{"id":2738,"date":"2023-03-29T06:00:00","date_gmt":"2023-03-29T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2738"},"modified":"2024-09-24T14:43:03","modified_gmt":"2024-09-24T17:43:03","slug":"meu-odio-sera-sua-heranca-a-reinvencao-do-faroeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/meu-odio-sera-sua-heranca-a-reinvencao-do-faroeste\/","title":{"rendered":"\u201cMeu \u00d3dio Ser\u00e1 Sua Heran\u00e7a\u201d: a reinven\u00e7\u00e3o do faroeste"},"content":{"rendered":"\n<p>A HBO Max acaba de incluir no cat\u00e1logo tr\u00eas grandes filmes. Dois deles s\u00e3o \u201cSerpico\u201d (1973), o drama policial dirigido por Sidney Lumet em que Al Pacino faz um policial honesto \u00e0s voltas com a corrup\u00e7\u00e3o do departamento de pol\u00edcia de Nova York, e \u201cA \u00daltima Sess\u00e3o de Cinema\u201d (1971), o sens\u00edvel filme de Peter Bogdanovich sobre jovens crescendo numa pequena cidade do interior do Texas, nos anos 1950. Mas eu gostaria de destacar o terceiro, \u201cMeu \u00d3dio Ser\u00e1 Sua Heran\u00e7a\u201d (1969), o cl\u00e1ssico faroeste de Sam Peckinpah.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que alguns v\u00e3o me chamar de maluco, mas considero este o maior faroeste j\u00e1 feito. Para meu gosto \u2013 e quando chegamos&nbsp; a esse n\u00edvel de qualidade de filmes, a escolha passa a ser puramente pessoal e por afinidade \u2013 supera at\u00e9 mesmo obras-primas como \u201cEra Uma Vez no Oeste\u201d e \u201cRastros de \u00d3dio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu \u00d3dio Ser\u00e1 Sua Heran\u00e7a\u201d \u00e9 \u201co\u201d faroeste revisionista por excel\u00eancia. Um filme que ignorou as f\u00f3rmulas do estilo e conseguiu transformar em contracultura o g\u00eanero mais tradicionalista e careta do cinema americano. A juventude do fim dos 60 p\u00f4de ver um faroeste que n\u00e3o era estrelado por John Wayne e que ia contra o que o americanismo dele pregava. O t\u00edtulo original, infinitamente melhor que a vers\u00e3o em portugu\u00eas, dizia tudo: \u201cA Gangue Selvagem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria se passa em 1913, quando o \u201cVelho Oeste\u201d j\u00e1 n\u00e3o era mais o mesmo, e a trama do filme espelha os conflitos geracionais t\u00e3o em voga em 1969: na fronteira do M\u00e9xico com os EUA, um bando de caub\u00f3is fora-da-lei, liderados pelo velho Pike Bishop (William Holden),precisa se adaptar aos novos tempos. E s\u00e3o tempos sombrios: ningu\u00e9m respeita ningu\u00e9m, a lideran\u00e7a de Pike \u00e9 posta \u00e0 prova quando uma gangue rival a ataca e mata metade de seus homens e, para piorar, h\u00e1 a amea\u00e7a do s\u00e1dico e corrupto General Mapache (Emilio Fern\u00e1ndez), l\u00edder de uma fa\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito mexicano que combate o revolucion\u00e1rio Pancho Villa.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/24UiXGgMRtg\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>N\u00e3o espere aquela velha hist\u00f3ria de mocinhos contra bandidos. No mundo de Sam Peckinpah, ningu\u00e9m \u00e9 mocinho. N\u00e3o h\u00e1 li\u00e7\u00e3o de moral ou her\u00f3is em cavalos brancos salvando donzelas. Uma prociss\u00e3o em defesa da moral e dos bons costumes \u00e9 usada como escudo por bandidos num tiroteio. William Holden, her\u00f3i de Hollywood, atira numa mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>Esteticamente, o filme foi revolucion\u00e1rio pelo uso de c\u00e2mera lenta e pela coreografia das cenas de tiroteio. Peckinpah inovou o g\u00eanero dos filmes de a\u00e7\u00e3o e criou um visual que seria copiado infinitas vezes depois. Um verdadeiro bal\u00e9 de sangue. \u00c9 imposs\u00edvel dimensionar o impacto que esse filme teve no cinema asi\u00e1tico e em diretores como Tarantino, Refn e John Woo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando lan\u00e7ado, \u201cMeu \u00d3dio Ser\u00e1 Sua Heran\u00e7a\u201d causou pol\u00eamica. A cr\u00edtica mais tradicionalista viu no filme um exerc\u00edcio de sadismo, mas a ent\u00e3o nova gera\u00e7\u00e3o de cr\u00edticos enxergou alus\u00f5es \u00e0 Guerra do Vietn\u00e3 e uma tentativa de criar um faroeste que dialogasse com os novos tempos. E mesmo que Peckinpah j\u00e1 fosse, em 1969, um cineasta veterano, o filme foi um dos marcos da Nova Hollywood.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez, nos anos 90, participei de uma entrega de pr\u00eamios de cinema e, por muita sorte, sentei na mesma mesa do famoso cr\u00edtico Roger Ebert, a quem eu admirava demais. Eu havia acabado de ler uma biografia de Peckinpah, \u201cIf They Move&#8230; Kill\u2019em!\u201d, de David Weddle, que mencionava a cr\u00edtica entusiasmada que um ent\u00e3o jovem Ebert escrevera sobre o filme. Perguntei a Ebert como foi assistir \u00e0quele filme em 1969, e ele desembestou a falar sobre o impacto de ver, uma tela grande, as imagens inesquec\u00edveis criadas por Sam Peckinpah.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo dia a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A HBO Max acaba de incluir no cat\u00e1logo tr\u00eas grandes filmes. 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