{"id":2301,"date":"2022-09-03T06:00:00","date_gmt":"2022-09-03T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2301"},"modified":"2024-09-02T12:44:35","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:35","slug":"do-arquivo-a-ressurreicao-de-nick-drake","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/do-arquivo-a-ressurreicao-de-nick-drake\/","title":{"rendered":"Do Arquivo: A ressurrei\u00e7\u00e3o de Nick Drake"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Publicado originalmente em 26 de novembro de 2014<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 40 anos, Nick Drake foi dormir e n\u00e3o acordou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 25 de novembro de 1974, a m\u00e3e de Nick, Mary, foi despertar o filho e o encontrou morto na cama. Nick tinha 26 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, Nick havia desistido da vida uns dois anos antes, deprimido pelo fracasso comercial de seu terceiro disco, \u201cPink Moon\u201d, e por sua total incapacidade de amar e se sentir amado. Para escapar, fumava quantidades surreais de maconha e tomava montanhas de antidepressivos. Foi uma overdose de antidepressivos que o matou. Ningu\u00e9m sabe se acidentalmente ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NVkimezEUsM\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>Tirando parentes e alguns poucos admiradores, a morte de Nick Drake passou em branco. Tanto que seu obitu\u00e1rio s\u00f3 foi publicado pelo seman\u00e1rio \u201cNew Musical Express\u201d mais de dois meses depois, em fevereiro de 1975.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m, que obitu\u00e1rio: \u201cR\u00e9quiem para um Homem Solit\u00e1rio\u201d (leia <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/music\/2014\/nov\/05\/nick-drake-requiem-for-a-solitary-man\">aqui<\/a>), de Nick Kent, \u00e9 um dos textos mais bonitos escritos sobre a carreira breve e silenciosa de Nick Drake. A eulogia de Kent \u2013 o primeiro artigo mais profundo sobre a m\u00fasica de Drake \u2013 fez com que muita gente descobrisse o cantor ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos jovens que leu o artigo foi um certo Robert James Smith, ent\u00e3o prestes a completar 16 anos. Robert ficou obcecado pela m\u00fasica de Nick Drake, especialmente pela can\u00e7\u00e3o \u201cTime Has Told Me\u201d, que abria o disco de estreia do cantor, \u201cFive Leaves Left\u201d (1969). Anos depois, quando quis montar a pr\u00f3pria banda, Robert inspirou-se na letra da can\u00e7\u00e3o (\u201cO tempo me disse \/ que voc\u00ea \u00e9 um achado raro \/ uma cura confusa \/ para uma alma confusa\u201d) para batizar seu grupo: The Cure.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na Inglaterra, uma jovem Siouxsie Sioux caiu de amores pelas letras dilacerantes de Drake. Nos Estados Unidos, Peter Buck, que anos depois montaria o REM, tamb\u00e9m se fascinou, mas pela t\u00e9cnica de Drake ao viol\u00e3o, inspirada por mestres do <em>folk<\/em> brit\u00e2nico como Bert Jansch e John Martyn.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde sua morte, h\u00e1 40 anos, a fama de Nick Drake s\u00f3 aumentou. F\u00e3s visitam seu t\u00famulo e a casa onde viveu; bandas fazem <em>covers<\/em> e estudiosos pesquisam sua vida breve.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto viveu, Nick Drake foi um mist\u00e9rio. Seus tr\u00eas discos \u2013 \u201cFive Leaves Left\u201d (1969), \u201cBryter Layter\u201d (1970) e \u201cPink Moon\u201d (1972) \u2013 foram fracassos. Parou de tocar ao vivo logo no in\u00edcio da carreira, assombrado por uma timidez doentia e medo de rejei\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Deu uma \u00fanica entrevista na vida, e esta foi t\u00e3o constrangedora, com longas passagens de sil\u00eancio e respostas monossil\u00e1bicas e evasivas, que jurou nunca mais se abrir para ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe uma imagem de Nick Drake tocando num palco. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 uma imagem em movimento de Drake, com exce\u00e7\u00e3o de poucos filmes familiares, feitos quando ele era crian\u00e7a. F\u00e3s obsessivos ainda discutem se o homem alto andando de costas nessa cena, capturada em um festival de m\u00fasica na Inglaterra no in\u00edcio dos anos 70, \u00e9 Nick Drake:<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CZFnCdTCSXw\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>No obitu\u00e1rio escrito por Nick Kent, o autor cita uma declara\u00e7\u00e3o de Robert Kirby, amigo e arranjador de Drake, que talvez seja a melhor defini\u00e7\u00e3o da m\u00fasica et\u00e9rea, triste e arrebatadora do artista:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVejo o trabalho de Nick, primordialmente, como uma s\u00e9rie de observa\u00e7\u00f5es completas e v\u00edvidas, e n\u00e3o apenas exerc\u00edcios de introspec\u00e7\u00e3o, como muitos acham. Elas s\u00e3o quase pequenos prov\u00e9rbios epigram\u00e1ticos. A m\u00fasica e a letra se fundem de maneira a tornar a atmosfera das can\u00e7\u00f5es mais importante do que qualquer outra coisa. Eu sei que isso era o objetivo principal de Nick \u2013 n\u00e3o acredito, por exemplo, que ele achasse suas letras \u2018grande poesia\u2019 ou algo semelhante. Elas est\u00e3o l\u00e1 para complementar&#8230; para criar uma atmosfera ditada, em primeiro lugar, pela melodia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado originalmente em 26 de novembro de 2014 H\u00e1 40 anos, Nick Drake foi dormir e n\u00e3o acordou mais. Em 25 de novembro de 1974, a m\u00e3e de Nick, Mary, foi despertar o filho e o encontrou morto na cama. Nick tinha 26 anos. 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