{"id":2234,"date":"2022-08-15T06:00:00","date_gmt":"2022-08-15T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2234"},"modified":"2024-09-02T12:44:35","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:35","slug":"o-dia-em-que-charlie-parker-tocou-para-stravinsky","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/o-dia-em-que-charlie-parker-tocou-para-stravinsky\/","title":{"rendered":"O dia em que Charlie Parker tocou para Stravinsky"},"content":{"rendered":"\n<p>Li uma <a href=\"https:\/\/www.openculture.com\/?p=1025914\">reportagem no site Open Culture<\/a> que reproduzia uma hist\u00f3ria sensacional sobre o compositor russo Igor Stravinsky e o saxofonista norte-americano Charlie Parker, contada num livro chamado &#8220;Jazz Modernism: From Ellington and Armstrong to Matisse and Joyce&#8221;, de Alfred Appel.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, vale lembrar a admira\u00e7\u00e3o que muitos jazzistas tinham pela m\u00fasica de Stravinsky. Nomes como Charles Mingus, Miles Davis, Ornette Coleman, Alice Coltrane e, claro, Charlie Parker, j\u00e1 falaram da influ\u00eancia que sofreram da m\u00fasica potente, polirr\u00edtmica e, por vezes, dissonante do russo, em especial de sua majestosa obra \u201cA Sagra\u00e7\u00e3o da Primavera\u201d. Alguns desses instrumentistas geniais chegaram a incluir em seus sets trechos de obras de Stravinsky.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja aqui um v\u00eddeo muito informativo, do canal do compositor David Bruce (com legendas em ingl\u00eas), que fala sobre como Stravinsky influenciou \u2013 e foi influenciado \u2013 pelo jazz (o russo chegou a escrever uma pe\u00e7a para a big band de Woody Herman, nos anos 1940). O v\u00eddeo traz alguns trechos de jazzistas tocando pe\u00e7as de Stravinsky&#8230;<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5UBt2Ek8f1o\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Voltando ao livro: Alfred Appel (1934-2009), um norte-americano professor de literatura russa (era especialista em Nabokov) e estudioso de jazz, descreve uma noite em 1951 na casa de jazz Birdland, em Nova York:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A casa estava quase lotada, mesmo antes da atra\u00e7\u00e3o de abertura \u2013 o trio de piano de Billy Taylor \u2013 exceto por uma mesa vazia \u00e0 minha direita, que tinha uma placa de RESERVADA, coisa pouco comum no Birdland. Depois que o pianista terminou seu set de 45 minutos, um grupo de quatro homens e uma mulher sentou \u00e0 mesa, e uma onda de sussurros e exclama\u00e7\u00f5es de surpresa tomou conta do lugar: era Igor Stravinsky. Ele era uma celebridade, um \u00edcone para f\u00e3s de jazz por ter santificado jazz moderno ao compor o \u201cEbony Concerto\u201d para Woody Herman e sua Orquestra (1946).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quanto o quinteto de Parker subiu ao palco, o trompetista Red Rodney reconheceu Stravinsky, virou-se e avisou Parker, que nem olhou para Stravinsky. Ignorando o tradicional aceno ao p\u00fablico, Parker imediatamente chamou o primeiro n\u00famero e disparou como uma bala. Ao som das primeiras notas, senti um frio na espinha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Eles estavam tocando \u201cKoko\u201d, um n\u00famero que, devido a seu ritmo acelerad\u00edssimo \u2013 mais de 300 bpm no metr\u00f4nomo \u2013 Parker nunca tocava antes do seu segundo set da noite, quando ele a banda j\u00e1 estivessem suficientemente aquecidos. De repente, Parker come\u00e7ou a tocar, interpolada a \u201cKoko\u201d, a abertura da su\u00edte \u201cO P\u00e1ssaro de Fogo\u201d (que Stravinsky havia composto em 1910, aos 28 anos). A mistura foi perfeita, como se \u201cP\u00e1ssaro\u201d e \u201cKoko\u201d fossem a mesma coisa. Stravinsky delirou, batendo com o copo na mesa com tanta for\u00e7a que o l\u00edquido e cubos de gelo ca\u00edram na mesa atr\u00e1s deles.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Acho essa hist\u00f3ria linda. Dois g\u00eanios, de origens e estilos distintos, mostrando sua admira\u00e7\u00e3o pelo outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00f3tima semana a todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li uma reportagem no site Open Culture que reproduzia uma hist\u00f3ria sensacional sobre o compositor russo Igor Stravinsky e o saxofonista norte-americano Charlie Parker, contada num livro chamado &#8220;Jazz Modernism: From Ellington and Armstrong to Matisse and Joyce&#8221;, de Alfred Appel. Antes, vale lembrar a admira\u00e7\u00e3o que muitos jazzistas tinham pela m\u00fasica de Stravinsky. 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