{"id":2326,"date":"2022-09-10T06:00:00","date_gmt":"2022-09-10T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2326"},"modified":"2024-09-02T12:44:35","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:35","slug":"do-arquivo-feliz-100-lady-day","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/do-arquivo-feliz-100-lady-day\/","title":{"rendered":"Do Arquivo: Feliz 100, Lady Day!"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Publicado originalmente em abril de 2015<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns m\u00fasicos me emocionam de forma especial. Quando ou\u00e7o Howlin\u2019 Wolf, Django Reinhardt, Sidney Bechet, Stevie Ray Vaughan, Jacob do Bandolim, Glenn Gould ou Nina Simone, parece que a m\u00fasica traz, al\u00e9m da beleza, uma sinceridade que a torna ainda mais especial.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que esse seleto grupo de m\u00fasicos n\u00e3o estaria completo sem Billie Holiday, cujo anivers\u00e1rio de 100 anos foi celebrado ontem.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho impressionante como algumas pessoas usam o jazz e os <em>standards<\/em> da can\u00e7\u00e3o americana, eternizados por cantores como Holiday, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Bing Crosby, Nat King Cole e outros, como m\u00fasica de fundo ou uma simples trilha sonora para relaxamento e um vinhozinho no sof\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca consegui relaxar ouvindo Billie Holiday, porque sua voz \u00e9 carregada de uma emo\u00e7\u00e3o t\u00e3o sincera que demanda completa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No filme \u201cNoivo Neur\u00f3tico, Noiva Nervosa\u201d, o personagem de Woody Allen diz para Annie Hall (Diane Keaton), uma cantora amadora: \u201cDrogas d\u00e3o a ilus\u00e3o de que podem transformar qualquer mulher branca em Billie Holiday\u201d. Allen brincava n\u00e3o s\u00f3 com a no\u00e7\u00e3o de que a \u201chonestidade\u201d art\u00edstica pode ser mais facilmente atingida em estados alterados de consci\u00eancia, mas tamb\u00e9m com a imagem de Holiday como um \u00edcone da autodestrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fatos s\u00e3o conhecidos: Eleonora Fagan Gough nunca soube com certeza a data e local de seu nascimento. Internada em um reformat\u00f3rio aos nove anos de idade, prostituiu-se, foi viciada em hero\u00edna e presa por porte de drogas. Morreu em 1959, aos 44 anos, de cirrose e problemas card\u00edacos. Em suas \u00faltimas fotos, parecia ter 70 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seus 44 anos de vida, Billie Holiday \u2013 ou \u201cLady Day\u201d, apelido carinhoso dado pelo parceiro de tantas grava\u00e7\u00f5es, o saxofonista Lester Young \u2013 revolucionou o jazz. Sem treinamento formal, usava a voz como instrumento, inspirada nos grandes jazzistas que apreciava. E foram muitos: Billie adorava Louis Armstrong e cantou com as orquestras de Count Basie, Benny Goodman e Artie Shaw. Ao longo da carreira, gravou com m\u00fasicos como Johnny Hodges, Gerry Mulligan, Oscar Peterson, Roy Eldridge e tantos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em homenagem a Lady Day, aqui vai uma sele\u00e7\u00e3o de cinco de suas interpreta\u00e7\u00f5es antol\u00f3gicas:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Me, Myself and I (1937) <\/strong>Aos 22 anos, Lady Day botava o mundo pra dan\u00e7ar em uma das muitas faixas que gravou com o parceiro Lester Young.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cMrS9_4XyYI\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Strange Fruit (1939) <\/strong>Escrita por Abel Meeropol, um professor judeu e branco, \u201cStrange Fruit\u201d ainda \u00e9 uma das can\u00e7\u00f5es de protesto mais arrepiantes j\u00e1 feitas. As \u201cfrutas estranhas\u201d da letra eram os corpos de negros, linchados e pendurados em \u00e1rvores no estado de Indiana. <\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-DGY9HvChXk\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>That Ole Devil Called Love (1944) <\/strong>A letra parece feita sob medida para a melancolia da voz de Holiday: \u201c\u00c9 aquele velho diabo chamado amor de novo \/ Que se aproxima de mim e me empurra \/ P\u00f5e chuva em meus olhos \/ L\u00e1grimas em meus sonhos \/ E pedras em meu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mOLDA1iJ4yM\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>All of Me (1941) <\/strong>Quantas dezenas de vers\u00f5es de \u201cAll of Me\u201d voc\u00ea j\u00e1 ouviu? E quantas chegam perto da vers\u00e3o de Lady Day? \u201cVoc\u00ea levou a parte \/ que um dia foi meu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lI5ORDi7yOs\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>For All We Know (1958) <\/strong>Em 1958, Billie Holiday gravou seu pen\u00faltimo LP, \u201cLady in Satin\u201d. Sua voz n\u00e3o \u00e9 a mesma de anos antes e mostra claros sinais de desgaste, mas a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 comovente demais.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XK4tmKtpw54\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em abril de 2015 Alguns m\u00fasicos me emocionam de forma especial. Quando ou\u00e7o Howlin\u2019 Wolf, Django Reinhardt, Sidney Bechet, Stevie Ray Vaughan, Jacob do Bandolim, Glenn Gould ou Nina Simone, parece que a m\u00fasica traz, al\u00e9m da beleza, uma sinceridade que a torna ainda mais especial. 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