{"id":2877,"date":"2023-05-31T06:00:00","date_gmt":"2023-05-31T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2877"},"modified":"2024-09-24T14:43:03","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:03","slug":"critica-love-to-love-you-donna-summer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/critica-love-to-love-you-donna-summer\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cLove to Love You, Donna Summer\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma das tend\u00eancias mais irritantes do cinema documental dos \u00faltimos anos \u00e9 o \u201cFilme de fam\u00edlia\u201d. N\u00e3o sei se \u00e9 consequ\u00eancia da popularidade de \u201creality shows\u201d familiares, mas o fato \u00e9 que temos visto um crescimento impressionante no n\u00famero de document\u00e1rios feitos por parentes dos retratados. \u00c9 como se a hist\u00f3ria de vida desses personagens j\u00e1 n\u00e3o bastasse. Agora, \u00e9 necess\u00e1rio, a exemplo dos \u201crealities\u201d, explorar a din\u00e2mica interna de sua fam\u00edlia e seus conflitos com filhos e pais.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que, muitas vezes, a biografia do personagem \u00e9 muito mais interessante do que eventuais dilemas familiares, que s\u00e3o jogados na narrativa apenas para tentar \u201chumanizar\u201d a hist\u00f3ria. Um exemplo recente \u00e9 o de \u201cSr.\u201d, doc feito pelo ator Robert Downey Jr. sobre o pai, o cineasta Robert Downey Sr.: as partes que contam a vida e carreira do pai s\u00e3o \u00f3timas; as DRs familiares s\u00e3o bem chatas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dia, parei de ver no meio <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=stXSFuUOdeU\">um doc<\/a> sobre uma figura que admiro demais, a cantora Poly Styrene, do grupo punk X-Ray Spex, depois de ver que a diretora, Celeste Bell, filha de Poly, era a personagem principal do filme e passava o tempo todo \u201ctentando entender\u201d quem era a m\u00e3e. Ora, eu quero saber sobre Poly, n\u00e3o sobre a filha.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ser justo, preciso dizer que nem todo filme \u201cfamiliar\u201d sofre desse mal: \u201cWhatever Happened, Miss Simone?\u201d, sobre a cantora Nina Simone, \u00e9 um filme muito equilibrado e jornalisticamente v\u00e1lido, mesmo sendo produzido pela filha de Nina, Lisa Simone. Mas \u00e9 um caso raro.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dias, a HBO Max estreou \u201cLove to Love You, Donna Summer\u201d. Como f\u00e3 de Donna e amante da <em>disco music<\/em>, fui correndo assistir. Juro que s\u00f3 cheguei ao fim por obriga\u00e7\u00e3o profissional e para escrever esse texto, porque o filme \u00e9 lament\u00e1vel do in\u00edcio ao fim. Dirigido pela filha de Donna, Brooklyn Sudano, em parceria com Roger Ross Williams (diretor de um bom doc sobre o lend\u00e1rio teatro Apollo, meca da m\u00fasica negra em Nova York, e tamb\u00e9m dispon\u00edvel na HBO Max), o filme deixa de lado informa\u00e7\u00f5es documentais importantes para se concentrar em dilemas familiares que, no fim das contas, n\u00e3o s\u00e3o interessantes como os diretores querem fazer parecer. Na quarta vez que Brooklyn aparece chorando ao ver fotos da m\u00e3e, minha vontade era desligar a TV e botar um disco de Donna Summer na vitrola.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c1NoZ7V7JHk\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Donna \u00e9 um dos grandes \u00edcones da discoteca. Sua grava\u00e7\u00e3o de \u201cLove to Love You Baby\u201d, de 1975, \u00e9 um marco do g\u00eanero. Pois bem: os g\u00eanios de produ\u00e7\u00e3o que conceberam a m\u00fasica, o italiano Giorgio Moroder e o ingl\u00eas Pete Bellotte, s\u00e3o entrevistado em <em>off<\/em>, sem imagem, e sem nenhuma contextualiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 UMA explica\u00e7\u00e3o sobre quem eles s\u00e3o, que tipo de m\u00fasica faziam nos anos 70 e como criaram a batida eletr\u00f4nica repetitiva que marcaria a m\u00fasica dan\u00e7ante para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, o filme n\u00e3o perde tempo explicando as origens da discoteca, um g\u00eanero nascido nos Estados Unidos em boates gays frequentadas por negros e latinos, e que depois se espalhou para todo o mundo. \u00c9 uma hist\u00f3ria fascinante, da qual Donna Summer foi um nome fundamental. Mas quem assiste ao filme n\u00e3o sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez disso, temos intermin\u00e1veis cenas em que as filhas de Donna conversam sobre a m\u00e3e e repetem, <em>ad nauseam<\/em>, que ela era uma mo\u00e7a religiosa e careta que foi \u201cobrigada\u201d a interpretar o papel de <em>sex symbol<\/em>. Um acontecimento realmente forte e marcante \u2013 o suposto estupro de Donna, ainda adolescente, por um pastor da igreja que a fam\u00edlia frequentava &#8211; &nbsp;recebe menos aten\u00e7\u00e3o do que divaga\u00e7\u00f5es sobre a suposta tristeza que a cantora sentia ao fazer o papel de <em>femme fatale<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLove to Love You, Donna Summer\u201d vale por cenas de arquivo sensacionais do Studio 54 e de outras casas noturnas cl\u00e1ssicas do per\u00edodo, assim como n\u00fameros musicais de Donna Summer, incluindo um famoso show no Hollywood Bowl, em Los Angeles. Mas, jornalisticamente, o filme deixa muito a desejar. \u00c9 uma pena ver uma personagem t\u00e3o importante desperdi\u00e7ada num filme t\u00e3o pouco inspirado.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo dia a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das tend\u00eancias mais irritantes do cinema documental dos \u00faltimos anos \u00e9 o \u201cFilme de fam\u00edlia\u201d. 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