{"id":2352,"date":"2022-09-26T06:00:00","date_gmt":"2022-09-26T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2352"},"modified":"2024-09-02T12:44:21","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:21","slug":"filme-traz-o-som-e-a-furia-do-creedence","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/filme-traz-o-som-e-a-furia-do-creedence\/","title":{"rendered":"Filme traz o som e a f\u00faria do Creedence"},"content":{"rendered":"\n<p>A Netflix exibe \u201cTravelin\u2019 Band\u201d, um document\u00e1rio muito simples, mas comovente, sobre um famoso show da banda Creedence Clearwater Revival em abril de 1970 no Royal Albet Hall, em Londres.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura do filme \u00e9 minimalista: com a narra\u00e7\u00e3o de Jeff Bridges, \u00e9 contada a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da banda, desde o fim dos anos 50 na Calif\u00f3rnia, quando os integrantes se conhecem na escola, passando pela fase em que se chamaram Golliwogs, at\u00e9 a mudan\u00e7a de nome para Creedence Clearwater Revival e o imenso sucesso comercial que finalmente acontece em 1968 e 1969.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando cenas de bastidores da banda viajando pela primeira vez \u00e0 Europa, em abril de 1970, para shows esgotados na Holanda, Alemanha, Fran\u00e7a, Dinamarca e Inglaterra, o filme captura o Creedence em seu auge, depois de lan\u00e7ar tr\u00eas LPs em 12 meses e amea\u00e7ar a posi\u00e7\u00e3o dos Beatles de banda mais popular do mundo (por uma incr\u00edvel coincid\u00eancia, o Creedence chega \u00e0 Inglaterra poucos dias depois do an\u00fancio da separa\u00e7\u00e3o dos Beatles).<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aSgjNffYBdo\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>S\u00f3 pelas imagens de bastidores \u00e9 poss\u00edvel entender a din\u00e2mica interna da banda, dominada pela presen\u00e7a magn\u00e9tica de John Fogerty. Ele \u00e9 o compositor de quase todos os hits da banda e tamb\u00e9m produz os discos. \u00c9 o porta-voz do grupo e fica evidente que os outros integrantes sabem disso.<\/p>\n\n\n\n<p>O Creedence surgiu junto com a hist\u00f3rica gera\u00e7\u00e3o de artistas norte-americanos da contracultura do fim dos 60 \u2013 Jefferson Airplane, Grateful Dead, Doors, Hendrix, Janis \u2013 mas era uma anomalia naquela cena: para come\u00e7ar, n\u00e3o trazia a lisergia em seu som, n\u00e3o tomava \u00e1cido e n\u00e3o conclamava o ouvinte a viagens alucin\u00f3genas. Eram quatro caretas de camisa de lenhador que faziam m\u00fasicas de dois minutos e letras realistas que nada tinham de po\u00e9ticas ou viajandonas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o era uma banda pol\u00edtica: em letras como \u201cFortunate Son\u201d, uma corrosiva condena\u00e7\u00e3o dos filhinhos de papai e de pol\u00edticos que n\u00e3o eram convocados para a Guerra do Vietn\u00e3 enquanto jovens prolet\u00e1rios morriam aos montes, John Fogerty trazia a sua vis\u00e3o da Am\u00e9rica e suas injusti\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que Fogerty era um letrista dos mais inventivos, capaz de escrever can\u00e7\u00f5es rurais e que aludiam \u00e0 vida interiorana do sul do pa\u00eds (\u201cBayou Country\u201d, \u201cProud Mary\u201d) sem nunca ter colocado os p\u00e9s no interior (a banda era 100% urbana, de El Cerrito, pr\u00f3ximo a S\u00e3o Francisco).<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando ao filme: depois de uma breve cr\u00f4nica sobre a origem e a explos\u00e3o da banda, \u201cTravelin\u2019 Band\u201d mostra a \u00edntegra do show de 14 de abril de 1970, uma apresenta\u00e7\u00e3o curta e explosiva, que come\u00e7a com o sorumb\u00e1tico p\u00fablico ingl\u00eas sentado comportadamente em suas cadeiras e termina com todos de p\u00e9, convulsionando aos acordes violentos do Creedence.