{"id":2527,"date":"2023-01-13T06:00:00","date_gmt":"2023-01-13T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2527"},"modified":"2024-09-02T12:44:20","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:20","slug":"adeus-jeff-beck","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/adeus-jeff-beck\/","title":{"rendered":"Adeus, Jeff Beck!"},"content":{"rendered":"\n<p>Raras vezes vi uma como\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande com a morte de um artista quanto na partida de Jeff Beck. De \u00edcones do pop-rock como Paul McCartney e Brian Wilson a amigos como Jimmy Page, Eric Clapton, David Gilmour, Buddy Guy, Ronnie Wood e Rod Stewart, passando por f\u00e3s como Brian Setzer, Gene Simmons e Vernon Reid, a partida de Beck mexeu com todo mundo ligado ao rock.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaco duas frases:<\/p>\n\n\n\n<p>Alice Cooper: \u201cEric Clapton \u00e9 um grande guitarrista de blues. Jimmy Page \u00e9 um grande guitarrista de rock. Jeff Beck \u00e9 um grande guitarrista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Chrissie Hynde: \u201cJeff era o guitar hero dos guitar heroes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Publico abaixo uma an\u00e1lise da carreira de Beck, que escrevi quarta \u00e0 noite para a \u201cFolha\u201d. E gostaria de recomendar um document\u00e1rio, \u201cStill on the Run\u201d, que pode ser alugado na Apple TV. Produzido em 2018, n\u00e3o tem nada de inovador ou especialmente criativo, mas as entrevistas com o pr\u00f3prio Beck e com amigos e colabores \u2013 Ron Wood, Clapton, Page, Gilmour, Rod Stewart, Jan Hammer, Joe Perry, Slash &#8211; s\u00e3o muito reveladoras, e as cenas de arquivo, preciosas.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qGvf8z3Em4g\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jeff Beck, um g\u00eanio da guitarra que fugiu do sucesso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com a morte de Jeff Beck, o rock ficou privado n\u00e3o s\u00f3 de um m\u00fasico excepcional e influente, mas de um de seus personagens mais misteriosos e vol\u00faveis, um artista que sempre fugiu da fama quando ela parecia bater \u00e0 sua porta. Beck trabalhou com alguns dos nomes mais populares do pop e do rock, como Rod Stewart, Jimmy Page, Eric Clapton e Ron Wood, mas nunca teve a celebridade deles. E nem queria ter.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nascido numa fam\u00edlia humilde \u2013 o pai era contador e a m\u00e3e fabricava doces \u2013 Geoffrey Arnold Beck viu sua vida mudar em 1956, aos 12 anos de idade, quando assistiu, num cinema londrino, \u201cThe Girl Can\u2019t Help It\u201d (no Brasil, \u201cSabes o Que Quero\u201d), um musical ing\u00eanuo estrelado pela voluptuosa Jayne Mansfield. A trilha sonora, recheada de pedradas do rock\u2019n\u2019roll nas vozes de Little Richard, Gene Vincent, Eddie Cochran e Fats Domino, fez o menino se apaixonar pela m\u00fasica jovem norte-americana.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A dureza da fam\u00edlia ensinou Geoffrey, ou Jeff, a se virar. Se os pais n\u00e3o tinham grana para comprar uma guitarra como as de James Burton (guitarrista de Ricky Nelson) e Cliff Gallup (guitarrista dos Blue Caps, banda de Gene Vincent), Jeff construiu, sozinho, a sua primeira guitarra. Aos 13 anos, fez amizade com outro menino fan\u00e1tico por rock\u2019n\u2019roll, um tal de James Patrick Page, conhecido por Jimmy, que tinha uma incr\u00edvel cole\u00e7\u00e3o de discos e tamb\u00e9m tocava guitarra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 1965, depois de tentar a sorte na ebuliente cena de bandas de blues de Londres e tocar num grupo chamado The Tridents, Beck tirou a sorte grande ao ser chamado para substituir Eric Clapton numa banda que surgia com for\u00e7a, The Yardbirds. Beck logo se destacou pela criatividade: o som de guitarra que ele tirou em \u201cHeart Full of Soul\u201d, com n\u00edtida influ\u00eancia de c\u00edtaras indianas (Beck emulou o som da c\u00edtara na guitarra, depois que a banda n\u00e3o ficou satisfeita com a grava\u00e7\u00e3o feita por um m\u00fasico indiano), prenunciou a onda oriental que influenciaria Beatles e Stones.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O Yardbirds teve um gostinho da fama ao aparecer tocando \u2013 j\u00e1 com a adi\u00e7\u00e3o de um segundo guitarrista, Jimmy Page, o amigo de adolesc\u00eancia de Jeff &#8211; em \u201cBlow Up\u201d (1966), o cl\u00e1ssico filme de Michelangelo Antonioni, mas Jeff largou o grupo abruptamente, em meio \u00e0 primeira turn\u00ea pelos Estados Unidos. Foi a primeira de v\u00e1rias ocasi\u00f5es em que Jeff Beck, em vias de estourar, sabotaria o pr\u00f3prio sucesso comercial.