{"id":2361,"date":"2022-09-30T06:00:00","date_gmt":"2022-09-30T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2361"},"modified":"2024-09-02T12:44:21","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:21","slug":"joe-bussard-adeus-ao-homem-que-amava-os-discos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/joe-bussard-adeus-ao-homem-que-amava-os-discos\/","title":{"rendered":"Joe Bussard: adeus ao homem que amava os discos"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma parte importante da hist\u00f3ria discogr\u00e1fica da primeira metade do s\u00e9culo 20 se foi na segunda, 26 de setembro de 2022, quando morreu, aos 86 anos, na cidade de Frederick, no estado norte-americano de Maryland, o colecionador e arquivista Joe Bussard.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os sete anos de idade, quando ouviu e se apaixonou por um disco de Gene Autry, Bussard come\u00e7ou a colecionar discos. Mas n\u00e3o qualquer disco: sua obsess\u00e3o eram os velhos vinis de 78 rota\u00e7\u00f5es da m\u00fasica folk americana \u2013 blues, country, cajun, zydeco, bluegrass, gospel e, mais tarde, o jazz &#8211; especialmente os gravados nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930. Por quase 80 anos, ele reuniu uma cole\u00e7\u00e3o de mais de 25 mil discos de 78 rota\u00e7\u00f5es, muitos em c\u00f3pias \u00fanicas, que s\u00f3 existem porque ele as guardou.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, Bussard come\u00e7ou a viajar pelos Estados Unidos, parando em pequenos vilarejos isolados e perguntando por discos velhos. Como os discos de 78 rota\u00e7\u00f5es haviam ca\u00eddo em desuso, substitu\u00eddos no gosto popular por modernas bolachas de 45 rota\u00e7\u00f5es, muita gente ficou feliz em se livrar daquelas velharias. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Bussard era um tradicionalista: para ele, a m\u00fasica acabara em 1947, quando interesses comerciais transformaram as grava\u00e7\u00f5es e aniquilaram a autenticidade dos sons primitivos. \u201cO jazz acabou antes, em 1933\u201d, dizia. E o blues teve a sorte de durar mais: \u201cAt\u00e9 1955, quando o rock\u2019n\u2019roll tomou conta e o blues foi para as cidades. Foi o fim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Bussard amava a tradi\u00e7\u00e3o, mas nunca foi daqueles colecionadores que escondiam discos para que ningu\u00e9m mais os conhecesse. Ele amava tanto a m\u00fasica que fazia de tudo para divulg\u00e1-la para o maior n\u00famero de pessoas, mesmo que, para isso, precisasse quebrar a lei. Foi o que fez em 1955, aos 19 anos, quando montou uma r\u00e1dio pirata no por\u00e3o de casa e passou a transmitir programas com j\u00f3ias esquecidas da m\u00fasica country. No ano seguinte, fundou a gravadora Fonotone, a \u00faltima nos Estados Unidos a lan\u00e7ar discos em 78 rota\u00e7\u00f5es e que gravou os primeiros discos do guitarrista John Fahey.<\/p>\n\n\n\n<p>Incont\u00e1veis cole\u00e7\u00f5es de blues, country e jazz foram compiladas da cole\u00e7\u00e3o de Bussard e lan\u00e7adas em CD. Especialistas destacam a imensa sele\u00e7\u00e3o de discos rar\u00edssimos gravados entre 1926 e 1932, que jogaram luz sobre cenas musicais locais de estados como a G\u00e9orgia, Texas, Arkansas e Louisiana. \u201cFoi o per\u00edodo mais glorioso da m\u00fasica de raiz nos Estados Unidos\u201d, dizia Bussard. \u201cSabe por qu\u00ea? Porque n\u00e3o havia um grande com\u00e9rcio de discos, essas m\u00fasicas n\u00e3o eram ouvidas fora de suas regi\u00f5es, e m\u00fasicos n\u00e3o recebiam influ\u00eancias de outros m\u00fasicos. Voc\u00ea ouvia um violonista da Ge\u00f3rgia e ele tocava muito diferente de um violonista do Texas, os estilos locas predominavam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 in\u00fameras reportagens e entrevistas com Joe Bussard na Internet, mas sugiro ver esse filme de 30 minutos, infelizmente sem legendas, que conta a vida dele e traz fotografias muito bonitas de sua vida:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OPhtR09p6zM\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma parte importante da hist\u00f3ria discogr\u00e1fica da primeira metade do s\u00e9culo 20 se foi na segunda, 26 de setembro de 2022, quando morreu, aos 86 anos, na cidade de Frederick, no estado norte-americano de Maryland, o colecionador e arquivista Joe Bussard. 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