{"id":2579,"date":"2023-01-30T10:38:16","date_gmt":"2023-01-30T10:38:16","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2579"},"modified":"2024-09-02T12:44:20","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:20","slug":"tom-verlaine-adeus-ao-inventor-do-pos-punk","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/tom-verlaine-adeus-ao-inventor-do-pos-punk\/","title":{"rendered":"Tom Verlaine: adeus ao inventor do p\u00f3s-punk"},"content":{"rendered":"\n<p>As bandas que tocavam no clube nova-iorquino CBGB\u2019s por volta de 1974 ou 75 formaram uma cena que se convencionou chamar de \u201cpunk\u201d. Mas a verdade \u00e9 que todas elas eram diferentes entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>Do que restou da defini\u00e7\u00e3o usual de \u201cpunk\u201d \u2013 can\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas de dois ou tr\u00eas acordes, vocal gritado e estrutura b\u00e1sica \u2013 s\u00e3o poucos os nomes daquela era do CBGBs que se enquadram: Ramones, Dictators e mais alguns outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que a celebrada cena \u201cpunk\u201d nova-iorquina dos anos 70 reuniu bandas unidas muito mais por quest\u00f5es geogr\u00e1ficas e temporais do que, propriamente, pela sonoridade. Era muita gente talentosa junta no mesmo lugar e tempo \u2013 muitas nem eram de Nova York &#8211; mas fazendo coisas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia o brutalismo eletr\u00f4nico de Suicide e Devo, o rock retr\u00f4 \u00e0 Stones de New York Dolls e Heartbreakers, &nbsp;o experimentalismo cabe\u00e7udo de Talking Heads e Pere Ubu, a new wave dan\u00e7ante de Blondie e B-52\u2019s, a psicodelia rockabilly dos Cramps, a poesia eletrificada de Patti Smith. E, no meio desse caldeir\u00e3o, uma banda \u00fanica e marcante chamada Television.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro disco do Television, um cl\u00e1ssico chamado \u201cMarquee Moon\u201d, foi lan\u00e7ado em 1977, mas a banda j\u00e1 estava testando sua sonoridade havia tr\u00eas ou quatro anos. A primeira forma\u00e7\u00e3o do Television nasceu do Neon Boys, uma banda que o guitarrista Tom Verlaine montou com o baixista Richard Hell e o baterista Billy Ficca. Mas a coisa engrenou mesmo com a entrada de um segundo guitarrista, Richard Lloyd, e a sa\u00edda de Hell, que fundou os Heartbreakers com Johnny Thunders (New York Dolls) e, depois, Richard Hell and the Voidoids.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/taDfgfRA6jA\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>O racha entre Verlaine e Hell foi emblem\u00e1tico do tipo de banda que o primeiro queria montar: Hell era um punk <em>comme il faut<\/em> e fazia uma m\u00fasica confrontacional e agressiva. Verlaine n\u00e3o queria saber disso. Era fan\u00e1tico por jazz e poesia (mudou seu nome verdadeiro, Thomas Miller, para Tom Verlaine, em tributo ao poeta simbolista franc\u00eas Paul Verlaine) e estava interessado em fazer uma m\u00fasica mais atmosf\u00e9rica e po\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O som que Verlaine criou para o Television era denso e intrincado e tinha por base texturas de guitarra que se sobrepunham e formavam camadas sonoras que davam \u00e0s can\u00e7\u00f5es um senso de drama e din\u00e2mica muito particulares. Numa era em que guitarristas tentavam criar \u201criffs\u201d emblem\u00e1ticos, Verlaine inventava climas. Era como se ele ignorasse completamente o punk e pulado direto para o p\u00f3s-punk.<\/p>\n\n\n\n<p>O Television inspirou muita gente. \u00c9 dif\u00edcil pensar em guitarristas da virada dos 70 para os 80 que exploraram sons atmosf\u00e9ricos sem identificar a influ\u00eancia deles. \u00c9 s\u00f3 ouvir U2, Echo and the Bunnymen, Teardrop Explodes, The Smiths e muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando veio a not\u00edcia da morte de Tom Verlaine, aos 73 anos \u2013 ocorrida s\u00e1bado, dia 28 de janeiro, de causas n\u00e3o divulgadas \u2013 os tributos vieram de v\u00e1rios f\u00e3s. Will Sergeant, do Echo and the Bunnymen, escreveu: \u201cTudo que eu fiz, foi imitando Tom Verlaine. Quando eu conseguia soar como ele, estava feliz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nels Cline, estupendo guitarrista do Wilco, escreveu: \u201cMe faltam palavras, embora n\u00e3o faltem amor, respeito ou l\u00e1grimas. Ele foi crucialmente importante para mim, minha m\u00fasica e meu estilo \u2013 e isso vai al\u00e9m da m\u00fasica, para uma est\u00e9tica, uma vis\u00e3o, um CLIMA. Eu poderia escrever muito mais. Agora, eu me curvo \u00e0 beleza e ao enigma de Tom Verlaine\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cinco anos, Cline gravou um v\u00eddeo para a revista \u201cGuitar Player\u201d sobre suas influ\u00eancias. Assista, a partir de 9:00, quando ele disseca o duplo ataque das guitarras de Verlaine e Richard Lloyd no cl\u00e1ssico \u201cMarque Moon\u201d. \u00c9 sensacional.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uYGDAvk3nmc\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Uma \u00f3tima semana a todos.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o deixem de participar do \u201cEncontro\u201d com Marcelo Rubens Paiva, hoje, \u00e0s 20h, aberto a todos os assinantes. At\u00e9 l\u00e1!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As bandas que tocavam no clube nova-iorquino CBGB\u2019s por volta de 1974 ou 75 formaram uma cena que se convencionou chamar de \u201cpunk\u201d. Mas a verdade \u00e9 que todas elas eram diferentes entre si. 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