{"id":2371,"date":"2022-10-07T06:00:00","date_gmt":"2022-10-07T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2371"},"modified":"2024-09-02T12:44:21","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:21","slug":"critica-ennio-o-maestro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/critica-ennio-o-maestro\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cEnnio, o Maestro\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Quarta-feira, dia 5, publiquei aqui no site um texto sobre \u201cMoonage Daydream\u201d, filme de Brett Morgen sobre David Bowie. E hoje escrevo sobre um filme que \u00e9 o oposto: \u201cEnnio, o Maestro\u201d, do italiano Giuseppe Tornatore, sobre o compositor e maestro Ennio Morricone.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o filme de Morgen usa uma estrutura livre e sem preocupa\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas para mergulhar o espectador no universo de Bowie, Tornatore fez um filme bastante convencional: por meio de cenas de arquivo e entrevistas com o pr\u00f3prio Morricone e uma penca de admiradores, criou um panorama amplo e informativo sobre os 91 anos de vida do m\u00fasico.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kBpdAqMBJng\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>\u00c9 um filme longo (2h30), o que era esperado para tratar de um compositor que trabalhou por 70 anos em cerca de 500 filmes. Apesar disso, em nenhum momento o filme entedia o espectador.<\/p>\n\n\n\n<p>Tornatore, que contou com trilhas de Morricone em alguns filmes, incluindo \u201cCinema Paradiso\u201d (1988) e \u201cEstamos Todos Bem\u201d (1990), conta a trajet\u00f3ria do amigo em ordem cronol\u00f3gica, intercalando entrevistas reveladoras com ele, m\u00fasicos (James Hetfield, Joan Baez, Bruce Springsteen), cineastas (Tarantino, Bertolucci, Dario Argento) e compositores de trilhas sonoras como John Williams e Hans Zimmer.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 um tributo comovente, lindamente documentado e, claro, com uma m\u00fasica divina.<\/p>\n\n\n\n<p>A impress\u00e3o que se tem de Morricone \u00e9 a de um verdadeiro \u201coper\u00e1rio\u201d da m\u00fasica, um artista que nunca confiou muito no pr\u00f3prio talento e que ainda parecia, j\u00e1 consagrado e no fim da carreira, um tanto surpreso com a adula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito interessante v\u00ea-lo falando sobre a inspira\u00e7\u00e3o de trilhas marcantes como as de \u201cInvestiga\u00e7\u00e3o Sobre Um Cidad\u00e3o Acima de Qualquer Suspeita\u201d (Elio Petri, 1970) e da m\u00fasica sublime que criou para tr\u00eas faroestes dirigidos nos anos 60 por Sergio Leone, um cineasta ainda prestes a se tornar famoso: \u201cPor Um Punhado de D\u00f3lares&#8221; (1964), &#8220;Por Uns D\u00f3lares a Mais&#8221; (1965) e &#8220;Tr\u00eas Homens em Conflito&#8221; (1966).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA m\u00fasica desses filmes n\u00e3o era um complemento \u00e0 narrativa. Ela era a narrativa\u201d, escrevi em 2020, quando Morricone morreu. \u201cSeca, minimalista e surpreendente, a m\u00fasica complementava com maestria a beleza \u00e1rida das imagens de Leone e fazia os filmes parecerem muito mais \u00e9picos e sofisticados do que eram na realidade. Das tr\u00eas, a trilha de \u2018Tr\u00eas Homens em Conflito\u2019 tornou-se a mais famosa. T\u00e3o pop, na verdade, que um trecho dela, \u2018O Del\u00edrio do Ouro\u2019 (\u2018L&#8217;estasi dell&#8217;oro\u2019) acabou sendo usada por bandas de rock como Metallica e Ramones em seus shows (os Ramones usavam tamb\u00e9m outro trecho da trilha como introdu\u00e7\u00e3o de seus concertos)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tornatore fez um filme sobre um compositor, e n\u00e3o parece ter interesse pela vida privada de Morricone. O tema, aqui, \u00e9 sua arte. Mesmo milion\u00e1rio \u2013 vendeu, segundo c\u00e1lculos, 70 milh\u00f5es de discos \u2013 Morricone n\u00e3o mudou seu jeito de ser: recusou in\u00fameros convites para trabalhar em Hollywood, nunca abandonou Roma, n\u00e3o aprendeu a falar ingl\u00eas e s\u00f3 foi conhecer os Estados Unidos em 2007. Trabalhava, obsessivamente, em sua mans\u00e3o em Roma, onde mantinha um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o. Quem quisesse trabalhar com ele, que o procurasse em casa, onde Tornatore o entrevistou.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, \u201cEnnio, o Maestro\u201d \u00e9 um deleite: grandes hist\u00f3rias contadas por um grande personagem e complementadas por sequ\u00eancias inesquec\u00edveis de filmes como \u201cEra Uma Vez no Oeste\u201d, \u201c1900\u201d, \u201cOs Intoc\u00e1veis\u201d, \u201cEra Uma Vez na Am\u00e9rica\u201d e \u201cA Miss\u00e3o\u201d e tantos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quarta-feira, dia 5, publiquei aqui no site um texto sobre \u201cMoonage Daydream\u201d, filme de Brett Morgen sobre David Bowie. E hoje escrevo sobre um filme que \u00e9 o oposto: \u201cEnnio, o Maestro\u201d, do italiano Giuseppe Tornatore, sobre o compositor e maestro Ennio Morricone. 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