{"id":2368,"date":"2022-10-05T06:00:00","date_gmt":"2022-10-05T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2368"},"modified":"2026-03-13T10:13:36","modified_gmt":"2026-03-13T13:13:36","slug":"critica-david-bowie-moonage-daydream","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/critica-david-bowie-moonage-daydream\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cDavid Bowie: Moonage Daydream\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Quem for assistir a \u201cMoonage Daydream\u201d esperando ver um document\u00e1rio sobre David Bowie vai se decepcionar. Dirigido por Brett Morgen (\u201cCobain: Montage of Heck\u201d), \u201cMoonage Daydream\u201d parece mais um filme-ensaio sobre as ideias de Bowie do que, propriamente, um trabalho com interesse jornal\u00edstico-documental. Quem n\u00e3o conhece a obra do artista vai ter dificuldade em acompanhar a narrativa intrincada e um tanto prolixa do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Morgen n\u00e3o faz o menor esfor\u00e7o para ser did\u00e1tico. Nenhuma foto \u00e9 identificada, assim como n\u00e3o vemos nenhuma indica\u00e7\u00e3o de ano ou capa de disco. Quem n\u00e3o sabe que Bowie explodiu na Inglaterra na virada dos 60 para os 70, depois teve um curto per\u00edodo norte-americano, seguido por alguns anos em Berlim, vai continuar sem saber em que anos o camale\u00e3o viveu em determinado lugar ou que discos nasceram naqueles per\u00edodos.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme inteiro \u00e9 narrado pelo pr\u00f3prio Bowie, com trechos de entrevistas. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m falando sobre ele, nenhum depoimento de amigos ou colaboradores. As poucas cenas em que outras pessoas falam sobre o artista s\u00e3o imagens de arquivo dos anos 70 ou 80, de f\u00e3s em portas de shows. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9_5Qcmvw304\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Quando Bowie fala de suas influ\u00eancias, Morgen mostra imagens de Oscar Wilde, Burroughs, Aleister Crowley, Marcel Marceau, Nietszche, o Velvet Underground e outros, mas nenhum deles \u00e9 identificado. De novo: quem n\u00e3o conhece o rosto de Oscar Wilde fica boiando. O filme n\u00e3o se d\u00e1 ao trabalho de explicar por que aquelas pessoas foram importantes na vida de David Bowie. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O curioso \u00e9 que, para um filme-ensaio, \u201cMoonage Daydream\u201d tem uma estrutura bastante convencional: a vida de Bowie \u00e9 contada em ordem cronol\u00f3gica, e as mudan\u00e7as de personagens e direcionamento musical aparecem em ordem: primeiro, o trovador \u00e0 Dylan, seguido pelo astro \u201cglam\u201d espacial, o xerox de cantor soul da fase \u201cYoung Americans\u201d, o experimentador sonoro da fase Berlim e o megastar pop de \u201cLet\u2019s Dance\u201d. Mas s\u00f3 quem conhece a cronologia da carreira de Bowie vai captar isso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMoonage Daydream\u201d n\u00e3o se decide: \u00e9 confuso demais para ser um document\u00e1rio informativo e careta demais para ser um ensaio criativo e instigante. Tamb\u00e9m \u00e9 bastante repetitivo: h\u00e1 pelo menos meia d\u00fazia de sequ\u00eancias ao longo do filme em que Bowie fala sobre a maior caracter\u00edstica de sua carreira, a de ser uma \u201cesponja\u201d de influ\u00eancias e buscar estar sempre antenado com as novidades. \u201cEm todo trabalho que fa\u00e7o, tento capturar o esp\u00edrito daquele ano em particular\u201d, ele diz, para repetir o tema, com outra frase, 15 minutos depois.<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e3s de Bowie e pessoas que conhecem bem a obra do artista devem gostar mais de \u201cMoonage Daydream\u201d do que o espectador m\u00e9dio. H\u00e1 lindas cenas de arquivo de Bowie na fase \u201cglam\u201d encarnando Ziggy Stardust, depois passeando por Berlim e gravando com Brian Eno e Robert Fripp (n\u00e3o identificados nas imagens) e curtindo a vida adoidado com o estouro do \u00e1lbum \u201cLet\u2019s Dance\u201d (mas nenhuma men\u00e7\u00e3o a Nile Rodgers, coprodutor do disco e que ajudou Bowie a obter a sonoridade pop do \u00e1lbum).<\/p>\n\n\n\n<p>O filme dura 2h14 e, l\u00e1 pela metade, me peguei olhando no rel\u00f3gio, um tanto entediado. Na segunda metade do filme, h\u00e1 v\u00e1rias imagens repetidas da primeira, o que colaborou para uma desconfort\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de monotonia.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, \u201cMoonage Daydream\u201d vale por algumas bonitas sequ\u00eancias de imagens de arquivo e de apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo (o que \u00e9 aquela vers\u00e3o de \u201cHeroes\u201d?), mas fica a pergunta: como algu\u00e9m consegue fazer um filme chato sobre uma personalidade t\u00e3o rica e interessante quanto David Bowie?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem for assistir a \u201cMoonage Daydream\u201d esperando ver um document\u00e1rio sobre David Bowie vai se decepcionar. Dirigido por Brett Morgen (\u201cCobain: Montage of Heck\u201d), \u201cMoonage Daydream\u201d parece mais um filme-ensaio sobre as ideias de Bowie do que, propriamente, um trabalho com interesse jornal\u00edstico-documental. 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