{"id":2632,"date":"2023-02-18T06:00:00","date_gmt":"2023-02-18T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2632"},"modified":"2024-09-02T12:44:20","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:20","slug":"do-arquivo-didi-dede-mussum-e-christopher-nolan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/do-arquivo-didi-dede-mussum-e-christopher-nolan\/","title":{"rendered":"Do Arquivo: Didi, Ded\u00e9, Mussum e Christopher Nolan"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Publicado originalmente em novembro de 2014<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse Christopher Nolan \u00e9 um fanfarr\u00e3o. Um <em>poseur<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Seus filmes s\u00e3o todos iguais: besteir\u00f3is vendidos com embalagem de profunda divaga\u00e7\u00e3o existencial. A f\u00f3rmula \u00e9 eficiente: empilhe uma cena sem sentido em cima da outra e adicione di\u00e1logos supostamente complexos e eruditos. Depois de algum tempo, nada faz sentido, mas a barragem de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alta e intranspon\u00edvel que o p\u00fablico passa a achar tudo genial. Boa, Nolan.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cInterestelar\u201d se passa num futuro pr\u00f3ximo. Ficamos sabendo que ocorreu uma \u201cguerra da comida\u201d e que n\u00e3o existem mais ex\u00e9rcitos no mundo. Quase todos os cidad\u00e3os viraram fazendeiros e plantam milho para abastecer a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Coop (Matthew McConaughey) \u00e9 um ex-piloto da NASA e mora numa fazenda com a filha, Murph, o filho, Tom, e o sogro, vivido por John Lithgow. Por raz\u00f5es rid\u00edculas demais para descrever aqui, Coop acaba chefiando uma miss\u00e3o espacial a tr\u00eas planetas desconhecidos, em busca de um novo lugar para abrigar a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O mentor da miss\u00e3o \u00e9 um f\u00edsico genial, Dr. Brand (Michael Caine), pai de Amelia, uma das companheiras de Coop na empreitada. Amelia (de Amelia Earhart, sacou?) \u00e9 interpretada, na falta de uma palavra mais adequada, por Anne Hathaway, a nova Regina Duarte. Ela \u00e9 um caso raro de cientista que acredita mais no amor \u2013 sim, no amor \u2013 do que na raz\u00e3o, e que deve ter passado boa parte de sua forma\u00e7\u00e3o lendo \u201cSabrina\u201d em vez de livros did\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 h\u00e1 um problema: os tais planetas ficam em outras gal\u00e1xias. Para chegar l\u00e1, Coop, Amelia e amiguinhos precisam penetrar no \u201cburaco de minhoca\u201d, uma esp\u00e9cie de atalho no espa\u00e7o, colocada l\u00e1 por seres misteriosos chamados apenas de \u201cEles\u201d (\u201cEles\u201d quem? Alien\u00edgenas? Deuses? Os roteiristas?).<\/p>\n\n\n\n<p>Fui ver \u201cInterestelar\u201d num cinema de shopping em S\u00e3o Paulo. Metade da fila estava dormindo ou em vias de. L\u00e1 pela primeira hora de filme, cogitei ir embora da sess\u00e3o. Mas a\u00ed uma coisa fant\u00e1stica aconteceu: uma cena t\u00e3o marcante que mudou toda minha perspectiva sobre o filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Coop, Amelia e outro Z\u00e9 Ruela precisam desembarcar num planeta para ver se o lugar \u00e9 prop\u00edcio \u00e0 vida humana. Mas o tal planeta fica pr\u00f3ximo a um buraco negro chamado Gargantua, onde a gravidade faz com quem cada hora seja equivalente a sete anos de vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>O trio deixa a nave-m\u00e3e e usa uma navezinha para chegar ao planeta, um lugar coberto de \u00e1gua (Guilherme Arantes j\u00e1 previa!) e onde acontecem mil aventuras. Amelia, em total <em>mode<\/em> Trapalh\u00f5es, fica presa debaixo de destro\u00e7os de uma nave e \u00e9 resgatada poucos segundos antes de ser varrida por uma onda da altura de um pa\u00eds. O Z\u00e9 Ruela morre, como acontece com todos os figurantes de filme de fic\u00e7\u00e3o-cient\u00edfica eliminados em ordem crescente de cach\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voltam \u00e0 nave-m\u00e3e, Coop e Amelia s\u00e3o recebidos por um tripulante, j\u00e1 corcunda e de cabelo branco: \u201cEu esperei voc\u00eas por 23 anos, cinco meses e quatro dias!\u201d Tive um acesso de riso incontrol\u00e1vel, que durou pelas duas horas seguintes e acordou toda a fileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ali que percebi que \u201cInterestelar\u201d \u00e9 melhor apreciado como filme c\u00f4mico futurista-trash, na linha de \u201cO Dorminhoco\u201d, de Woody Allen, e \u201cS.O.S. \u2013 Tem um Louco Solto no Espa\u00e7o\u201d, de Mel Brooks.<\/p>\n\n\n\n<p>Dali em diante, foi s\u00f3 alegria. Frases como \u201cSe o buraco negro \u00e9 uma ostra, a singularidade \u00e9 a p\u00e9rola dentro dela\u201d, \u201cVamos usar a c\u00faspide de Gargantua como estilingue\u201d e, a mais genial delas, \u201cEles criaram um mundo tridimensional dentro da pentadimensionalidade\u201d assumiram novos significados \u2013 ou a aus\u00eancia deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Um par\u00eantese: uma vez, fui entrevistar James Cameron. Eu havia acabado de assistir ao p\u00e9ssimo \u201cVelocidade M\u00e1xima 2\u201d e estava comentando o filme com ele. Eu disse que o filme todo parecia uma desculpa para o diretor filmar a cena final, em que um navio gigantesco destr\u00f3i um cais. Cameron disse que era comum cineastas come\u00e7arem a pensar em um filme pela cena final. \u201cS\u00f3 h\u00e1 um problema nisso\u201d, afirmou. \u201c\u00c9 quando voc\u00ea escreve o filme todo sem fazer muito sentido, s\u00f3 para tentar justificar a cena final\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Vendo \u201cInterestelar\u201d, lembrei a frase de Cameron. H\u00e1 v\u00e1rias sequ\u00eancias espetaculosas que foram claramente pensadas antes de se criar um contexto para elas.<\/p>\n\n\n\n<p>O roteiro \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvio que todas as \u201csurpresas\u201d s\u00e3o percebidas pelo menos uma hora antes. O filme come\u00e7a com cenas de entrevistas com velhinhos, que falam de suas vidas no passado. Pouco depois, Coop conversa com a filha e explica como o tempo demora mais a passar nos lugares long\u00ednquos que ele vai explorar. \u201cIsso quer dizer que, quando voc\u00ea voltar, voc\u00ea e eu podemos ter a mesma idade?\u201d pergunta a menina.<\/p>\n\n\n\n<p>O resto \u00e9 com voc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo Carnaval!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em novembro de 2014 Esse Christopher Nolan \u00e9 um fanfarr\u00e3o. Um poseur. Seus filmes s\u00e3o todos iguais: besteir\u00f3is vendidos com embalagem de profunda divaga\u00e7\u00e3o existencial. A f\u00f3rmula \u00e9 eficiente: empilhe uma cena sem sentido em cima da outra e adicione di\u00e1logos supostamente complexos e eruditos. 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