romances cl\u00e1ssicos de espionagem, como \u201cO Espi\u00e3o Que Sabia Demais\u201d e \u201cO Espi\u00e3o Que Veio do Frio\u201d. O filme ser\u00e1 exibido dia 19 de outubro, \u00e0s 20h, no Cinesesc, dentro da programa\u00e7\u00e3o da Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo, e chega ao cat\u00e1logo da Apple TV no dia seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cO T\u00fanel de Pombos\u201d traz as principais caracter\u00edsticas do cinema de Morris: um personagem central fascinante e que esconde muitos segredos, um senso est\u00e9tico peculiar, com cenas bem filmadas e cen\u00e1rios criativos (certamente fruto das d\u00e9cadas de trabalho de Morris em publicidade para marcas como Apple, Nike, Volkswagen e Citibank) e um forte rigor jornal\u00edstico. Assim como acontece em v\u00e1rios filmes de Morris, o espectador ouve a voz dele entrevistando os personagens, mas n\u00e3o o v\u00ea. Isso porque o cineasta desenvolveu, h\u00e1 cerca de 30 anos, um aparelho chamado Interrotron, que, por um engenhoso jogo de espelhos e c\u00e2meras, permite que o entrevistado olhe para uma tela em que o rosto de Morris \u00e9 projetado e que tem, atr\u00e1s dela, uma c\u00e2mera. O resultado s\u00e3o entrevistas em que o entrevistado parece olhar diretamente para os olhos do espectador, criando uma forte conex\u00e3o emocional no espectador.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da carreira, Morris se notabilizou por filmes que investigavam personagens e situa\u00e7\u00f5es fora do normal. \u201cVernon, Florida\u201d (1981), segundo document\u00e1rio do cineasta, tra\u00e7ava perfis de residentes de uma cidadezinha com um alt\u00edssimo n\u00famero de \u201cacidentes\u201d que resultaram em perdas de membros, num esquema para coletar dinheiro de seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1988, Morris lan\u00e7ou \u201cThe Thin Blue Line\u201d, investiga\u00e7\u00e3o sobre os erros no julgamento de um homem acusado de matar um policial. O filme provou que testemunhas haviam dado depoimentos incorretos e que havia uma grande chance de o r\u00e9u, que estava h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada esperando execu\u00e7\u00e3o, ser inocente. O suposto assassino acabou solto pela Justi\u00e7a. O filme fez grande sucesso no circuito de cinema documental e \u00e9 considerado por muitos cr\u00edticos um dos grandes document\u00e1rios j\u00e1 feitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a fama resultante do sucesso de \u201cThe Thin Blue Line\u201d, Morris p\u00f4de se lan\u00e7ar em projetos mais ambiciosos e caros: fez \u201cUma Breve Hist\u00f3ria do Tempo\u201d (1991), perfil do f\u00edsico Stephen Hawking, \u201cDr. Morte\u201d (1999), sobre Fred A. Leuchter, um especialista na constru\u00e7\u00e3o de cadeiras el\u00e9tricas e outros instrumentos de execu\u00e7\u00e3o (e tamb\u00e9m negacionista do Holocausto), e \u201cProcedimento Operacional Padr\u00e3o\u201d (2008), em que investigou as fotografias de torturas e humilha\u00e7\u00f5es a presos, tiradas por militares norte-americanos na pris\u00e3o de Abu Ghraib, no Iraque.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2003, Morris dirigiu \u201cSob a N\u00e9voa da Guerra\u201d, sobre Robert S. McNamara, Secret\u00e1rio de Defesa norte-americano durante a Guerra do Vietn\u00e3. O filme ganhou o Oscar de melhor document\u00e1rio e iniciou uma s\u00e9rie de filmes em que Morris tra\u00e7ava perfis de homens poderosos e de extrema proximidade com governos. Depois do filme sobre McNamara, Errol Morris dirigiu document\u00e1rios sobre o Secret\u00e1rio de Defesa dos EUA na Guerra do Iraque, Donald Rumsfeld (\u201cO Conhecido Desconhecido\u201d, de 2013), sobre o estrategista pol\u00edtico de extrema-direita Steve Bannon (\u201cAmerican Dharma\u201d, de 2018) e, agora, sobre John le Carr\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de toda a carreira, Errol Morris teve o apoio e inspira\u00e7\u00e3o de outro cineasta tamb\u00e9m interessado em personagens estranhos e peculiares: o alem\u00e3o Werner Herzog, diretor de filmes como \u201cFitzcarraldo\u201d e \u201cAguirre, a C\u00f3lera dos Deuses\u201d e que, nos \u00faltimos anos, tem feito document\u00e1rios brilhantes. Em 1975, quando ainda era estudante de cinema, Morris iniciou um projeto sobre o assassino serial Ed Gein (que \u201cinspirou\u201d os personagens de \u201cPsicose\u201d, de Alfred Hitchcock, \u201cO Massacre da Serra El\u00e9trica\u201d e \u201cSil\u00eancio dos Inocentes\u201d), e convenceu Herzog a ajud\u00e1-lo a abrir a sepultura da m\u00e3e de Gein para provar uma teoria segundo a qual Gein teria roubado o corpo. Herzog foi ao cemit\u00e9rio, mas Morris desistiu na \u00faltima hora. Irritado, Herzog disse que Morris nunca terminaria um filme e prometeu comer um sapato se o amigo finalmente estreasse no cinema. Em 1980, no lan\u00e7amento de \u201cGates of Heaven\u201d, Herzog cumpriu a promessa: cozinhou um sapato por algumas horas e, diante da plateia do filme, comeu o cal\u00e7ado, deixando de lado apenas a sola. \u201cQuando voc\u00ea come uma galinha, n\u00e3o engole os ossos, n\u00e3o \u00e9 mesmo?\u201d H\u00e1 um filme sobre esse evento gastron\u00f4mico, chamado \u201cWerner Herzog Eats His Shoe\u201d. Trechos podem ser vistos no Youtube.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cNczjk-xLfM?si=NOdvbwh30Zwo44-R\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o esque\u00e7am: amanh\u00e3, \u00e0s 20h30, temos um debate sobre o manguebeat com a jornalista e apresentadora Lorena Calabria, autora de um livro sobre o disco \u201cDa Lama ao Caos\u201d, de Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi. Participem!<\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00f3tima semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem acompanha o blog sabe da admira\u00e7\u00e3o que tenho pelo cineasta norte-americano Errol Morris, diretor de document\u00e1rios fora de s\u00e9rie como \u201cSob a N\u00e9voa da Guerra\u201d e \u201cThe Thin&nbsp; Blue Line\u201d, entre tantos outros. 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