{"id":2313,"date":"2022-09-09T06:00:00","date_gmt":"2022-09-09T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2313"},"modified":"2024-09-02T12:44:35","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:35","slug":"mostra-celebra-os-90-anos-de-milos-forman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/mostra-celebra-os-90-anos-de-milos-forman\/","title":{"rendered":"Mostra celebra os 90 anos de Milos Forman"},"content":{"rendered":"\n<p>O cineclube Film Forum, em Nova York, come\u00e7a hoje, 9 de setembro, uma mostra completa celebrando os 90 anos do cineasta tcheco Milos Forman (1932-2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de todos os longas-metragens e alguns curtas do diretor, a mostra ter\u00e1 debates e palestras de cr\u00edticos, colegas e da vi\u00fava de Milos, Martina Forman. Um dos destaques ser\u00e1 a conversa com o roteirista Michael Weller, que escreveu \u201cHair\u201d e \u201cRagtime\u201d para o cineasta e vai falar sobre o pouco conhecido \u201cTaking Off\u201d (1971), primeiro filme de Forman nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se eu estivesse em Nova York, n\u00e3o perderia de jeito nenhum a conversa com Larry Karaszewski, roteirista do sensacional \u201cO Povo Contra Larry Flynt\u201d(1996).<\/p>\n\n\n\n<p>Veja <a href=\"https:\/\/filmforum.org\/series\/milosh-forman-90\">aqui<\/a> a programa\u00e7\u00e3o de filmes e debates.<\/p>\n\n\n\n<p>Forman nunca fez um filme que n\u00e3o merecesse ser visto. Na minha opini\u00e3o, o \u00fanico filme \u201cdispens\u00e1vel\u201d entre os 12 longas que ele dirigiu entre 1964 e 2008 foi justamente o \u00faltimo, \u201cGoya\u2019s Ghosts\u201d, e pelo menos sete s\u00e3o extraordin\u00e1rios: \u201cAmores de Uma Loura\u201d (1965), \u201cBaile dos Bombeiros\u201d (1967), \u201cTaking Off\u201d (1971), \u201cUm Estranho no Ninho\u201d (1975), \u201cAmadeus\u201d (1984), \u201cO Povo Contra Larry Flynt\u201d (1996) e \u201cO Mundo de Andy\u201d (1999). Forman conseguiu manter-se um diretor relevante por quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, quando Forman morreu, aos 86 anos, escrevi na \u201cFolha\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Junto ao polon\u00eas Roman Polanski, Forman foi o diretor do leste europeu que mais fez sucesso comercial e de cr\u00edtica ap\u00f3s mudar para os Estados Unidos, no fim dos anos 1960. Numa carreira de 55 anos como cineasta, dirigiu filmes como \u201cUm Estranho no Ninho\u201d (1975), \u201cAmadeus\u201d (1984), \u201cO Povo Contra Larry Flint\u201d (1996) e \u201cO Mundo de Andy\u201d (1999). Pelos dois primeiros, ganhou o Oscar de melhor diretor.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Na Tchecoslov\u00e1quia, inspirado pela liberdade criativa da \u201cNouvelle Vague\u201d francesa, Forman havia dirigido filmes baratos e ousados como \u201cOs Amores de Uma Loura\u201d (1964) e \u201cO Baile dos Bombeiros\u201d (1967), que lidavam com temas como a burocracia estatal e traziam um humor negro que ironizava, sempre de forma velada, para escapar dos censores, a falta de liberdade no ent\u00e3o pa\u00eds comunista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se existe um tema que percorre toda a carreira de Milos Forman, \u00e9 o da luta contra as opress\u00f5es. E o cineasta tinha motivos para se rebelar: os pais haviam morrido em campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, e a invas\u00e3o das tropas do Pacto de Vars\u00f3via o expulsara da Tchecoslov\u00e1quia. Quando Milos tinha pouco mais de 30 anos, descobriu que seu pai, na verdade, era um arquiteto com quem a m\u00e3e havia tido um romance extraconjugal. O arquiteto tamb\u00e9m havia sido preso em um campo de concentra\u00e7\u00e3o nazista, mas conseguira escapar.&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nos Estados Unidos, mesmo trabalhando para grandes est\u00fadios hollywoodianos, Forman conseguiu fazer filmes desafiadores. Seu primeiro grande sucesso, \u201cUm Estranho no Ninho\u201d, adaptado de um romance de Ken Kesey, figura importante dos movimentos beat e hippie, era, na superf\u00edcie, uma com\u00e9dia amarga sobre a vida numa institui\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica, mas tamb\u00e9m pode ser vista como uma analogia poderosa aos Estados Unidos da \u00e9poca da Guerra do Vietn\u00e3 e \u00e0 descren\u00e7a em governos e institui\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Depois de dois filmes recebidos com frieza, \u201cHair\u201d (1979) e \u201cRagtime\u201d (1981), Forman acertou na mosca com \u201cAmadeus\u201d (1984), hist\u00f3ria do compositor Antonio Salieri e de sua inveja mortal do m\u00fasico cujo g\u00eanio o atormentava: Wolfgang Amadeus Mozart. \u201cAmadeus\u201d ganhou oito Oscar, incluindo melhor filme, diretor e ator (F. Murray Abraham, no papel de Salieri).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Milos Forman tinha um talento especial para achar personagens cujas hist\u00f3rias simbolizavam temas relevantes. Em \u201cO Povo Contra Larry Flint\u201d, pegou um personagem detest\u00e1vel, dono de um imp\u00e9rio de revistas pornogr\u00e1ficas, e fez dele um s\u00edmbolo da luta pela liberdade de express\u00e3o. O filme n\u00e3o transformava Flint em m\u00e1rtir, mas defendia que at\u00e9 um homem inescrupuloso e vil como ele n\u00e3o poderia ser censurado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em \u201cO Mundo de Andy\u201d, Milos Forman explorou outro personagem pol\u00eamico, o comediante Andy Kaufman, um g\u00eanio perturbado que reinventou a com\u00e9dia ao destruir os limites entre a interpreta\u00e7\u00e3o e a vida real. Forman se identificou tanto com Andy que batizou um filho, nascido logo ap\u00f3s a filmagem, com o nome do comediante. O outro menino, g\u00eameo, recebeu o nome de James, em homenagem ao ator Jim Carrey.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E este ano, aqui mesmo no blog, escrevi sobre como Forman foi, literalmente, salvo por amigos cineastas (leia <a href=\"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/como-o-cinema-salvou-literalmente-a-vida-de-milos-forman\/\">aqui<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00f3timo fim de semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cineclube Film Forum, em Nova York, come\u00e7a hoje, 9 de setembro, uma mostra completa celebrando os 90 anos do cineasta tcheco Milos Forman (1932-2018). Al\u00e9m de todos os longas-metragens e alguns curtas do diretor, a mostra ter\u00e1 debates e palestras de cr\u00edticos, colegas e da vi\u00fava de Milos, Martina Forman. 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