{"id":3041,"date":"2023-08-05T06:00:00","date_gmt":"2023-08-05T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=3041"},"modified":"2024-09-24T14:43:02","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:02","slug":"do-arquivo-max-martin-o-mago-do-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/do-arquivo-max-martin-o-mago-do-pop\/","title":{"rendered":"Do Arquivo: Max Martin, o mago do pop"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Publicado originalmente em 2015<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ontem foi lan\u00e7ado nos Estados Unidos um livro que promete ser formid\u00e1vel: \u201cThe Song Machine: Inside the Hit Factory\u201d, de John Seabrook, rep\u00f3rter da revista \u201cThe New Yorker\u201d. O livro fala da m\u00fasica pop dos \u00faltimos 20 anos e do sucesso de artistas inventados em laborat\u00f3rio como Britney Spears, Beyonc\u00e9, Rihanna, Katy Perry e Kelly Clarkson. Mas os grandes personagens da narrativa s\u00e3o nomes pouco conhecidos do grande p\u00fablico: Max Martin, Dr. Luke, Stargate e Ester Dean, bruxos de est\u00fadio que inventaram esses Frankensteins sonoros. J\u00e1 encomendei meu exemplar e escreverei sobre o livro aqui no blog.<\/p>\n\n\n\n<p>Semana passada, John Seabrook publicou um aperitivo no site da \u201cNew Yorker\u201d: um curto perfil de um sueco de 44 anos chamado Karl Martin Sandberg, mais conhecido por Max Martin. Escreve Seabrook: \u201cMartin \u00e9 o Cyrano de Bergerac da cena pop atual, o poeta escondido embaixo da sacada, sussurrando as melodias que fizeram as carreiras de muita gente: \u2018Baby One More Time\u2019, de Britney Spears, \u2018Since U Been Gone\u2019, de Kelly Clarkson, e \u2018I Kissed a Girl\u2019, de Katy Perry. As m\u00fasicas que ele coescreveu ou coproduziu para Taylor Swift, incluindo seus oito sucessos mais recentes, a transformaram de uma cantora popular em uma popstar capaz de lotar est\u00e1dios (a recente turn\u00ea \u20181989\u2019j\u00e1 faturou 150 milh\u00f5es de d\u00f3lares)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Martin, um f\u00e3 de pop dos anos 80 (Depeche Mode, Bangles) e do rock pesado do Kiss, \u00e9 respons\u00e1vel por 21 m\u00fasicas que lideraram a parada da revista \u201cBillboard\u201d. Seabrook diz que o som caracter\u00edstico das produ\u00e7\u00f5es de Martin \u00e9 uma \u201cmistura dos acordes e texturas pop do ABBA, refr\u00e3os do rock de arena dos anos 80 e grooves de R&amp;B norte-americano dos anos 90\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado impressionante do artigo: segundo pesquisas, 25% das m\u00fasicas que chegaram ao Top 10 da \u201cBillboard\u201d em 2014 foram compostas ou produzidas por suecos como Max Martin, Andreas Carlsson, J\u00f6rgen Elofsson e Per Magnusson. Um n\u00famero incr\u00edvel para um pa\u00eds de apenas 10 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O que leva a uma quest\u00e3o que sempre intrigou f\u00e3s de m\u00fasica pop: como a Su\u00e9cia pode ter tantas bandas e produtores de sucesso? Desde os anos 70, a lista s\u00f3 cresce: ABBA, Roxette, Europe, Ace of Base, Cardigans, Robyn e, mais recentemente, Swedish House Mafia, Icona Pop e Avicci.<\/p>\n\n\n\n<p>Seabrook tem explica\u00e7\u00f5es muito interessantes: em primeiro lugar, ele credita um eficiente e abrangente sistema de educa\u00e7\u00e3o musical em escolas p\u00fablicas (o pr\u00f3prio Max Martin \u00e9 um exemplo, tendo estudado diversos instrumentos na escola).<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, diz Seabrook, as can\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas e hinos suecos trazem elementos mel\u00f3dicos simples e muito \u201capelativos\u201d (o autor diz que at\u00e9 o hino nacional sueco lembra uma m\u00fasica pop).<\/p>\n\n\n\n<p>Some-se a isso o alt\u00edssimo n\u00famero de suecos que falam ingl\u00eas (cerca de 90% da popula\u00e7\u00e3o), uma xenofilia expl\u00edcita, especialmente em rela\u00e7\u00e3o a culturas anglo-americanas, o grande interesse da popula\u00e7\u00e3o por tecnologia e a extraordin\u00e1ria infraestrutura de Internet do pa\u00eds, e voc\u00ea tem condi\u00e7\u00f5es ideais para o surgimento de muitos profissionais da m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Seabrook vai al\u00e9m: segundo ele, embora a grande maioria dos suecos fale ingl\u00eas, muitos o fazem de maneira simpl\u00f3ria, sem arriscarem met\u00e1foras, duplos sentidos ou ironias. Isso faz com que as letras produzidas soem muito simples, quase infantis, o que pode explicar sua acessibilidade. De fato, toda letra de m\u00fasica do ABBA parece ter sido escrita por um adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSuecos s\u00e3o mais inclinados a encaixar as s\u00edlabas nas melodias sem se preocupar se os versos fazem algum sentido\u201d, escreve Seabrook. Esse m\u00e9todo foi aperfei\u00e7oado cientificamente por Max Martin, que tem uma grande equipe para auxili\u00e1-lo no que chama de \u201cmatem\u00e1tica mel\u00f3dica\u201d, um m\u00e9todo de constru\u00e7\u00e3o de letras em cima da base sonora.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumindo: os hinos pop adolescentes cantados por Katy Perry e Taylor Swift n\u00e3o refletem os anseios e desejos das teenagers americanas, mas vers\u00f5es desses anseios, imaginados por um sueco quarent\u00e3o que mais parece cantor de banda de metal farofa. Isso \u00e9 pop.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo s\u00e1bado a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em 2015 Ontem foi lan\u00e7ado nos Estados Unidos um livro que promete ser formid\u00e1vel: \u201cThe Song Machine: Inside the Hit Factory\u201d, de John Seabrook, rep\u00f3rter da revista \u201cThe New Yorker\u201d. 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