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A segunda ocorreria tr\u00eas anos depois, em 1969: depois de lan\u00e7ar dois \u00e1lbuns estupendos, \u201cTruth\u201d (1968) e \u201cBeck-Ola\u201d (1969), o primeiro assinando como artista solo, e o segundo com o Jeff Beck Group, uma superbanda que contava com Rod Stewart (vocais), Ron Wood (baixo), Micky Waller (bateria) e a participa\u00e7\u00e3o do tecladista Nicky Hopkins, Jeff Beck abandonou o grupo dias antes de tocar no Festival de Woodstock. \u201cEu n\u00e3o achava que est\u00e1vamos prontos para tocar com Sly and the Family Stone\u201d, disse, modestamente, Beck. \u201cN\u00f3s ser\u00edamos massacrados\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Esses dois discos s\u00e3o cl\u00e1ssicos do blues-rock, fazendo uma fus\u00e3o do que havia de mais moderno no rock com o blues cl\u00e1ssico que Beck tanto amava. O guitarrista gravou mais dois LPs com uma nova encarna\u00e7\u00e3o do The Jeff Beck Group, enquanto viu Rod Stewart e Ron Wood sa\u00edrem para o grupo Faces e depois para sucessos estratosf\u00e9ricos, o primeiro como cantor solo e o segundo, como guitarrista dos Rolling Stones.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 1972, Beck teve na m\u00e3o uma m\u00fasica que seria, provavelmente, o maior sucesso comercial de sua carreira, mas a fama novamente lhe escapou: quando gravava guitarras para o antol\u00f3gico \u00e1lbum \u201cTalking Book\u201d, de Stevie Wonder, Beck pediu a Wonder que compusesse uma m\u00fasica para seu pr\u00f3ximo disco. Wonder topou e comp\u00f4s, de improviso, \u201cSuperstition\u201d. Beck ficou encantado com a m\u00fasica e gravou uma vers\u00e3o pesada com o grupo Beck, Bogert &amp; Appice, que havia montado com o baterista Carmine Appice e o baixista Tim Bogert. Wonder tamb\u00e9m gravou a can\u00e7\u00e3o e combinou com Beck que lan\u00e7aria sua vers\u00e3o depois. Mas quando a gravadora de Wonder, a Motown, ouviu \u201cSuperstition\u201d, decidiu lan\u00e7\u00e1-la antes da concorr\u00eancia. E o resultado foi um dos maiores hits da carreira de Stevie Wonder.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Cansado da cena musical e frustrado por negocia\u00e7\u00f5es com gravadoras, Beck decidiu dar uma guinada na carreira: depois de passar dois anos sem gravar, per\u00edodo em que se dedicou a seu hobby, a constru\u00e7\u00e3o de carros \u201cHot Rods\u201d, modelos antigos que Beck, sozinho, modifica em sua garagem, gravou seu primeiro disco instrumental, \u201cBlow By Blow\u201d, um trabalho conceitual e experimental, produzido pelo genial George Martin, o \u201cQuinto Beatle\u201d. A ideia surgiu depois que Beck ouviu um disco de Miles Davis, \u201cJack Johnson\u201d, e decidiu abrir m\u00e3o de cantores. \u201cEra imposs\u00edvel achar um cantor como Rod Stewart\u201d, disse Beck. \u201cPensei: vou tentar algo novo\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Depois de \u201cBlow By Blow\u201d, Jeff Beck mergulhou de cabe\u00e7a na fus\u00e3o de rock com jazz, em discos basicamente instrumentais e que contaram com colabora\u00e7\u00f5es com m\u00fasicos celebrados como o tecladista Jan Hammer (da Mahavishnu Orchestra), o baterista Terry Bozzio e o tecladista Tony Hymas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sua liga\u00e7\u00e3o com o jazz se fortaleceu com regrava\u00e7\u00f5es de \u201cGoodbye Pork Pie Hat\u201d, cl\u00e1ssico de Charles Mingus, que Beck lan\u00e7ou no disco \u201cWired\u201d, de 1976. A vers\u00e3o fez tanto sucesso que o pr\u00f3prio Mingus escreveu uma carta emocionada a Beck: \u201cSua vers\u00e3o me derrubou quando a ouvi\u201d. Beck diz que a carta de Mingus, um de seus grandes \u00eddolos, foi como um \u201cpassaporte que me dava liberdade de experimentar musicalmente, de tentar coisas diferentes e excitantes\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Beck \u00e9 considerado um \u201cm\u00fasico dos m\u00fasicos\u201d, celebrado por colegas de profiss\u00e3o e admirado por sua destreza t\u00e9cnica e inova\u00e7\u00e3o. No document\u00e1rio \u201cStill on the Run\u201d (2018), dispon\u00edvel na Apple TV, guitarristas como Jimmy Page, Eric Clapton, David Gilmour, Slash e Joe Perry fazem fila para elogiar Beck. \u201cO que ele faz, a maneira como combina o uso de feedback com a alavanca da guitarra e os bot\u00f5es de volume, \u00e9 uma coisa assombrosa\u201d, diz Clapton. \u201cJeff Beck \u00e9 um guitarrista que parece estar falando com voc\u00ea enquanto toca\u201d, diz Page. \u201cEle \u00e9 um inovador, um m\u00fasico que levou a guitarra a lugares novos\u201d.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raras vezes vi uma como\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande com a morte de um artista quanto na partida de Jeff Beck. 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