{"id":2567,"date":"2023-01-28T06:00:00","date_gmt":"2023-01-28T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2567"},"modified":"2024-09-02T12:44:20","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:20","slug":"do-arquivo-isso-sim-e-festival","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/do-arquivo-isso-sim-e-festival\/","title":{"rendered":"Do Arquivo: Isso sim \u00e9 festival!"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma not\u00edcia maravilhosa \u00e9 o an\u00fancio da volta do Austin Psych Fest, um maravilhoso festival de m\u00fasica alternativa ao ar livre em Austin, no Texas. Em 2016, o festival foi cancelado devido a chuvas torrenciais e n\u00e3o rolou no ano seguinte. Em 2018, os organizadores mudaram o nome e formato do evento, que virou \u201cLevitation\u201d e passou a ser dentro de clubes de Austin. Esses dias, foi anunciado que o Austin Psych Fest voltaria a acontecer ao ar livre, no fim de abril, e o Levitation continuaria rolando no fim de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em homenagem ao Austin Psych Fest, republico um texto de maio de 2014 sobre nossa primeira visita ao festival:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Meninas e meninos, acreditem: existem festivais de m\u00fasica onde bandas s\u00e3o escolhidas s\u00f3 pela qualidade musical e n\u00e3o por ser da mesma ag\u00eancia de um headliner; onde voc\u00ea pode chegar perto do palco porque n\u00e3o h\u00e1 oitenta mil pessoas, mas oito mil; onde os palcos n\u00e3o s\u00e3o cobertos de an\u00fancios, mas deixados livres para os artistas; onde n\u00e3o h\u00e1 promotores tentando te empurrar um an\u00fancio de carro ou de Smartphone; onde o p\u00fablico n\u00e3o passa 90% do tempo tirando selfies e publicando no Instagram; onde a plateia busca novidades e se interessa por bandas que n\u00e3o conhece. Esse festival existe, chama&nbsp;Austin Psych Fest, e terminou nesse fim de semana.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"608\" height=\"393\" src=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Austin-Psych-Fest-line-up.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2570\" srcset=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Austin-Psych-Fest-line-up.jpg 608w, https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Austin-Psych-Fest-line-up-600x388.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 608px) 100vw, 608px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><em>O APF \u00e9 um festival amador\u00edstico, e isso \u00e9 um elogio. Parece muito mais uma festa produzida por amigos do que, propriamente, um evento \u201cprofissional\u201d. H\u00e1 falhas estruturais \u2013 pouca ilumina\u00e7\u00e3o, sistema de \u00f4nibus e t\u00e1xis deficiente \u2013 mas tudo \u00e9 perdoado, quando a m\u00fasica \u00e9 t\u00e3o boa, as pessoas t\u00e3o amig\u00e1veis e o clima, t\u00e3o cordial. Em mais de 25 anos cobrindo shows e festivais, nunca ouvi tanta m\u00fasica boa num mesmo lugar. O festival acontece no Carson Creek, um rancho a 15 minutos de t\u00e1xi do centro de Austin. O evento tem tr\u00eas palcos: o maior, o Reverberation, onde se apresentam as bandas mais populares; o Elevation, localizado no p\u00e9 de um morro gramado e com fundos para o rio Colorado, onde tocam os artistas mais \u201ctranquilos\u201d, e a tenda Levitation, onde se apresentam os grupos mais pesados e barulhentos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nunca vi um staff de festival t\u00e3o relaxado e cordial. A seguran\u00e7a era quase inexistente e, quando havia alguma, era para orientar o p\u00fablico, n\u00e3o para control\u00e1-lo. N\u00e3o houve revista na entrada e n\u00e3o havia seguran\u00e7a sequer pr\u00f3ximo aos caixas. A \u00e1rea reservada aos artistas era coletiva e ficava ao lado do palco principal. Integrantes das bandas andavam pelo rancho e conferiam outros shows.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Os bares serviam v\u00e1rios tipos de cerveja, sucos, drinques com vodca e at\u00e9 vinho, mas nem sinal de refrigerantes. A sele\u00e7\u00e3o de comida privilegiava \u201cfood trucks\u201d de bares e restaurantes locais, com uma ampla sele\u00e7\u00e3o de sandu\u00edches, crepes, pizzas, comida oriental, grega, vegetariana e mexicana. Um caminh\u00e3o distribu\u00eda \u00e1gua pot\u00e1vel gratuitamente, para quem quisesse encher garrafas e cantis.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Havia tendas de lojas locais, vendendo roupa, artesanato e discos de bandas da cena de Austin. N\u00e3o vi uma briga ou discuss\u00e3o. O p\u00fablico &#8211; uma alegre mistura de&nbsp;hipsters,&nbsp;hippies,&nbsp;freaks, g\u00f3ticos, fam\u00edlias de roupa&nbsp;tie dye, gatas de visual&nbsp;pin up, metaleiros,&nbsp;bikers&nbsp;e loucos em geral \u2013 era educado, jogava lixo no lixo e n\u00e3o furava fila. Levamos nossa filha, de seis anos \u2013 o festival \u00e9&nbsp;all ages, e crian\u00e7as at\u00e9 13 anos n\u00e3o pagam \u2013 e teve gente que se ofereceu para levant\u00e1-la nos ombros, para que ela pudesse ver melhor o show.