{"id":2107,"date":"2022-07-30T06:00:00","date_gmt":"2022-07-30T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/?p=2107"},"modified":"2024-09-02T12:44:35","modified_gmt":"2024-09-02T15:44:35","slug":"do-arquivo-csny-nenhuma-banda-se-odiou-tanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webpreview.net.br\/barcinski\/do-arquivo-csny-nenhuma-banda-se-odiou-tanto\/","title":{"rendered":"Do Arquivo: CSN&#038;Y: nenhuma banda se odiou tanto"},"content":{"rendered":"\n<p>Acaba de sair \u201cCSNY 1974\u201d, uma caixa de tr\u00eas CDs e um DVD com trechos da c\u00e9lebre turn\u00ea de 1974 do grupo Crosby, Stills, Nash &amp; Young. A do\u00e7ura das melodias e a sonoridade \u201czen\u201d das m\u00fasicas n\u00e3o reflete em nada os bastidores da turn\u00ea, uma das mais conturbadas do pop, em que os m\u00fasicos sa\u00edam na porrada nos bastidores, cheiravam p\u00f3 como tamandu\u00e1s e&nbsp; se comportavam como <em>prima donnas<\/em> enquanto tocavam baladas de paz e amor para 70 mil pessoas por noite em est\u00e1dios lotados de f\u00e3s que s\u00f3 queriam reviver o esp\u00edrito libert\u00e1rio e otimista da era Woodstock.<\/p>\n\n\n\n<p>O CSN&amp;Y foi um dos primeiros \u2013 sen\u00e3o o primeiro \u2013 \u201csupergrupo\u201d do rock, formado no fim dos anos 60 por m\u00fasicos que j\u00e1 haviam feito sucesso em outros grupos: Stephen Stills e Neil Young no Buffalo Springfield, Graham Nash no The Hollies e David Crosby no The Byrds. O projeto come\u00e7ou como CSN. Neil Young foi adicionado depois, por sugest\u00e3o do chefe da gravadora Atlantic, Ahmet Ertegun.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3To8bmGLA-0\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os dois grupos mais populares do in\u00edcio dos 70, o Led Zeppelin e o CSN&amp;Y, foram, basicamente, projetos criados por gravadoras ou produtores (Jimmy Page escolheu os m\u00fasicos do Zep, um a um). A m\u00fasica pop j\u00e1 havia se tornado um <em>big business<\/em>. N\u00e3o havia mais espa\u00e7o para o amadorismo saud\u00e1vel de dez anos antes, quando bandas se conheciam na escola ou na faculdade. As gravadoras sabiam o que o p\u00fablico queria e criaram projetos que apelavam ao gosto m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o importava que os m\u00fasicos se odiassem, contanto que os discos vendessem bem. O caso do CSN&amp;Y \u00e9 emblem\u00e1tico daquela era de gan\u00e2ncia: os quatro n\u00e3o se suportavam e haviam prometido nunca mais pisar num palco juntos. Cumpriram a promessa por quatro anos, at\u00e9 que, em 1974, a gravadora Atlantic e o empres\u00e1rio Bill Graham vieram com uma proposta t\u00e3o alta que eles n\u00e3o resistiram. Seriam 31 shows em est\u00e1dios, com p\u00fablicos variando de 40 mil a 90 mil pessoas. A maior turn\u00ea de rock at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Cameron Crowe, ent\u00e3o rep\u00f3rter da revista \u201cCreem\u201d (e depois cineasta de \u201cQuase Famosos\u201d), perguntou a Stephen Stills por que a banda estava saindo novamente em turn\u00ea, Stills respondeu: \u201cA primeira <em>tour<\/em> foi pela arte e m\u00fasica, a segunda pelas garotas. Esta \u00e9 pela grana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E grana n\u00e3o faltou. A equipe tinha mais de 80 pessoas e inclu\u00eda traficantes, massagistas, acupunturistas e at\u00e9 um sujeito que tomava conta dos tapetes persas onde os quatro sentavam durante o show (leia <a href=\"https:\/\/www.rollingstone.com\/music\/music-news\/the-oral-history-of-csnys-infamous-doom-tour-110505\/\">aqui<\/a> uma hilariante mat\u00e9ria da \u201cRolling Stone\u201d americana, com entrevistas com v\u00e1rios participantes da turn\u00ea).<\/p>\n\n\n\n<p>Crosby e Nash eram mais tranquilos, mas Stills e Young, donos de g\u00eanios fortes e egos do tamanho de rinocerontes, brigavam por qualquer coisa: arranjos, ordem das m\u00fasicas no <em>setlist<\/em>, e quem iria cantar o qu\u00ea. Neil Young se recusava at\u00e9 a viajar junto com os companheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Os shows foram ca\u00f3ticos. A m\u00fasica de CSN&amp;Y era adequada a pequenos teatros, n\u00e3o a est\u00e1dios de futebol, e o volume alt\u00edssimo das montanhas de caixas dificultava a harmoniza\u00e7\u00e3o dos quatro cantores. Naquela \u00e9poca, n\u00e3o existiam tel\u00f5es que transmitissem o show ao vivo, e deve ter sido uma experi\u00eancia frustrante para o p\u00fablico. Mesmo assim, o resultado \u00e9 muito bom. Ainda prefiro ouvir CSN&amp;Y no est\u00fadio \u2013 acho que as vers\u00f5es ao vivo tendem a obscurecer as sutilezas das grava\u00e7\u00f5es \u2013 mas \u00e9 divertido ouvir \u201cWooden Ships\u201d ou \u201cOld Man\u201d seguidos do barulho de 150 mil m\u00e3os aplaudindo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCSNY 1974\u201d \u00e9 o registro perfeito daquela \u00e9poca p\u00f3s-hippie, em que os sonhos de paz, amor e liberdade tinham virado <em>case<\/em> de marketing e as gravadoras j\u00e1 vendiam nostalgia.<strong>Publicada originalmente em 6\/9\/2014.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acaba de sair \u201cCSNY 1974\u201d, uma caixa de tr\u00eas CDs e um DVD com trechos da c\u00e9lebre turn\u00ea de 1974 do grupo Crosby, Stills, Nash &amp; Young. 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