{"id":2705,"date":"2023-03-11T06:00:00","date_gmt":"2023-03-11T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2705"},"modified":"2024-09-02T12:44:19","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:19","slug":"do-arquivo-adeus-a-george-martin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/do-arquivo-adeus-a-george-martin\/","title":{"rendered":"Do Arquivo: Adeus a George Martin"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Publicado originalmente na \u201cFolha de S. Paulo\u201d em mar\u00e7o de 2016<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>George Martin, o produtor musical, arranjador e compositor cuja genialidade, capacidade de inven\u00e7\u00e3o e gosto pela experimenta\u00e7\u00e3o ajudaram a fazer dos Beatles um dos tesouros da m\u00fasica do s\u00e9culo 20, morreu dia 8 em Londres, aos 90 anos, de causas n\u00e3o divulgadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa carreira de mais de seis d\u00e9cadas, Martin \u2013 chamado de \u201cO quinto Beatle\u201d &#8211; trabalhou com m\u00fasica cl\u00e1ssica, gravou discos de humor, comp\u00f4s trilhas sonoras para cinema e produziu artistas famosos como Elton John, Wings, Ella Fitzgerald, America, Robin Gibb e Gerry and the Pacemakers. Mas foi seu trabalho em 13 \u00e1lbuns dos Beatles que o tornou conhecido como um dos grandes produtores da m\u00fasica pop, um bruxo de est\u00fadio que criou alguns dos momentos mais memor\u00e1veis da m\u00fasica pop.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu arranjo de cordas em \u201cEleanor Rigby\u201d, a tabla indiana que colocou em \u201cLove You To\u201d, o quarteto de cordas em \u201cYesterday\u201d, a guitarra gravada de tr\u00e1s para frente dando o tom psicod\u00e9lico a \u201cTomorrow Never Knows\u201d, sua orquestra\u00e7\u00e3o marcante e aparentemente ca\u00f3tica em \u201cA Day in the Life\u201d, o coral de 16 pessoas cantando frases sem sentido para real\u00e7ar a confus\u00e3o no fim de \u201cI am the Walrus\u201d, foram algumas das ideias de Martin que os Beatles incorporaram a suas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando conheceu os Beatles, em 1962, Martin tinha 36 anos e j\u00e1 era um veterano da ind\u00fastria da m\u00fasica, tendo estudado m\u00fasica cl\u00e1ssica e gravado in\u00fameros discos para a gravadora Parlophone, aonde chegara em 1950. Martin reconheceu naqueles quatro jovens de vinte e poucos anos um talento incomum para compor can\u00e7\u00f5es memor\u00e1veis. Tudo que precisavam era algu\u00e9m que abrisse seus horizontes musicais.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que Martin fez. Aproveitando as tecnologias de est\u00fadio que surgiram no fim dos anos 1950, especialmente gravadores que permitiram captar som em m\u00faltiplos canais, o produtor come\u00e7ou, gradualmente, a fazer dos discos dos Beatles plataformas de experimenta\u00e7\u00f5es sonoras. Suas primeiras sugest\u00f5es foram simples: acelerar o andamento de \u201cPlease Please Me\u201d (1962), adicionar piano (tocado pelo pr\u00f3prio Martin) em faixas como \u201cYou Really Got a Hold on Me\u201d (1963) e \u201cMoney\u201d (1963) e \u00f3rg\u00e3o em \u201cI Wanna Be Your Man\u201d (1963)<\/p>\n\n\n\n<p>Com a r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o musical dos Beatles, Martin come\u00e7ou a sugerir arranjos e produ\u00e7\u00f5es mais complexos. Logo, John Lennon e Paul McCartney perceberam as infinitas possibilidades do est\u00fadio. Foi a partir do trabalho de produtores como Martin na Inglaterra e Phil Spector nos Estados Unidos que o est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser visto como um local de testes e experimenta\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o apenas como o lugar onde se gravava bandas da mesma forma como elas soavam ao vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados dos anos 1960, com a guinada psicod\u00e9lica do grupo \u2013 e especialmente depois que os Beatles pararam de fazer turn\u00eas, em 1966 &#8211; a banda e Martin mergulharam de cabe\u00e7a nos experimentalismos s\u00f4nicos que resultariam em \u00e1lbuns cl\u00e1ssicos como \u201cRubber Soul\u201d (1965), \u201cRevolver\u201d (1966) e \u201cSgt. Pepper\u2019s Lonely Hearts Club Band\u201d (1967). As inova\u00e7\u00f5es que eles criaram marcariam a m\u00fasica pop para sempre, provando que era poss\u00edvel fazer um trabalho experimental e de vanguarda, mas tamb\u00e9m de imenso sucesso comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cIn My Life\u201d (1965), Martin gravou um solo no piano el\u00e9trico a metade da velocidade normal. Quando a fita foi rodada na velocidade certa, o som lembrava o de um cravo. Em \u201cTomorrow Never Knows\u201d (1966), o produtor gravou a voz de Lennon saindo de um alto-falante Leslie, geralmente usado para gravar teclados. O resultado foi uma distor\u00e7\u00e3o fantasmag\u00f3rica da voz, que real\u00e7ou o tom surrealista e l\u00fadico da can\u00e7\u00e3o. Os arranjos orquestrais, de corais e cordas que Martin fez para faixas como \u201cA Day in the Life\u201d (1967), \u201cI am the Walrus\u201d (1967), \u201cEleanor Rigby\u201d (1966) \u201cAll You Need is Love\u201d (1967) e \u201cStrawberry Fields Forever\u201d (1967) tornaram as can\u00e7\u00f5es eternas. Al\u00e9m de bilh\u00f5es de f\u00e3s, George Martin deixou a esposa Judy Lockhart Smith, com quem era casado h\u00e1 quase 50 anos, e quatro filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente na \u201cFolha de S. Paulo\u201d em mar\u00e7o de 2016 George Martin, o produtor musical, arranjador e compositor cuja genialidade, capacidade de inven\u00e7\u00e3o e gosto pela experimenta\u00e7\u00e3o ajudaram a fazer dos Beatles um dos tesouros da m\u00fasica do s\u00e9culo 20, morreu dia 8 em Londres, aos 90 anos, de causas n\u00e3o divulgadas. 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