{"id":2384,"date":"2022-10-12T06:00:00","date_gmt":"2022-10-12T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2384"},"modified":"2024-09-02T12:44:21","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:21","slug":"critica-blonde-netflix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/critica-blonde-netflix\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cBlonde\u201d (Netflix)"},"content":{"rendered":"\n<p>Alguns filmes merecem ser vistos, mesmo n\u00e3o correspondendo totalmente \u00e0 expectativa do p\u00fablico. Acho que \u00e9 o caso de \u201cBlonde\u201d, do australiano Andrew Dominik, exibido pela Netflix. Quando o filme terminou, minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi de desapontamento, mas eu n\u00e3o consegui parar de pensar em determinas cenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Adaptado pelo pr\u00f3prio Dominik do livro de Joyce Carol Oates, \u201cBlonde\u201d \u00e9 uma cinebiografia de Marilyn Monroe. A atriz cubana Ana de Armas faz Marilyn. Ela est\u00e1 \u00f3tima no papel, embora o roteiro n\u00e3o lhe deixe muitas op\u00e7\u00f5es sen\u00e3o parecer triste, paranoica e amedrontada por quase todo o filme.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AUfiFWUSp7k\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Dominik, que j\u00e1 fez dois document\u00e1rios sobre Nick Cave e \u00f3timos filmes como \u201cO Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford\u201d (2007) e \u201cO Homem da M\u00e1fia\u201d (2012), claramente tentou fugir da f\u00f3rmula surrada das cinebiografias convencionais, que narram a vida de algu\u00e9m de forma cronol\u00f3gica e linear. O roteiro de Dominik mant\u00e9m a cronologia dos fatos da vida de Marilyn \u2013 inf\u00e2ncia, ascens\u00e3o em Hollywood, amores e decl\u00ednio \u2013 mas ilustra a trajet\u00f3ria com muita inventividade, usando diferentes estilos visuais para cada passagem.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito tempo eu n\u00e3o via um filme t\u00e3o lindamente fotografado e com cen\u00e1rios, figurinos e dire\u00e7\u00e3o de arte t\u00e3o bonitos. Dominik estabeleceu um estilo para cada fase da vida de Marilyn: sua inf\u00e2ncia atormentada, em companhia da m\u00e3e psicologicamente desequilibrada e sofrendo com a aus\u00eancia do pai, \u00e9 fotografada como um filme de terror, com cenas surreais e imagens distorcidas. A persegui\u00e7\u00e3o da imprensa e a celebridade da atriz s\u00e3o fotografadas num preto e branco altamente contrastado, que lembra as imagens do fot\u00f3grafo de tabloides Weegee. E as sequ\u00eancias mais \u00edntimas, especialmente as de seus relacionamentos amorosos, s\u00e3o mostradas num colorido que oscila entre o Technicolor exagerado, com vermelhos explosivos, e tons mais s\u00e9pia e misteriosos, que remetem ao estilo do fot\u00f3grafo ingl\u00eas David Hamilton.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u201cBlonde\u201d tem de bonito, tem de confuso. O roteiro \u00e9 um tanto bagun\u00e7ado. Dominik optou por fazer da personagem quase um Jekyll &amp; Hyde, criando duas metades: a ing\u00eanua Norma Jeane, a menina vitimizada, e a manipuladora Marilyn, seu <em>alter ego<\/em>, um vulc\u00e3o de sensualidade. Essa sa\u00edda simplista acaba por diminuir a for\u00e7a da personagem, porque toda decis\u00e3o \u00e9 colocada na conta de uma das duas metades. Quando a personagem decide fazer um aborto do qual se arrepende, vemos Norma Jean \u201cculpando\u201d Marilyn. O resultado \u00e9 que o espectador acaba n\u00e3o se conectando com a personagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o que me incomodou no filme foi a descri\u00e7\u00e3o dos amores da atriz. Seja no trisal com os filhos de Charlie Chaplin e Edward G. Robinson aos romances com o astro do beisebol Joe DiMaggio, o escritor Arthur Miller e o presidente John F. Kennedy, os personagens masculinos surgem e somem da vida de Marilyn meio que de repente. Ficamos sem saber quem s\u00e3o essas pessoas e o que fez Marilyn se interessar por cada um deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Dominik \u00e9 capaz de criar uma sequ\u00eancia linda e inventiva, para logo depois machucar os olhos do espectador com uma cena em que Marilyn \u201cconversa\u201d com o beb\u00ea que est\u00e1 em sua barriga. Raras vezes vi um filme que passa do sublime ao rid\u00edculo em t\u00e3o pouco tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, cheio de problemas e exageros est\u00e9ticos, \u201cBlonde\u201d vale seu tempo. Goste ou n\u00e3o, \u00e9 o trabalho de um cineasta de talento, que se arrisca, e isso \u00e9 artigo raro hoje em dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo feriado a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns filmes merecem ser vistos, mesmo n\u00e3o correspondendo totalmente \u00e0 expectativa do p\u00fablico. Acho que \u00e9 o caso de \u201cBlonde\u201d, do australiano Andrew Dominik, exibido pela Netflix. Quando o filme terminou, minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi de desapontamento, mas eu n\u00e3o consegui parar de pensar em determinas cenas. 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