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fazia um calor medonho em Austin \u2013 32 graus, com umidade pr\u00f3xima de zero e muita poeira \u2013 e o sol s\u00f3 desaparece depois de 20h. Chegamos \u00e0s 17h e o lugar fervia. No palco principal,&nbsp;<strong>Shannon &amp; the Clams<\/strong>&nbsp;(foto abaixo) fez uma empolgante mistura de&nbsp;new wave&nbsp;e rock de garagem dos anos 60, e j\u00e1 formou as primeiras rodinhas na frente do palco.<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Shannon-and-the-Clams.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2569\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><em>No palco Elevation, um bom p\u00fablico se esparramava na grama para ver o\u00a0<strong>Terakaft<\/strong>, dos desertos de Mali, na \u00c1frica, fazer um dos shows mais bonitos do dia. Formado por dois guitarristas malianos, um percussionista marroquino e um baixista canadense, tocaram m\u00fasica tuaregue, de tribos n\u00f4mades do norte da \u00c1frica. O p\u00fablico n\u00e3o conhecia as can\u00e7\u00f5es, mas se deixou envolver pelos mantras e terminou o show de p\u00e9, dan\u00e7ando. Voltando ao palco principal, pegamos uma parte do show dos suecos do\u00a0<strong>Graveyard<\/strong>, que destru\u00edram com um metal-stoner pesad\u00e3o e mostraram por que foram escolhidos pelo Soundgarden para abrir uma recente turn\u00ea europeia. De l\u00e1, corremos para a tenda Elevation para ver o trio\u00a0<strong>White Hills<\/strong>. Eles s\u00e3o de Nova York, mas poderiam muito bem ser de Stonehenge ou de Salem, t\u00e3o fortes as imagens cabulosas e assustadoras que sua m\u00fasica conjura. Space rock, psicodelia, microfonia, longas passagens instrumentais, Syd Barrett encontra Iggy Pop no ensaio do Hawkwind. Uma coisa linda e poderosa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ainda chocados com o assalto aos sensos promovido pelo White Hills, nos divertimos demais com o punk animado e imundo do&nbsp;<strong>Black Lips<\/strong>, que causou um pandem\u00f4nio de&nbsp;mosh&nbsp;na frente do palco. Pela \u00fanica vez na noite, os seguran\u00e7as tiveram dificuldade em conter a multid\u00e3o, t\u00e3o animada que amea\u00e7ava derrubar a grade na frente da banda. Veja, aqui, um dos momentos mais tranquilos \u2013 talvez o \u00fanico &#8211; do show:<\/em><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RQuqtvLMsV4\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><em>Voltamos \u00e0 tenda para ver os alem\u00e3es do&nbsp;<strong>Kadavar<\/strong>. N\u00e3o lembro quem foi o leitor do blog que me recomendou assisti-los, mas queria dizer uma coisa pra ele: obrigado, obrigado, obrigado, obrigado e obrigado, mil vezes, obrigado. O que foi aquilo? Tr\u00eas metaleiros com pinta de vikings, que detonaram a maior marretada sonora que levei em muito tempo. &nbsp;Pegue Black Sabbath, Kyuss, Blue Cheer e Melvins, ponha num pote, adicione tr\u00eas m\u00fasicos extraordin\u00e1rios &#8211; incluindo um baterista que parece uma m\u00e1quina e um guitarrista escolado em Hendrix e Tony Iommy \u2013 inclua uma boa dose de disciplina germ\u00e2nica, e voc\u00ea ter\u00e1 o Kadavar. Se esses caras n\u00e3o se tornarem gigantes em pouco tempo, vou ficar muito surpreso. Veja a\u00ed um trecho:<\/em><\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RGePkUu3LhU\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><em>Era dif\u00edcil ver qualquer coisa depois do Kadavar. No palco grande, se apresentavam os veteranos&nbsp;<strong>The Zombies<\/strong>, mas n\u00e3o est\u00e1vamos no clima para ouvir o pop barroco de \u201cTime of the Season\u201d, por melhor que fosse. Acabamos no palco em frente ao rio, vendo o excelente folk-rock do&nbsp;<strong>Woods<\/strong>&nbsp;e impressionados com a beleza da proje\u00e7\u00e3o que artistas visuais faziam nas \u00e1rvores do outro lado do rio. O palco iluminado, com o rio ao fundo e imagens projetadas na mata, formavam um cen\u00e1rio lindo. Vimos ainda metade do bom show do&nbsp;<strong>Dandy Warhols<\/strong>, mas nossa filha pediu arrego e caiu dura na grama, de sono. Acabamos desistindo de ver a banda principal da noite, os her\u00f3is locais&nbsp;<strong>The Black Angels<\/strong>. Uma pena. Mas o dia j\u00e1 tinha sido incr\u00edvel, e ainda havia o s\u00e1bado&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Leia <a href=\"http:\/\/muralcultural2.blogspot.com\/2014\/05\/austin-psych-fest-o-massacre-da.html\">aqui <\/a>meu texto sobre o segundo dia do festival:<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma not\u00edcia maravilhosa \u00e9 o an\u00fancio da volta do Austin Psych Fest, um maravilhoso festival de m\u00fasica alternativa ao ar livre em Austin, no Texas. Em 2016, o festival foi cancelado devido a chuvas torrenciais e n\u00e3o rolou no ano seguinte. 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