{"id":2388,"date":"2022-10-24T06:00:00","date_gmt":"2022-10-24T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2388"},"modified":"2024-09-02T12:44:21","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:21","slug":"quando-omar-sharif-sem-saber-trabalhou-com-ze-do-caixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/quando-omar-sharif-sem-saber-trabalhou-com-ze-do-caixao\/","title":{"rendered":"Quando Omar Sharif, sem saber, trabalhou com Z\u00e9 do Caix\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 exatos 30 anos, meu amigo Ivan Finotti e eu come\u00e7amos a trabalhar numa biografia de Jos\u00e9 Mojica Marins, o Z\u00e9 do Caix\u00e3o. O livro \u2013 \u201cMaldito\u201d &#8211; levou cinco anos para ficar pronto e foi lan\u00e7ado em 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Era outra \u00e9poca: n\u00e3o havia Youtube ou arquivos digitalizados. Para ver um filme que n\u00e3o existia em VHS, era necess\u00e1rio solicitar uma c\u00f3pia em pel\u00edcula e alugar uma sala de proje\u00e7\u00e3o. Para achar reportagens antigas, o \u00fanico jeito era ir aos arquivos e passar dias folheando a cole\u00e7\u00e3o de jornais e revistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das hist\u00f3rias mais curiosas sobre a carreira de Mojica foi descrita no livro, mas nunca conseguimos confirmar sua veracidade: trata-se do final do filme \u201cO Estranho Mundo de Z\u00e9 do Caix\u00e3o\u201d, de 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um filme de tr\u00eas epis\u00f3dios que termina com um sangrento banquete canibal, em que Oaxiac Odez (leia de tr\u00e1s pra frente!) e seus disc\u00edpulos, literalmente, comem um casal. Essa sequ\u00eancia \u00e9 interrompida por uma bizarra cena de explos\u00f5es e um texto bem carola, que parece dizer que Oaxiac estaria arrependido de seus atos. Veja aqui, come\u00e7ando a 1:22:19:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_On0mcZNhhk\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Era um t\u00edpico caso de manipula\u00e7\u00e3o da Censura. No fim dos anos 60, uma das fases mais brabas da ditadura militar, o Departamento de Censura n\u00e3o s\u00f3 cortava filmes e pe\u00e7as de teatro, mas exigia mudan\u00e7as em cenas e textos. Isso havia acontecido v\u00e1rias vezes com Mojica, notadamente no fim do cl\u00e1ssico \u201cEsta Noite Encarnarei no Teu Cad\u00e1ver\u201d (1967), em que o ent\u00e3o chefe da Censura, Augusto da Costa (ex-zagueiro do Vasco e da sele\u00e7\u00e3o, que havia perdido a Copa de 50 para o Uruguai), escreveu, \u00e0 m\u00e3o, um texto religioso e arrependido, que que deveria ser falado por Z\u00e9 do Caix\u00e3o. Mojica n\u00e3o teve escolha sen\u00e3o redublar a cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Mojica e um dos produtores, George Michel, mostraram \u201cO Estranho Mundo de Z\u00e9 do Caix\u00e3o\u201d, a Censura retalhou o filme todo e disse que s\u00f3 o liberaria se o personagem de Mojica tivesse um final tr\u00e1gico. Sem grana para rodar novas cenas, Mojica e George apelaram: George, que era eg\u00edpcio, lembrou um filme rodado no Egito alguns anos antes \u2013 e no qual ele atuara como figurante &#8211; chamado \u201cUm Homem em Nossa Casa\u201d, que terminava com uma longa sequ\u00eancia de explos\u00f5es em dep\u00f3sitos de muni\u00e7\u00f5es.&nbsp; Numa de suas visitas ao Cairo, George, que tinha feito fortuna com academias de aulas de dan\u00e7a do ventre (juro!) tinha comprado uma c\u00f3pia em 16 mm do filme. Ele e Mojica pegaram a c\u00f3pia, duplicaram as cenas de explos\u00f5es e simplesmente as colaram no fim de \u201cO Estranho Mundo de Z\u00e9 do Caix\u00e3o\u201d, acrescidas de um texto de teor religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando entrevistamos Mojica e George, nos anos 90, eles n\u00e3o lembravam detalhes sobre o filme. George n\u00e3o conseguiu achar a tal c\u00f3pia em 16 mm. E n\u00e3o era f\u00e1cil conseguir informa\u00e7\u00f5es sobre filmes eg\u00edpcios. Achei, em Nova York, alguns livros em ingl\u00eas sobre cinema africano e do Oriente M\u00e9dio, e descobrimos que \u201cUm Homem em Nossa Casa\u201d era um drama de guerra dirigido em 1961 por Henry Antoun Barakat. Mas nunca conseguimos achar uma c\u00f3pia para assistir.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Dia desses, fu\u00e7ando a Internet, lembrei a hist\u00f3ria do misterioso filme eg\u00edpcio. Trinta segundos de busca e&#8230; bingo! Uma c\u00f3pia de \u201cUm Homem em Nossa Casa\u201d pintou no Youtube. N\u00e3o tem legendas, mas isso n\u00e3o importa. O que importa \u00e9 a cena final. Veja, a 2:31:25:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ff1_XcngQr0\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>S\u00e3o as mesmas imagens. E, assim, Omar Sharif, sem saber, atuou em um filme de Z\u00e9 do Caix\u00e3o. O.T.: Hoje, \u00e0s 20h, teremos o \u201cEncontro\u201d com Arrigo Barnab\u00e9. N\u00e3o deixe de participar. Uma \u00f3tima semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 exatos 30 anos, meu amigo Ivan Finotti e eu come\u00e7amos a trabalhar numa biografia de Jos\u00e9 Mojica Marins, o Z\u00e9 do Caix\u00e3o. O livro \u2013 \u201cMaldito\u201d &#8211; levou cinco anos para ficar pronto e foi lan\u00e7ado em 1998. Era outra \u00e9poca: n\u00e3o havia Youtube ou arquivos digitalizados. 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