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O P\u00d3S: BRIGAS E MORTE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se \u201cTravelin\u2019 Band\u201d narra um per\u00edodo de gl\u00f3ria do CCR, ainda estamos para ver um document\u00e1rio que conte a hist\u00f3ria que veio depois. H\u00e1 alguns anos, escrevi sobre o per\u00edodo p\u00f3s-1970:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Na virada dos anos 60 pros 70, o Creedence n\u00e3o foi s\u00f3 uma das melhores bandas do mundo, mas uma das mais produtivas. Entre 1968 e 1970, lan\u00e7ou seis discos cl\u00e1ssicos: \u201cCreedence Clearwater Revival\u201d, \u201cBayou Country\u201d, \u201cGreen River\u201d, \u201cWilly and the Poor Boys\u201d, \u201cCosmo\u2019s Factory\u201d e \u201cPendulum\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quem ouvia o som do grupo, inspirado no rockabilly da Sun Records e no rock do sul dos Estados Unidos, dificilmente imaginava que eles eram de El Cerrito, ao lado de S\u00e3o Francisco. Enquanto muitas bandas locais \u2013 Grateful Dead, Jefferson Airplane, Moby Grape \u2013 faziam um som psicod\u00e9lico e viajand\u00e3o, com longas jams e solos, o CCR optava pela simplicidade, com m\u00fasicas r\u00e1pidas e simples, &nbsp;que prenunciava o que os Ramones fariam alguns anos depois.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O lider do CCR, John Fogerty, \u00e9 um dos personagens mais interessantes do rock americano. T\u00e3o talentoso quanto egoc\u00eantrico, mandava na banda como um general, o que causou muitas brigas com os outros tr\u00eas integrantes: o irm\u00e3o, o guitarrista Tom Fogerty, o baixista Stu Cook e o baterista Doug Clifford. John era um perfeccionista. Recusou-se a permitir que o show da banda no festival de Woodstock fosse inclu\u00eddo no filme e na trilha sonora, por julgar a performance fraca. \u201cQuando subimos no palco, passava das 3 da manh\u00e3 e o Grateful Dead tinha posto meio milh\u00e3o de pessoas pra dormir. Nosso show foi uma merda.\u201d (lan\u00e7ado em 1994, a grava\u00e7\u00e3o do show \u00e9 sensacional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 1970, Tom decidiu que n\u00e3o ag\u00fcentava mais o ego de John e saiu da banda. &nbsp;O CCR seguiu como um trio, at\u00e9 que John, cansado de compor quase todas as m\u00fasicas, disse que as composi\u00e7\u00f5es seriam divididas no pr\u00f3ximo disco, \u201cMardi Gras\u201d: \u201cVamos ver se conseguimos fazer um disco em que eu n\u00e3o fa\u00e7a tudo.\u201d O resultado foi um fracasso de venda e p\u00fablico. John partiu para a carreira solo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nos anos 80, Saul Zaentz, dono da Fantasy, gravadora do CCR, processou John por lan\u00e7ar m\u00fasicas parecidas com as do CCR, num caso \u00fanico de artista processado por plagiar a si mesmo. John ganhou o processo e contra-atacou com v\u00e1rias letras venenosas contra Zaentz (em 1996, entrevistei Zaentz \u2013 ele produziu o filme \u201cO Paciente Ingl\u00eas\u201d \u2013 e, no fim, perguntei sobre a briga com Fogerty. A entrevista terminou ali mesmo). A briga entre John e Tom continuou. Os irm\u00e3os n\u00e3o se falaram por quase 20 anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tom morreu em 1990, de Aids, depois de receber uma transfus\u00e3o de sangue contaminado. Dizem que John foi visit\u00e1-lo no hospital e a \u00faltima frase que ouviu de Tom foi: \u201cSaul Zaentz estava certo!\u201d<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Netflix exibe \u201cTravelin\u2019 Band\u201d, um document\u00e1rio muito simples, mas comovente, sobre um famoso show da banda Creedence Clearwater Revival em abril de 1970 no Royal Albet Hall, em Londres. 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