{"id":2394,"date":"2022-10-28T06:00:00","date_gmt":"2022-10-28T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2394"},"modified":"2024-09-02T12:44:21","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:21","slug":"hallelujah-como-leonard-cohen-fez-sua-cancao-mais-marcante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/hallelujah-como-leonard-cohen-fez-sua-cancao-mais-marcante\/","title":{"rendered":"\u201cHallelujah\u201d: como Leonard Cohen fez sua can\u00e7\u00e3o mais marcante"},"content":{"rendered":"\n<p>Imperd\u00edvel \u00e9 \u201cHallelujah: Leonard Cohen, Uma Jornada, Uma Can\u00e7\u00e3o\u201d, document\u00e1rio de Dan Geller e Dayna Goldfine sobre o poeta, cantor e compositor Leonard Cohen (1934-2016).O t\u00edtulo pode ser alugado no Youtube Filmes, Google Play, Apple TV, Claro TV, Microsoft e Amazon.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, o filme n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma biografia, mas aborda um tema raro em document\u00e1rios: o processo criativo. O tema central \u00e9 a can\u00e7\u00e3o mais famosa de Cohen \u2013 \u201cHallelujah\u201d \u2013 e como ela, de certa maneira, resume a carreira do compositor, tanto estilisticamente, com seu tema ligado \u00e0 f\u00e9 e sexualidade, mas tamb\u00e9m biograficamente, tendo sido recha\u00e7ada, a princ\u00edpio, para depois ser redescoberta e adorada por muitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme usa raras cenas de arquivo e exibe os cadernos e di\u00e1rios de Cohen, dezenas de volumes em que ele anotava ideias para versos. Antes de ser cantor e compositor, Leonard Cohen era poeta. Come\u00e7ou a carreira musical aos 30 anos, e \u00e9 fascinante acompanhar o lento e burilado processo de cria\u00e7\u00e3o de suas letras.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/11IPQYZMXjc\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>A letra de \u201cHallelujah\u201d levou cerca de dez anos para ficar pronta. E, na verdade, nunca foi finalizada, j\u00e1 que Cohen, quando a interpretava ao vivo, sempre mudava algo nos versos, diferenciando-a vers\u00e3o original gravada para o \u00e1lbum \u201cVarious Positions\u201d (1984). No filme, vemos Cohen, nos anos 80, sendo entrevistado pelo amigo Larry \u201cRatso\u201d Sloan, rep\u00f3rter da revista \u201cRolling Stone\u201d: \u201cLembro estar num hotel, de cueca, deitado no ch\u00e3o e batendo a cabe\u00e7a no tapete porque n\u00e3o conseguia terminar a letra\u201d, diz Cohen. Ao que Sloan pergunta: \u201cVoc\u00ea acha que todo compositor pop tem o mesmo cuidado com as letras?\u201d A resposta de Cohen \u00e9 hilariante: ele simplesmente olha sem rea\u00e7\u00e3o para Sloan, como se nunca tivesse se perguntado isso antes e n\u00e3o conhecesse outra maneira de criar.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida de Cohen \u00e9 contada em cenas de arquivo: o in\u00edcio, como poeta <em>beat<\/em> no Canad\u00e1, a vinda para Nova York e a revela\u00e7\u00e3o tardia de seu talento, os discos maravilhosos que n\u00e3o vendiam nada, a admira\u00e7\u00e3o de poucos e bons \u2013 Dylan, Judy Collins, Joni Mitchell, John Cale.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1984, depois de uma experi\u00eancia tenebrosa com o produtor Phil Spector, que soterrou a poesia de Cohen em arranjos bomb\u00e1sticos no \u00e1lbum \u201cDeath of a Ladies Man\u201d, Cohen procura um antigo colaborador, John Lissauer, e grava o LP \u201cVarious Positions\u201d. O disco abria com uma faixa antol\u00f3gica e que Lissauer tinha certeza que seria um hit: \u201cDance Me To End of Love\u201d. A faixa que abria o lado B era igualmente marcante: \u201cHallelujah\u201d. Cohen e Lissauer ficaram felic\u00edssimos com o resultado.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, Walter Yetnikoff, ent\u00e3o chef\u00e3o da Columbia, gravadora de Cohen, n\u00e3o concordou, e mandou simplesmente engavetar o disco, que n\u00e3o foi lan\u00e7ado nos Estados Unidos (uma gravadora pequena lan\u00e7ou o LP alguns anos depois, mas sem nenhuma repercuss\u00e3o). Grande parte do seleto f\u00e3-clube de Cohen ficou sem conhecer \u201cHallelujah\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sorte, John Cale (ex-Velvet Underground) ouviu Cohen cantando a m\u00fasica num show no Beacon Theatre, em Nova York, e resolveu grav\u00e1-la no \u00e1lbum-tributo \u201cI\u2019m Your Fan\u201d, lan\u00e7ado em 1991. &nbsp;Foi essa vers\u00e3o de Cale que ressuscitou comercialmente a m\u00fasica. Tr\u00eas anos depois, o cantor Jeff Buckley, que n\u00e3o conhecia a vers\u00e3o original de Cohen, ouviu a grava\u00e7\u00e3o de Cale e resolveu gravar a m\u00fasica em seu \u00fanico disco, \u201cGrace\u201d (Buckley morreria afogado no rio Mississipi, em 1997, aos 30 anos).<\/p>\n\n\n\n<p>Na voz de Buckley, \u201cHallelujah\u201d se tornou um hino e se popularizou no mundo todo. Em 2001, a can\u00e7\u00e3o, na vers\u00e3o de John Cale, foi inclu\u00edda no filme \u201cShrek\u201d (na trilha sonora, a vers\u00e3o foi gravada por Rufus Wainwright), e dali virou arroz-de-festa em casamentos, cerim\u00f4nias religiosas e em programas de TV tipo \u201cThe Voice\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio \u00e9 um pouco longo \u2013 precisaria mesmo de 10 minutos de vers\u00f5es horr\u00edveis de \u201cHallelujah\u201d para mostrar a popularidade tardia da can\u00e7\u00e3o? \u2013 mas isso n\u00e3o diminui o deleite que \u00e9 ver as entrevistas de Cohen e cenas de seus shows.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3, s\u00e1bado, republico um texto que fiz em 2012 sobre um show de Leonard Cohen em Madri.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imperd\u00edvel \u00e9 \u201cHallelujah: Leonard Cohen, Uma Jornada, Uma Can\u00e7\u00e3o\u201d, document\u00e1rio de Dan Geller e Dayna Goldfine sobre o poeta, cantor e compositor Leonard Cohen (1934-2016).O t\u00edtulo pode ser alugado no Youtube Filmes, Google Play, Apple TV, Claro TV, Microsoft e Amazon. 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