{"id":2409,"date":"2022-11-04T06:00:00","date_gmt":"2022-11-04T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2409"},"modified":"2024-09-02T12:44:21","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:21","slug":"louis-armstrong-e-a-dor-do-cancelamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/louis-armstrong-e-a-dor-do-cancelamento\/","title":{"rendered":"Louis Armstrong e a dor do cancelamento"},"content":{"rendered":"\n<p>Agrade\u00e7o ao assinante Carlos Assato pela dica: a Apple TV exibe o document\u00e1rio \u201cLouis Armstrong\u2019s Black &amp; Blues\u201d, um surpreendente relato sobre a vida e carreira de um dos grandes \u00edcones do jazz.<\/p>\n\n\n\n<p>Dirigido pelo artista pl\u00e1stico, autor, jornalista e cineasta Sacha Jenkins, o filme tem um grande trunfo: acesso in\u00e9dito ao arquivo pessoal de Armstrong. Durante d\u00e9cadas, Louis Armstrong (1901-1971) guardou tudo que saiu na imprensa sobre ele: recortes de jornais, entrevistas, cr\u00edticas de discos. Mais importante: ele passou a gravar, em fitas de rolo, encontros que teve em casa com amigos e familiares, e tamb\u00e9m longos mon\u00f3logos em que falava sobre acontecimentos de sua vida e dava opini\u00f5es sobre pol\u00edtica, m\u00fasica e assuntos gerais.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o5jbSeBHVTQ\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>As grava\u00e7\u00f5es mostram um lado de Armstrong que nunca se viu. Conhecido por sua personalidade af\u00e1vel e modos diplom\u00e1ticos, que o deixaram, perante a comunidade negra, especialmente nos anos 60, com a pecha de subserviente ao p\u00fablico branco, Armstrong se mostra ressentido com a imagem p\u00fablica que lhe atormentava.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu cresci nos anos 60, e odiava a figura p\u00fablica de Armstrong\u201d, confessa o grande m\u00fasico Wynton Marsalis. \u201cEle representava, para a minha gera\u00e7\u00e3o, que estava no meio da luta pelos direitos civis e igualdade racial, um artista que havia aderido ao sistema. Foi s\u00f3 depois que eu pude compreender a posi\u00e7\u00e3o dele, e passei a respeit\u00e1-lo muito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O ator Ossie Davis conta uma passagem muito emocionante durante a filmagem de um longa-metragem estrelado por Armstrong e Sammy Davis Jr.: \u201cEu voltei ao set depois da filmagem para buscar algo, e Louis estava dormindo sentado numa cadeira. Ele tinha a express\u00e3o mais triste e desolada que j\u00e1 vi em um homem. Minha chegada o despertou, e ele acordou subitamente e j\u00e1 deu aquele sorris\u00e3o que lhe era caracter\u00edstico, mudando totalmente de express\u00e3o facial, como se fosse uma m\u00e1scara de felicidade e simpatia que ele usava todos os dias. Nunca mais critiquei Louis Armstrong, porque compreendi sua dor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de tratar com profundidade do tema do cancelamento a que Armstrong foi submetido nos anos 60, o filme tem cenas de arquivo primorosas e fotos que registram os primeiros anos de carreira do m\u00fasico, ainda no fim da d\u00e9cada de 1910. Imagens de turn\u00eas no exterior mostram que Louis Armstrong foi um dos primeiros astros musicais internacionais \u2013 certamente o primeiro astro negro da m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 lindo tamb\u00e9m ver Satcho em cenas familiares e curtindo a vizinhan\u00e7a em Corona, Queens, onde morou por muitos anos. Apesar da fama, Armstrong era muito gentil com vizinhos e adorado no bairro. Ele era como sua m\u00fasica: alegria pura.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agrade\u00e7o ao assinante Carlos Assato pela dica: a Apple TV exibe o document\u00e1rio \u201cLouis Armstrong\u2019s Black &amp; Blues\u201d, um surpreendente relato sobre a vida e carreira de um dos grandes \u00edcones do jazz. 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